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Consumo de ultraprocessados dobra no Brasil e acende alerta para saúde

Estudo liderado pela USP mostra que esses produtos já somam 23% da dieta nacional, trazendo riscos graves para as crianças

Rafaela Oliveira
RAFAELA OLIVEIRA

17/03/2026 • 12:11 • Atualizado em 17/03/2026 • 12:11

 consumo frequente desses itens vicia o paladar, fazendo com que crianças passem a rejeitar o sabor natural de frutas e vegetais

consumo frequente desses itens vicia o paladar, fazendo com que crianças passem a rejeitar o sabor natural de frutas e vegetais

Divulgação

O consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil mais que dobrou nos últimos 40 anos, saltando de 10% para aproximadamente 23% da dieta da população. O dado faz parte de uma série de artigos publicados na revista científica Lancet por mais de 40 cientistas, sob a liderança de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). O cenário acende um alerta vermelho para a saúde pública, especialmente pelo impacto desses produtos na infância e adolescência.

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O perigo das "calorias vazias"

Segundo a nutricionista da Alessandra Lovato, que atua na Wyden, os ultraprocessados, como biscoitos recheados, refrigerantes e macarrão instantâneo, são formulações industriais ricas em corantes, açúcar e gordura, mas com pouco ou nenhum valor nutricional. O consumo frequente desses itens vicia o paladar, fazendo com que crianças passem a rejeitar o sabor natural de frutas e vegetais.

Além do vício, especialistas associam a ingestão desses alimentos ao surgimento precoce de doenças como obesidade, diabetes tipo 2 e hipertensão ainda na juventude. "A criança consome muita energia, mas apresenta deficiência de nutrientes essenciais como ferro e fibras", explica a nutricionista. Esses produtos também podem prejudicar a imunidade e até o desempenho escolar.

Como mudar o hábito?

A orientação dos especialistas é clara: "descascar mais e desembalar menos". Priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como arroz, feijão, frutas e legumes, é o passo essencial para proteger a saúde.

A nutricionista reforça a importância de ler os rótulos e evitar listas longas de ingredientes químicos. Pequenas trocas fazem a diferença, como substituir sucos de caixinha por água saborizada e envolver os filhos no preparo das refeições para moldar hábitos saudáveis que durarão por toda a vida.

Um fenômeno global e corporativo

A pesquisa revela que o aumento do consumo não é um caso isolado do Brasil, atingindo 93 países. Esse avanço é impulsionado por grandes corporações globais que priorizam o lucro através de ingredientes baratos e estratégias agressivas de marketing. Em trinta anos, o consumo desses produtos triplicou em países como Espanha e Coreia do Norte.

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