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Governo estuda zerar impostos do querosene para frear alta das passagens

Reajuste de até 54,6% no combustível já encarece bilhetes e faz União avaliar suspensão de PIS/Cofins por três meses

Rodrigo Leite
RODRIGO LEITE

06/04/2026 • 14:23 • Atualizado em 06/04/2026 • 14:23

O governo federal estuda zerar a cobrança de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação após um reajuste de até 54,6% anunciado pela Petrobras, alta que já encarece as passagens aéreas em todo o país.

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De viagem marcada com a família para Manaus, o empresário Paulo Freitas conta que se assustou ao pesquisar os bilhetes. Segundo ele, os preços 'subiram bastante' em relação ao que pagava antes. A bancária Edinéia Góes, que viaja para Maceió, afirma que sentiu a diferença no bolso. 'Eu comprei a passagem por R$ 800. Simulei hoje e pagaria cerca de R$ 2.200', compara.

Para se ter uma ideia do impacto, um voo só de ida entre Porto Alegre e São Paulo, para agosto deste ano, passou de R$ 238, em 31 de março, para R$ 358 em 1º de abril, aumento de 50% em apenas um dia. Dono de uma agência de viagens, Fábio Antonuncio afirma que o consumidor precisa se antecipar. Segundo ele, planejar a viagem com mais antecedência ajuda a encontrar tarifas menores, e muitos clientes já reprogramam viagens para reduzir custos.

Combustível pesa quase metade dos custos

O querosene de aviação representa quase metade dos custos operacionais das companhias aéreas. Com a alta de até 54,6% no combustível, as empresas repassam parte da despesa para o preço final das passagens.

Para tentar conter a escalada de preços, o governo pretende zerar, por um período de até três meses, a cobrança de PIS e Cofins sobre o querosene de aviação. A medida, ainda em estudo, deve ser anunciada na próxima semana.

A intenção do governo é tentar baratear o preço das passagens aéreas e aliviar parte do impacto do reajuste para o consumidor.

Especialista alerta para efeitos da guerra

Para o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, o aumento do querosene é negativo para todos os envolvidos. Ele afirma que a alta 'é ruim tanto para o consumidor quanto para as companhias aéreas'.

Ele também faz um alerta para o cenário internacional. 'Se a guerra se prolongar, poderemos ter algo como na Covid: pouca gente viajando, rotas desativadas', projeta.

Enquanto o governo discute medidas para reduzir custos, Fábio Antonuncio orienta que o consumidor planeje as viagens com mais antecedência. Ele relata que muitos clientes já reprogramam viagens para tentar diminuir os gastos.