A SAF pode mudar o destino da Ponte Preta, mas não é uma solução mágica

Por Redação
REDAÇÃO

26/07/2026 • 16:56 • Atualizado em 26/07/2026 • 16:56

Carlos Batista
Estádio Moisés Lucarelli

Estádio Moisés Lucarelli

Divulgação

A notícia de que a Ponte Preta avançou nas negociações para a criação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF), em uma operação estimada em R$ 1,1 bilhão, representa um dos momentos mais importantes da história do clube.

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O que apurei é que esse montante será distribuído da seguinte forma:

  • R$ 300 milhões para o pagamento das dívidas. Atualmente, o passivo da Ponte gira em torno de R$ 330 milhões, o que exigirá negociações para reduzir esse valor.
  • R$ 410 milhões destinados à reforma do Estádio Moisés Lucarelli, que será transformado em uma arena multiuso com capacidade para 21 mil espectadores.
  • Cerca de R$ 390 milhões para investimentos no departamento de futebol ao longo de dez anos.

A Macaca chegou a um ponto em que manter o modelo atual tornou-se praticamente inviável. O clube arrecada cerca de R$ 1,2 milhão por mês, mas encerra cada mês com um déficit próximo de R$ 3 milhões. As dívidas aumentam continuamente, comprometendo o futuro da instituição. A falta de capacidade de investimento e a perda de competitividade fizeram com que um dos clubes mais tradicionais do futebol brasileiro se afastasse do protagonismo que sempre teve.

Nesse cenário, a SAF deixa de ser apenas uma alternativa e passa a representar uma oportunidade concreta de reconstrução.

Mas é preciso separar entusiasmo de euforia.

O simples fato de um investidor estar disposto a aportar recursos não garante sucesso. O futebol brasileiro já apresentou casos bem-sucedidos, como Botafogo, Bahia e Cruzeiro, mas também mostrou que uma SAF mal estruturada pode gerar grandes frustrações. O dinheiro, por si só, não resolve problemas. É indispensável uma gestão competente, planejamento de longo prazo e respeito à identidade do clube.

É justamente por isso que a etapa que começa agora talvez seja a mais importante de todo o processo. As negociações vêm sendo conduzidas pelos representantes da Ponte Preta, Luiz Antônio Alves Torrano e Marco Antônio Eberlin, enquanto a documentação entra na reta final.

Em comunicado, o clube informou apenas que o processo está em fase avançada de documentação e que a proposta será apresentada ao Conselho Deliberativo antes de qualquer deliberação interna. A partir daí, caberá aos conselheiros e, posteriormente, aos associados analisar cuidadosamente cada ponto da operação.

Não basta observar apenas o valor anunciado. É fundamental compreender quanto será efetivamente investido, como ocorrerá a quitação dos passivos, quais garantias serão oferecidas para proteger o patrimônio da Ponte Preta, qual será o modelo de governança e quais compromissos o investidor assumirá com o futuro do clube.

A tradição da Ponte Preta não tem preço. Ela precisa ser preservada, mesmo diante da necessidade de modernização.

Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer que o futebol mudou. Competir em alto nível exige capacidade financeira, gestão profissional, infraestrutura moderna e decisões rápidas. Os clubes que não acompanharem essa transformação correm o risco de perder cada vez mais espaço no cenário nacional.

A Ponte Preta não pode decidir movida pelo medo, nem pela paixão. Deve decidir pela razão.

Se a proposta realmente oferecer segurança jurídica, investimentos consistentes e um projeto esportivo sólido, a SAF poderá representar o início de uma nova era para a Macaca. Caso contrário, será mais prudente aguardar uma oportunidade que reúna melhores condições.

O momento é histórico. Talvez esta seja a decisão mais importante que a Ponte Preta tomará neste século. Por isso, ela precisa ser conduzida com serenidade, transparência e responsabilidade, pensando não apenas na próxima temporada, mas nas próximas gerações de pontepretanos.

A Ponte Preta nasceu há 126 anos e sempre foi reconhecida por sua capacidade de superar desafios. A SAF pode ser o maior deles. Se for construída sobre bases sólidas, poderá devolver ao clube o lugar que sua história merece. Se não for, o risco será comprometer um patrimônio que pertence a milhões de torcedores e à própria história do futebol brasileiro.

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*O autor da coluna tem autonomia para defender suas opiniões, baseadas em fatos e dados. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal Band Multi, nem do Grupo Bandeirantes.

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