
Curitibana morreu na Espanha e família tenta trazer o corpo para o Brasil
Foto: Arquivo Família Gisele Meira
A morte da curitibana Gisele Fernanda Theodoro Meira, de 32 anos, na Espanha ganhou novos desdobramentos após a divulgação de áudios enviados por ela à família, dias antes de ser encontrada morta no quarto onde morava, na cidade de Oliva, próxima a Valência.
Nas mensagens, Gisele relata medo e desconforto com a convivência no imóvel, que dividia com o namorado e outros dois imigrantes.
Relatos de medo dentro do apartamento
Em um dos áudios, enviado à mãe no Brasil, Gisele descreve situações que a deixavam insegura dentro da residência.
“Esses dias o Joel abriu a porta do quarto pra sair e o velho nojento tava indo pro banheiro. Aí ele chegou na porta do banheiro e ficou olhando pra dentro do quarto porque a porta do banheiro dá de porta com a gente, com o nosso quarto, sabe? Aí ficou olhando pra dentro do quarto. Ah, mãe, que nojo, meu Deus do céu”
A mãe alerta a filha sobre os riscos da situação.
“Gi do céu, é até perigoso morar com estranho desse jeito, Gisele. Se der uma bobeira, os cara te estupra aí, misericórdia”
Gisele responde afirmando que tomava cuidados, mas reforça o medo.
“Mas eu cuido ao máximo. E daí a cabeça do Joel, né. Eu falei pra ele que eu morro de medo. Um lixo nojento desse me agarrar. Aí ele falou, nossa, você é muito mais forte do que qualquer um desses dois aí. Ele fala porque é dois magrelo, sabe?”
Jovem evitava sair do quarto
Em outro momento, Gisele afirma que evitava sair do quarto quando os outros moradores estavam na casa.
“Eu nem saio do quarto quando eles estão porque os dois ficam de olho, sabe? Nojento, mãe. Olhando. Aquela coisa nojenta de homem, sabe? Única mulher na casa. Nojento, nojento. Então quando é pra fazer alguma coisa fora do quarto o Joel vai na geladeira pegar alguma coisa, o Joel vai fazer alguma coisa porque não tem condições”
Dias antes da morte, a brasileira chegou a dizer à família que pretendia deixar o imóvel. Entre os planos estavam alugar outro espaço ou até mudar de cidade.
Caso é tratado como morte suspeita
Gisele se mudou para a Espanha em dezembro do ano passado e havia pago seis meses de aluguel adiantado. Ao chegar ao local, encontrou o imóvel já ocupado por outros dois imigrantes e passou a dividir o espaço com eles.
No dia 30 de março, ela foi encontrada morta pelo namorado. A versão inicial aponta para um possível suicídio, mas a família contesta.
Segundo os familiares, a polícia não foi acionada no momento da ocorrência, o que impede, até agora, a abertura de um inquérito.
Agora, uma denúncia deve ser formalizada e o consulado brasileiro deve solicitar uma investigação mais detalhada. O corpo só será liberado após a realização de perícia.
Família cobra respostas
A advogada da família, Carina Goiatá, afirma que o caso precisa ser tratado como suspeito e questiona a versão apresentada.
“Porque existe aí uma morte suspeita. Eu não posso acreditar no relato de uma pessoa em que a única testemunha que estava também na casa não viu esse corpo pendurado. Comprovando, não há problema algum. O que a família quer é saber exatamente o que aconteceu. Porque a família realmente não acredita. A Gisele não tinha motivo nenhum pra tirar a própria vida”
O caso segue sem conclusão oficial e depende de investigação das autoridades espanholas.
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