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Operação mira organização criminosa que movimentou mais de R$ 225 milhões

Ação cumpre 28 mandados de busca e apreensão em cidades de São Paulo e Minas Gerais

Rafaela Oliveira
RAFAELA OLIVEIRA

26/06/2026 • 11:02 • Atualizado em 26/06/2026 • 11:02

Foram cumpridos  28 mandados de busca e apreensão

Foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão

Divulgação/Polícia Civil

A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta sexta-feira (26), a fase ostensiva da “Operação Duplicata Fantasma”. O objetivo da ação é desarticular uma complexa organização criminosa especializada na prática de estelionato qualificado, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

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Foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão durante a operação, que ocorreu de forma simultânea em municípios no interior de São Paulo – Sumaré, Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Nova Odessa, Hortolândia e Limeira – e em Minas Gerais – Santa Rita de Caldas e Andradas.

Durante as buscas realizadas hoje, as equipes apreenderam vasta documentação física, contratos, anotações contábeis e dispositivos eletrônicos

Com autorização judicial expressa para a quebra de sigilo telemático no local, os peritos e agentes policiais já iniciaram a devassa e extração de dados dos celulares e computadores apreendidos

Três veículos de alto valor, considerados de luxo, também foram apreendidos, visando a descapitalização do grupo e a garantia de futuro ressarcimento aos cofres públicos e vítimas.

Os materiais recolhidos passarão por análise forense detalhada e serão integrados ao Inquérito Policial, que segue em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e descapitalizar a totalidade do patrimônio da organização.

O esquema criminoso

As investigações tiveram início após denúncias de empresas do setor de crédito e foram aprofundadas com relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e análises forenses financeiras.

As apurações revelaram que o grupo operava uma rede sofisticada de empresas de fachada. O esquema utilizava uma empresa central, do ramo de distribuição de alimentos e bebidas, para emitir notas fiscais sem lastro comercial (frias) e duplicatas simuladas contra dezenas de falsos clientes (sacados fictícios), criados pela própria quadrilha através de "laranjas" ou mediante sobreposição de endereços comerciais para forjar credibilidade

Esses títulos fraudulentos eram então negociados (antecipados) junto a securitizadoras – instituições que transformam dívidas e recebíveis futuros – e fundos de investimento, causando prejuízos milionários às vítimas.

A análise da inteligência policial constatou que os valores arrecadados nas fraudes – cujo montante de movimentação atípica apurado já ultrapassa os R$ 225 milhões – eram rapidamente pulverizados e transferidos para outras contas do grupo ("contas de passagem") para dificultar o rastreamento das autoridades (fase de estratificação)

Posteriormente, os líderes da organização reintegravam esse capital ilícito à economia formal por meio da aquisição de imóveis com sobrepreço superior a 200%, aportes em planos de previdência privada e compra de veículos de luxo em espécie

Estrutura da Megaoperação

A operação foi realizada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, por meio do Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (SECCOLD) da DEIC (DEINTER 9 - Piracicaba).

Cerca de 13 equipes policiais foram as ruas para o cumprimento de 28 mandados de busca e apreensão expedidos pela Vara Regional das Garantias da 4ª RAJ de Piracicaba

A ação conta com o apoio tático de diversas delegacias da DEIC e Seccionais paulistas, além do apoio operacional de unidades congêneres da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG)

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