O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) decidiu arquivar a denúncia contra o prefeito de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga, que o acusava de abrir um buraco propositalmente para gravar conteúdo publicitário. A investigação, conduzida pelo promotor Orlando Bastos Filho, concluiu que não existem provas de que a intervenção na Rua Diadema, ocorrida em 9 de abril de 2026, tenha sido simulada.
Segundo a decisão, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) apresentou uma ordem de serviço anterior à gravação, motivada por problemas técnicos de afundamento e infiltração no local. O promotor ressaltou que a obra seguiu o fluxo administrativo comum da autarquia e que não há indícios de que o prefeito tenha determinado a emissão do documento especificamente para a produção do vídeo.
A análise técnica revelou que a Rua Diadema possui um histórico consistente de problemas na infraestrutura, com 215 ordens de serviço registradas nos últimos cinco anos. Além disso, o MP destacou que o Saae realizou mais de 21 mil manutenções em Sorocaba entre julho de 2025 e julho de 2026, o que torna a abertura de valas uma atividade rotineira na cidade.
Para o promotor, a hipótese de criação deliberada de um "buraco fake" perde o sentido diante do grande volume de ocorrências reais documentadas. Sobre a movimentação intensa de veículos no dia dos fatos, apontada por GPS, o MP considerou o dado irrelevante, pois a presença de equipes era necessária para a execução do reparo técnico.
Em suas redes sociais, o prefeito Rodrigo Manga celebrou o arquivamento, afirmando que a denúncia era uma "mentira da oposição" para atrapalhar o governo. O caso havia ganhado repercussão após vídeos de funcionários sugerirem que o buraco teria sido aberto e fechado apenas para a filmagem.


