
Dinheiro e celulares foram apreendidos
Divulgação
Um homem suspeito de crimes de estelionato e usurpação de função pública qualificada foi preso, na sexta-feira (24/07), em Itapetininga (SP), por policiais civis. Ele se apresentava falsamente como servidor da Secretaria de Habitação do Estado de São Paulo e afirmava possuir vínculo funcional com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU).
O delegado Franco Augusto Costa Ferreira conta que a investigação começou após a vítima registrar a ocorrência no Plantão Policial de Itapetininga.
As investigações começaram e os policiais civis apuraram que o suspeito oferecia supostas unidades habitacionais oriundas de retomadas administrativas da CDHU por inadimplência de antigos mutuários, alegando que tais imóveis poderiam ser adquiridos por valores muito inferiores aos praticados no mercado.
Em relação ao registro da ocorrência, segundo o delegado, a vítima manteve o primeiro contato com o investigado em 28 de maio deste ano, quando anunciava a venda de um veículo.
O delegado explica que, durante as negociações, o suspeito afirmou trabalhar na Secretaria de Habitação do Estado de São Paulo e possuir diversos apartamentos disponíveis para comercialização, indicando especificamente uma unidade habitacional que poderia ser adquirida pelo valor de R$ 80.000,00, justificando o preço reduzido sob o argumento de tratar-se de imóvel retomado em razão da inadimplência do antigo beneficiário.
O suspeito, diz o delegado, encaminhou fotos de supostos contratos de compra e venda e assegurou que a entrega do imóvel ocorreria em 7 de junho, desde que fossem feitos pagamentos para a regularização documental, despesas cartorárias e demais providências administrativas, alegando, inclusive, que o procedimento dependia da assinatura do secretário Estadual da Habitação.
O delegado comenta que, convencida da veracidade das informações, a vítima fez três transferências bancárias via PIX, no valor de R$ 5.000,00 cada, destinadas à conta bancária de titularidade do suspeito.
À medida que novas exigências financeiras eram apresentadas pelo criminoso, foram feitas, aproximadamente, quatorze transferências, totalizando R$ 25.000,00, além de pagamentos realizados com cartão de crédito em favor de terceiros, pessoas apontadas pelo investigado para recebimento de parte dos valores, em indícios de utilização como intermediários, os chamados "laranjas".
O suspeito, etnão, informou à vítima que, finalmente, faria a entrega das chaves da suposta unidade habitacional, condicionando, entretanto, o ato ao pagamento adicional de R$ 1.500,00. O encontro para esse pagamento deveria ser em Itapetininga, cidade onde ele mora. Como demonstração de interesse, a vítima efetuou transferência de R$ 250,00, por PIX.
O delegado conta que, inicialmente, o encontro havia sido combinado para ocorrer em estabelecimento comercial localizado no shopping da cidade, mas após diversas mudanças feitas pelo suspeito, ele encaminhou a localização dele e definiu novo ponto para a entrega dos valores.
No local indicado, a vítima entregou ao suspeito a quantia previamente exigida, recebendo, em contrapartida, quatro tags eletrônicas e oito chaves comuns, supostamente pertencentes ao imóvel negociado.
Questionado sobre a documentação correspondente, o suspeito alegou que ela ainda não tinha sido providenciada por terceiros.
Logo após a entrega dos valores e das falsas chaves, conforme previamente combinado com a equipe policial, a vítima comunicou imediatamente a ocorrência aos policiais civis que faziam o acompanhamento do paradeiro do suspeito.
Na delegacia, de acordo com o delegado, o suspeito, acompanhado do advogado, permaneceu em silêncio.
O delegado conta, ainda, que foram feitas pesquisas nos sistemas policiais e foi constatado que o suspeito é autor em 22 boletins de ocorrência registrados em diferentes unidades policiais, todos relacionados à prática de estelionato, sempre se apresentando como servidor público vinculado à área habitacional para oferecer imóveis inexistentes.
Há também condenação criminal transitada em julgado por crime patrimonial e ação penal em curso perante a Comarca de Itapeva, referente ao crime de estelionato, atualmente suspensa em razão da não localização do acusado.
Houve a representação pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva. Ele permaneceu à disposição da Justiça.


