O Governo Federal corre contra o tempo para viabilizar um pacote de socorro ao setor aéreo: após o anúncio de um reajuste expressivo no preço do Querosene de Aviação (QAV) pela Petrobras, o Ministério de Portos e Aeroportos apresentou uma proposta ao Ministério da Fazenda para zerar as alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre o combustível. A medida é vista como fundamental para evitar um "efeito cascata" nos preços dos bilhetes. O combustível representa, hoje, cerca de 40% dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras.
A crise no Oriente Médio foi o principal causador da alta tão expressiva no querosene de aviação. O cenário internacional é o principal vilão. Com a escalada do conflito na região, envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, o mercado de energia entrou em estado de alerta. Como o Brasil adota a política de paridade internacional para o QAV, a valorização da commodity lá fora é importada automaticamente para as refinarias brasileiras.
Para evitar um colapso imediato nas operações das companhias aéreas, a Petrobras adotou uma estratégia de escalonamento. A partir desta semana, o combustível fica 18% mais caro e o restante do reajuste será aplicado em seis parcelas a partir de julho de 2026.
Além do aumento nos preços das passagens aereas, especialistas alertam para o risco de cancelamento de voos para destinos regionais, onde a ocupação das aeronaves é menor e o custo do combustível torna a operação deficitária.
Com a previsão de passagens mais caras, a recomendação para o consumidor é antecipar as compras para as férias de julho e o final de ano. Especialistas sugerem o uso de milhas acumuladas antes que as tabelas de resgate sofram novos ajustes inflacionários.
Do que é feito o querosene de aviação?
Muitas vezes confundido com o querosene doméstico, o JET A-1 (nome técnico do combustível de aviação) é um produto de alta tecnologia. O QAV é um derivado do petróleo bruto, composto por uma mistura de hidrocarbonetos (com cadeias de 9 a 16 átomos de carbono). Ele passa por um processo rigoroso de tratamento para garantir que suporte condições extremas.
O diferencial técnico do QAV é sua resistência ao frio - O combustível precisa manter a fluidez em altitudes de cruzeiro, onde a temperatura externa pode chegar a -50°C.; a segurança, já que seu ponto de fulgor (temperatura em que libera vapores inflamáveis) é superior a 38°C, garantindo segurança no manuseio em solo e também, por conter substâncias antiestáticas (para evitar faíscas no abastecimento) e inibidores de corrosão para proteger as turbinas.

