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Polícias do PR prendem 11 e miram facção suspeita de lavar R$ 30 mi

Investigação aponta domínio de bairro em Curitiba, casa cofre e esquema de lavagem com empresas de fachada

Marco Pires
MARCO PIRES

24/04/2026 • 07:52 • Atualizado em 24/04/2026 • 07:52

Operação integrada cumpre 41 mandados contra grupo responsável pelo tráfico no Parolin, em Curitiba

Operação integrada cumpre 41 mandados contra grupo responsável pelo tráfico no Parolin, em Curitiba

Foto: PCPR

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) e a Polícia Militar do Paraná (PMPR) prenderam 11 pessoas nesta sexta-feira (24) em uma operação contra uma organização criminosa suspeita de movimentar cerca de R$ 30,5 milhões com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, com base de atuação no bairro Parolin, em Curitiba. Na capital, um confronto resultou na morte de um suspeito.

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Além da capital paranaense, as equipes cumpriram mandados em Itapema (SC) e Maceió (AL), com apoio das forças de segurança locais. Ao todo, a Justiça autorizou 11 mandados de prisão preventiva, 15 de busca e apreensão domiciliar e 13 ordens de bloqueio e sequestro de ativos financeiros. Cerca de 150 policiais participaram da ofensiva, que contou com helicópteros e cães de faro. A liderança do grupo foi capturada em Alagoas.

Segundo a PCPR, a investigação começou em junho de 2025. O grupo investigado teria consolidado o domínio territorial no Parolin após um conflito armado que resultou na neutralização de uma organização rival. A partir daí, integrantes passaram a usar residências do bairro como depósitos estratégicos de armas e drogas, além de refúgios operacionais.

Disputa por território e atuação integrada

O delegado da PCPR Ivo Viana afirma que o avanço da investigação se baseou em registros de violência letal na região. "Desde 2024, verificamos várias ocorrências de crimes contra a vida no bairro. As apurações de cada um deles nos mostraram que as motivações estavam ligadas ao tráfico de drogas, especificamente a uma disputa entre dois grupos que visavam controlar a atividade criminosa naquela região", disse.

Na visão de Viana, esse cenário levou à necessidade de ampliar o trabalho para além da Delegacia de Homicídios. "A partir deste mapeamento, identificamos a necessidade de expandir a investigação para além da Delegacia de Homicídios e iniciamos a troca de informações com a Denarc e com a inteligência da Polícia Militar", completou.

De acordo com o coronel Alexandre Lopes Dias, comandante de Missões Especiais (CME) da PMPR, a integração entre as forças é decisiva. "Essa cooperação, com troca de informações e planejamento conjunto, é essencial para a eficácia das diligências e a redução dos indicadores criminais no estado", afirmou o oficial.

Comando à distância e lavagem de dinheiro

A apuração indica que a estrutura criminosa era chefiada à distância por um homem e seu braço direito. Ambos alegaram ter recebido supostas ameaças de morte e conseguiram transferir o cumprimento de suas penas para Maceió (AL). Conforme relata o delegado da PCPR Ricardo Casanova, "o afastamento geográfico serviu como um escudo para que coordenassem o narcotráfico remotamente e em liberdade, delegando o gerenciamento tático diário no bairro Parolin a outro integrante da organização".

A investigação constatou que a organização teria movimentado aproximadamente R$ 30,5 milhões entre fevereiro de 2018 e setembro de 2025, valores oriundos principalmente do tráfico de drogas e posteriormente ocultados por meio de um esquema de lavagem de dinheiro. Na operação desta sexta-feira, policiais apreenderam R$ 17,3 mil em espécie, 149 dólares, uma pistola calibre 9mm e oito veículos atribuídos ao grupo.

Para dissimular a origem ilícita dos recursos, o grupo usaria familiares, companheiras e empresas de fachada para ocultação patrimonial. "O capital era inserido no sistema financeiro por meio de depósitos em espécie fracionados feitos em caixas eletrônicos e lotéricas. Após a compensação financeira, os valores eram transferidos a inúmeras contas de passagem, que recebiam aportes milionários e eram esvaziadas rapidamente para dificultar o rastreamento", detalhou Casanova.

Casa cofre e ligação com homicídios

A PCPR aponta que a atuação da organização já havia sido comprovada em ações anteriores. Em um desdobramento operacional, policiais localizaram uma "casa cofre" no bairro Sítio Cercado, em Curitiba, onde apreenderam R$ 493.879 em espécie, além de equipamentos e entorpecentes.

Além do tráfico, a investigação relaciona o grupo a homicídios registrados em Curitiba e em cidades vizinhas. Em março de 2026, o líder de uma facção rival e o filho dele foram executados a tiros em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana. As apurações indicam que o duplo homicídio teria sido cometido por integrantes da mesma organização investigada no Parolin.

De acordo com as polícias, a ação desta sexta-feira teve como foco não apenas a repressão direta nas ruas, mas principalmente o estrangulamento financeiro da estrutura criminosa, visando enfraquecer a capacidade de atuação e expansão do grupo.