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"Tá na hora de voltar": saxofonista relata despertar de jovem em coma

Em entrevista, Hilquias Alves detalha o impacto de sua música em UTIs e revela bastidores de seu recorde no Guinness Book

Rafaela Oliveira
RAFAELA OLIVEIRA

07/04/2026 • 23:21 • Atualizado em 07/04/2026 • 23:21

Em entrevista, Hilquias Alves detalha o impacto de sua música em UTIs e revela bastidores de seu recorde no Guinness Book

Em entrevista, Hilquias Alves detalha o impacto de sua música em UTIs e revela bastidores de seu recorde no Guinness Book

Reprodução / Band Campinas

"Eu não escutava voz de ninguém, só o som do sax. E veio uma voz falando: 'tá na hora de voltar'". Esse foi o relato que o saxofonista Hilquias Alves ouviu de uma jovem de 25 anos que, após três meses em coma na UTI da Unicamp, em Campinas (SP), recuperou a consciência enquanto ele tocava o hino "Grandioso és Tu". O episódio, que emocionou médicos e enfermeiros, é um dos marcos dos 16 anos de trajetória do músico como voluntário em hospitais.

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Durante a entrevista, Hilquias explicou que a paciente estava em estado paliativo quando ele entrou na área restrita para tocar. O despertar imediato da jovem gerou um "alvoroço" na unidade. Para o saxofonista, o dom e o talento são ferramentas para levar um "alimento para a alma" e humanizar o ambiente hospitalar, quebrando a tensão de diagnósticos difíceis.

O músico faz questão de acompanhar os casos: a jovem em questão recebeu alta e, ao reencontrá-lo, descreveu que a música foi o único som capaz de alcançá-la naquele estado.

Guinness Book e o projeto

A precisão técnica de Hilquias é reconhecida mundialmente. Ele detém um registro no Guinness Book por sustentar a mesma nota no saxofone por uma hora ininterrupta. O feito é possível graças à respiração circular, técnica que ele descreve de forma lúdica: "a bochecha vira um pulmão".

Enquanto toca para os cerca de mil pacientes que visita semanalmente, Hilquias utiliza essa mesma maestria para manter o som suave e constante, essencial para não agitar o ambiente crítico das UTIs.

O projeto, que atualmente atende 153 hospitais em 24 cidades, foi uma ideia de sua falecida esposa, Lurcilei Lopes de Moraes e Silva. Recentemente, Hilquias enfrentou o luto após 35 anos de um casamento que descreve como "lindo e abençoado".

Lu, como era conhecida, faleceu em 12 de fevereiro de 2025

Lu, como era conhecida, faleceu em 12 de fevereiro de 2025

Reprodução/INCC

Apenas uma semana e meia após o falecimento de Lucirlei, ele decidiu voltar aos hospitais. "Eu não ia aguentar ficar dentro de casa chorando... o próprio projeto já é um incentivo para continuar fazendo a diferença", afirmou o músico, que vê em cada apresentação uma homenagem ao legado da esposa.

Hilquias Alves mantém sua missão de forma voluntária, contando com o apoio de um grupo de mantenedores. Para garantir a transparência, ele envia relatórios semanais em vídeo para todos os colaboradores, mostrando as 15 unidades de saúde visitadas a cada sete dias.

Como doar

As pessoas que quiserem colaborar com o projeto podem entrar em contato com o Hilquias Alves pelo telefone +55 (19) 99773-3813.

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