O cão Balu, da Polícia Militar do Paraná, participa há cinco meses de um projeto de cinoterapia que leva atendimento semanal a pacientes do Hospital de Reabilitação, em Curitiba, instituição da Secretaria de Estado da Saúde com atendimento 100% pelo SUS, e já apresenta resultados em crianças como Arthur, de 3 anos.
Balu ajuda Arthur a participar da fisioterapia
No hospital, Balu chega com uniforme completo, crachá e mochila para as sessões de terapia assistida por animais. Uma das primeiras paradas é a fisioterapia de Arthur, que tem transtorno do espectro autista não verbal e faz acompanhamento na unidade. As atividades com o cão começaram há cerca de um mês.
Segundo a fisioterapeuta de Arthur, Eliza Sibele Galvão Vieira, a presença do animal mudou a dinâmica da sessão.
"Eu vejo que o Arthur melhorou muito na questão da atenção, da participação na brincadeira. Começou a permitir posturas que antes ele não permitia. Hoje, jogar a bolinha, alcançar a argola no focinho do Balu ou participar da brincadeira, que antes ele não tinha, agora está começando a melhorar bastante", afirma.
A mãe, Laurinda Francisco de Oliveira, acompanha todas as sessões e relata mudanças no comportamento do filho.
"Antes nem brincava, nem pegava. Agora está pegando e está desenvolvendo bastante. Só que ele não fala, mas ele grita quando vê os animais. Me deixa feliz", conta.
Cinoterapia semanal e triagem de pacientes
O trabalho com Balu acontece todas as quintas-feiras no Hospital de Reabilitação. O cão atende até quatro pacientes por dia em uma agenda organizada pela equipe multiprofissional. O serviço de cinoterapia começou há cinco meses na instituição.
Conforme explica o gerente-técnico do hospital, Bruno Henrique Schuta Bodanese, os pacientes passam por avaliação antes de serem encaminhados para o atendimento com o cão.
"Hoje os nossos pacientes passam por uma triagem, uma avaliação prévia, e os que apresentam esses pré-requisitos, esses indicativos de trabalhar com a necessidade do Balu, são direcionados para essa agenda. Tem muitos casos de crianças que antes chegavam na terapia, não saíam do colo da mãe e não aceitavam nem entrar direito na sala. Quando o Balu vem, a criança se distrai, entra, brinca com o Balu e, a partir dessa interação, o terapeuta consegue atuar de forma mais adequada e eficiente", destaca.
Treinamento na PM e projeto K9CURA
Balu tem um ano e meio e começou a ser treinado ainda filhote na Companhia Independente de Operações com Cães (CIOC) da Polícia Militar, em Curitiba, como a Band já mostrou em reportagens anteriores. O cão atua sempre acompanhado pelos condutores, cabo PM Curotto e cabo PM Maickon.
Para a cabo Curotto, o treinamento específico é fundamental para o trabalho em ambiente hospitalar.
"A gente fez o trabalho de ambientação e socialização, que é primordial para ele aceitar diversos estímulos, diversas pessoas, não ter medo, não ser reativo. Depois, na sequência, a gente introduziu a obediência básica e agora está fazendo a parte de obediência avançada, com comandos para ele interagir com os pacientes e, às vezes, até fazer uma brincadeira", explica.
Todo esse trabalho integra o projeto K9CURA, desenvolvido dentro da companhia. Balu é o primeiro cachorro da iniciativa, que une preparação técnica, inteligência e interação com os pacientes em atendimentos gratuitos.
Na visão de Curotto, a iniciativa reforça o papel social da corporação.
"É um projeto em que a gente acredita que a parte social da Polícia Militar do Estado do Paraná tem muito essa aproximação com as pessoas, com o público em si. Essa parte social traz uma grande valia tanto para a companhia quanto para a polícia em geral. A gente espera ampliar o número de atendimentos e de dias, porque é muito importante para a sociedade", avalia.
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