O ex-prefeito de Curitiba e pré-candidato do MDB ao Governo do Paraná, Rafael Greca, afirmou que sua experiência administrativa o credencia a comandar o Estado e disse que pretende levar até o fim o projeto de disputar o Palácio Iguaçu, em entrevista nesta semana aos jornalistas José Wille e João Azevedo, no programa Band Entrevista.
O programa já recebeu Sandro Alex, do PSD, e Requião Filho, do PDT, e abre espaço para os pré-candidatos ao governo do Paraná.
Experiência e decisão de disputar o Palácio Iguaçu
Ao defender a pré-candidatura, Greca lembrou que já foi vereador, deputado estadual, deputado federal e prefeito de Curitiba em três mandatos. Para ele, esse histórico o diferencia dos demais pré-candidatos ao governo.
Segundo o emedebista, a experiência na administração municipal o habilita a lidar com a realidade dos 399 municípios paranaenses. Ele declarou que, "de todos os pré-candidatos dispostos, o único que pode ser considerado hábil para governar 399 cidades" é ele, "porque o único que já foi prefeito" entre os nomes colocados.
Greca também afirmou que a trajetória no Legislativo e no Executivo lhe dá condições de compreender as diferenças regionais do Estado. "Eu também já fui vereador, já fui deputado estadual e já fui deputado federal. Então, acho que estou habilitado para entender o Paraná", disse.
O ex-prefeito destacou ainda que não pode voltar a concorrer à prefeitura, mas vê espaço para buscar o comando estadual. "Eu já fui três vezes prefeito de Curitiba, não posso ser a quarta, mas posso, sim, ser governador pela primeira vez", afirmou.
Pré-candidato promete ir até o fim e minimiza pesquisas

Greca relatou que tem recebido manifestações de apoio durante viagens pelo interior e pela Região Metropolitana. Conforme contou, parte da população pergunta se ele manterá o nome na disputa e pede que não desista.
Ele afirmou que pretende permanecer na corrida eleitoral independentemente das articulações partidárias até as convenções. "Não sei o que vai acontecer, mas eu vou até o fim. Eu não tenho tempo a perder, porque a minha vida já está completamente concluída", declarou.
Questionado sobre sua posição nas pesquisas de intenção de voto, o pré-candidato minimizou a importância dos levantamentos na fase de pré-campanha. Na visão dele, uma parcela significativa do eleitorado ainda não decidiu em quem votar.
Greca classificou as sondagens divulgadas antes da oficialização das candidaturas como "névoas do nada" e "vaidades das vaidades". Ele disse preferir concentrar esforços na elaboração de propostas e no contato direto com os eleitores. "A gente nunca deve se preocupar com os outros. A gente deve se preocupar em ter um belo programa e, sobretudo, conversar com quem importa numa eleição, que é quem está do outro lado da televisão e que, no fim, vai votar", afirmou.
Perfil de equilíbrio na relação com o Planalto
Durante a entrevista, Greca defendeu que o governador mantenha uma relação institucional com o presidente da República, independentemente da posição ideológica de quem estiver no Palácio do Planalto.
Para ele, o chefe do Executivo estadual precisa atuar com equilíbrio e evitar disputas ideológicas. "Não vem voto de ideologia, escolher direita ou esquerda, porque o governador tem que ser um sujeito do equilíbrio", disse.
O emedebista avaliou que sua experiência como administrador e a capacidade de diálogo o ajudariam a estabelecer pontes com qualquer governo federal. "Eu acho que, por ser um sujeito que já foi administrador e que também é muito diplomata, posso conversar com qualquer um que venha a ser o presidente da República", afirmou.
Portos e infraestrutura logística como prioridades
Uma parte significativa da entrevista foi dedicada ao potencial portuário do Estado. Greca defendeu a ampliação da estrutura de Paranaguá e a criação de novos acessos para escoar a produção agrícola e industrial, em parceria com as cooperativas e indústrias do interior.
Segundo ele, a relação entre o campo e o Litoral precisa ser melhor aproveitada. "Em Paranaguá, tudo o que as cooperativas produzem reverbera no porto. Tudo o que as cooperativas exportam reverbera no porto", afirmou.
O pré-candidato apoiou a implantação do Porto de Pontal do Paraná e citou uma decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que, segundo sua avaliação, confirmou a licença prévia para a construção da faixa de domínio e do acesso ao empreendimento. "O Porto de Pontal do Paraná vai acontecer porque nós arrancamos no TRF4, através do apoio do ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso, a sentença que veio definitiva, depois de todos os recursos esgotados, de licença prévia", declarou.
Greca também mencionou projetos de expansão em Paranaguá, como novos píeres, retroáreas e melhorias ferroviárias até o Cais Dom Pedro II. Ele citou o chamado Moegão como elemento central para aumentar a capacidade de embarque e desembarque de produtos agrícolas. Na avaliação dele, essas obras podem colocar o porto em condições de competir com estruturas como a de Buenos Aires.
O pré-candidato defendeu ainda investimentos em dragagem para aumentar o calado dos navios em Paranaguá. Segundo afirmou, a limitação de profundidade impede que as embarcações utilizem toda a capacidade de carga, operando com cerca de 12 metros de calado em vez dos 15 metros que considera ideais.
Ferrovias, rodovias e integração logística
Outro ponto abordado foi a renovação da concessão da Malha Sul Ferroviária. Greca defendeu que o novo contrato inclua a construção de um contorno para retirar os trens da área urbana de Curitiba.
Para ele, "não tem cabimento a malha ferroviária continuar a mesma de 1880". O pré-candidato sugeriu um traçado de aproximadamente 40 quilômetros para permitir que as composições deixem de cruzar bairros da capital. "Vamos fazer um contorno de Curitiba de 40 quilômetros e tirar o trem de dentro da cidade", afirmou.
Greca também criticou a baixa velocidade dos trens em alguns trechos e ressaltou a necessidade de ampliar a ferrovia em direção ao Oeste. Ele lembrou que a linha ainda não alcança Foz do Iguaçu nem Guaíra e defendeu a interiorização da malha.
Nas rodovias, o emedebista citou gargalos em regiões estratégicas para o transporte de cargas, como a Serra da Esperança e a Serra do Rio das Mortes, na BR-277, entre os Campos Gerais e Guarapuava. Em sua avaliação, é preciso triplicar a capacidade da via nesses trechos.
Greca afirmou que a integração entre portos, ferrovias e rodovias é essencial para aumentar a competitividade dos produtos paranaenses e garantir o escoamento da produção.
Cooperativismo, meio ambiente e desenvolvimento
Na área econômica, o pré-candidato destacou o papel das cooperativas e classificou o cooperativismo como uma forma de "capitalismo social". Ele disse que esse modelo representa "capitalismo cooperativista" e "modernidade no campo", em contraste com práticas que considera predatórias.
Durante a entrevista, Greca corrigiu um dado que havia mencionado e afirmou que o Estado possui 227 cooperativas. "Que lugar do mundo tem 227 cooperativas produtoras de alimento e produtoras de riqueza como temos nós aqui no Paraná?", questionou.
Ele citou comunidades formadas por imigrantes e descendentes de europeus em Piraquara, Castro e no distrito de Entre Rios, em Guarapuava, como exemplos de desenvolvimento baseado no agronegócio e no cooperativismo. Na avaliação de Greca, esse modelo ajuda a fazer do Estado "um Brasil diferente".
O emedebista relacionou ainda o desenvolvimento econômico à preservação ambiental. Segundo ele, a regularização das propriedades rurais por meio do Cadastro Ambiental Rural pode ampliar a área reconhecida de Mata Atlântica, permitindo que cerca de 40% do território estadual seja protegido.
Greca afirmou que a sustentabilidade pode se tornar uma marca dos produtos locais. Ele disse que o objetivo é poder escrever nos rótulos: "Feito no Paraná, o lugar mais verde do mundo, o lugar mais sustentável do mundo". Apesar de defender a construção de novos portos, rodovias e estruturas logísticas, destacou que esses projetos precisam funcionar também como instrumentos de proteção da floresta.
Elogios ao governo atual e recado final aos eleitores
Ao comentar a gestão do governador Ratinho Junior, Greca elogiou ações já realizadas e disse que "o trabalho do Ratinho é lindo, é bom, é cheio de mérito". Em seguida, afirmou que ainda há obras e projetos a serem executados.
Como exemplo, citou comunidades de Entre Rios, em Guarapuava, que, segundo ele, ainda não contam com redes completas de água e esgoto. Na síntese do pré-candidato, "o Paraná não está pronto".
Na mensagem final, Greca recorreu a uma passagem bíblica para afirmar que o amor deve ser condição para quem pretende exercer funções públicas. Ele sugeriu que os eleitores perguntem aos candidatos: "Você ama o Paraná?".
O emedebista encerrou a entrevista dizendo que pretende governar o Estado com a mesma disposição demonstrada na Prefeitura de Curitiba. "Eu, que nunca traí o Paraná, que tenho as mãos limpas e o coração puro, quero servir ao Paraná. Me deixem servir ao Paraná com o mesmo amor, entusiasmo e alegria com que servi a nossa adorada Curitiba", concluiu.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:

