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Família contesta versão da PM sobre morte de homem no Boqueirão

Advogado da família de Jaime Junior diz que vítima não portava arma e cobra esclarecimento sobre 12 disparos em ''suposto'' confronto com a PM

Da redação
DA REDAÇÃO

14/08/2026 • 18:41 • Atualizado em 14/08/2026 • 18:59

A família de Jaime Junior, 41 anos, morto em ação da Polícia Militar no bairro Boqueirão, em Curitiba, na noite de quinta-feira (13), contesta a versão de suposto confronto divulgada pela corporação. O advogado dos parentes, Paulo Ivo Rodrigues Neto, falou ao Brasil Urgente e negou que Jaime estivesse armado ou indo agredir a ex-namorada.

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Segundo o defensor, as circunstâncias da abordagem precisam ser esclarecidas e o histórico de Jaime não justifica o desfecho da ocorrência. Ele afirma que notícias sobre fatos anteriores já foram analisadas pela Justiça e que o homem não tinha envolvimento com criminalidade.

"Jaime Junior não era bandido, tampouco estava indo agredir a sua ex-namorada. A história será comprovada nos autos. Ele não possuía arma e o que está sendo noticiado sobre fatos pretéritos foi devidamente esclarecido perante a Justiça", declarou Paulo Ivo. O advogado acrescentou que a família sofre com a morte e quer explicações sobre os 12 tiros disparados contra o homem.

Versão apresentada pela Polícia Militar

De acordo com o capitão Rueda, da Polícia Militar, a ex-companheira de Jaime ligou para o telefone 190 após receber ameaças de morte por ligação. Ela relatou que o homem dizia que iria até a casa dela para matá-la com disparos de arma de fogo, o que motivou o acionamento da equipe.

Quando os policiais chegaram ao endereço, conversaram com a vítima e acompanharam novas ligações em que o suspeito teria reiterado as ameaças. Momentos depois, Jaime chegou ao local e, durante a tentativa de abordagem, não teria acatado às ordens da PM.

Segundo o relato da corporação, o homem apontou uma arma para a equipe, que reagiu e efetuou disparos. Capitão Rueda afirmou que Jaime tinha diversas passagens por violência doméstica e porte ilegal de arma de fogo e que, mesmo após a morte do ex-companheiro, a mulher permanecia muito abalada e temia pela própria vida.

Família pede apuração sobre conduta da polícia

Na visão de Paulo Ivo Rodrigues Neto, o quadro descrito pela Polícia Militar não corresponde ao que ocorreu na noite da abordagem. Ele insiste que Jaime não portava arma e sustenta que os 12 disparos precisam ser examinados com rigor, inclusive para verificar se houve excesso na ação.

O advogado afirma que pretende apresentar ao processo informações sobre o relacionamento anterior do casal, que, segundo ele, já foi objeto de análise judicial. "Eu mesmo atendi os dois em algumas situações e faço questão de esclarecer isso. Neste momento, peço que se dê publicidade de que existe uma família sofrendo com toda essa situação", concluiu Paulo Ivo.

A defesa de Jaime Junior afirma que confia na apuração dos fatos pela Justiça e reforça que todas as circunstâncias da morte devem ser analisadas nos autos. Já a Polícia Militar mantém a versão de que os agentes reagiram após serem ameaçados com arma de fogo, enquanto a família aguarda esclarecimentos sobre o episódio.