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Paraná planeja complexo náutico em área do ferry boat de Guaratuba

Veja imagens do projeto de R$ 100 milhões prevê marina, orla pública e geração de mais de 2 mil empregos a partir de 2027

Marco Pires
MARCO PIRES

22/04/2026 • 11:29 • Atualizado em 22/04/2026 • 11:29

Resumo

Projeto de transformação da área do ferry boat em Guaratuba prevê a construção de um complexo náutico com marina, orla pública, restaurantes, lojas e espaços para eventos, ocupando mais de 30 mil metros quadrados e envolvendo investimento estimado em R$ 100 milhões por meio de concessão à iniciativa privada.

Obras devem começar a partir de 2027, com previsão de criação de cerca de 1.425 empregos diretos e indiretos durante a construção e 695 na operação, além de economia de R$ 20 milhões ao Estado em 30 anos; transição do sistema de ferry boat será gradual, mantendo o serviço até adaptação total ao novo cenário com a ponte.

Processo inclui consulta pública, audiência em Guaratuba e participação popular, sendo visto pelo governo e prefeitura como oportunidade de revitalização urbana, geração de empregos, estímulo ao turismo e oferta de infraestrutura náutica, beneficiando moradores, turistas, setor comercial e serviços essenciais da cidade.

Com a inauguração da Ponte de Guaratuba prevista para os próximos dias, o governo do Paraná prepara a transformação da área hoje ocupada pelo ferry boat em um complexo náutico com marina, orla pública e serviços, a partir de 2027, em Guaratuba, no Litoral do Estado.

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Nova destinação para área do ferry

A iniciativa marca uma nova etapa para uma das regiões mais simbólicas de Guaratuba, que por décadas concentrou o fluxo de veículos e passageiros na travessia da baía. Com a ponte, o espaço antes dedicado ao transporte passará a abrigar estruturas voltadas ao lazer, turismo e atividades econômicas.

O projeto, elaborado pela Secretaria de Estado do Planejamento (Sepl) há cerca de seis meses, prevê um complexo com cerca de 12 mil metros quadrados de área construída em um terreno de mais de 30 mil metros quadrados, que inclui o atual canteiro de obras da ponte. A maior parte da área será de uso público.

A marina, principal estrutura do empreendimento, contará com 303 vagas molhadas para embarcações atracadas na baía e 400 vagas secas para embarcações guardadas em área interna. Também estão previstas 208 vagas de estacionamento para veículos, além de espaços de convivência, lazer e serviços, com restaurantes, lojas e área para eventos.

O investimento estimado é de aproximadamente R$ 100 milhões, viabilizado por meio da cessão do terreno à iniciativa privada. A futura concessionária será responsável pelas obras e pela manutenção do local durante os 30 anos de contrato, a serem definidos em processo licitatório na modalidade concorrência pública.

Obras, empregos e transição do sistema

A expectativa é que as obras comecem a partir de 2027, com prazo de execução de até cinco anos, que poderá ser antecipado pela empresa que vencer a licitação. Segundo estudos da Sepl, o modelo de concorrência pública deve gerar uma economia de cerca de R$ 20 milhões ao Estado ao longo de três décadas.

Durante a fase de construção, o governo estima a criação de aproximadamente 1.425 empregos diretos e indiretos, com injeção de cerca de R$ 100 milhões em salários na economia local. Na fase de operação, outros 695 postos de trabalho diretos e indiretos devem ser gerados pelo empreendimento.

A desmobilização do sistema atual de ferry boat será gradual. Segundo o secretário estadual da Infraestrutura e Logística, Fernando Furiatti, a estrutura permanecerá em funcionamento por um período de adaptação. Ele afirma que 'as duas áreas que são ocupadas pelo ferry boat num primeiro momento vão permanecer para que o ferry boat permaneça operacional, até que a gente possa adaptar o movimento em cima da ponte'.

Furiatti acrescenta que haverá uma requalificação completa dos espaços hoje usados pelo sistema de travessia. 'Do lado de Guaratuba teremos uma marina, área de convívio, espaços reservados ao setor privado e outros abertos ao público. Enfim, uma revitalização completa em ambos os lados da ponte', diz o secretário.

Modelo de concessão e participação popular

O projeto integra a estratégia estadual de requalificação de áreas públicas e atração de investimentos por meio de concessões. A modelagem é conduzida pela Secretaria do Planejamento, dentro do Programa de Parcerias, com estudos técnicos apresentados por empresas por meio de Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI).

De acordo com o chefe da Unidade Gestora do Programa de Parcerias do Paraná, Luiz Moraes Júnior, a proposta surgiu da necessidade de dar uma nova destinação a uma área estratégica da cidade. Ele explica que, com a construção da ponte, o governo avaliou que o espaço utilizado pelo ferry boat deveria ganhar nova função e que o complexo náutico foi concebido para aproveitar esse potencial.

Moraes Júnior afirma que a iniciativa busca ir além da marina e criar um novo ponto de referência no litoral paranaense. Segundo ele, a ideia é desenvolver uma orla pública com ciclovia, pista de caminhada, espaço pet, além de restaurantes, bares e lojas, em um grande espaço aberto de convivência para moradores e turistas.

O projeto também pretende atender a uma demanda antiga por infraestrutura náutica. Conforme aponta Moraes Júnior, hoje há forte procura por vagas para embarcações e falta estrutura adequada. Na visão dele, o complexo permitirá que moradores e visitantes utilizem melhor a baía de Guaratuba.

Além do uso turístico e comercial, o plano prevê áreas públicas e de apoio a serviços essenciais, como pontos para atuação do Corpo de Bombeiros, acessos específicos para pescadores e moradores, e possibilidade de uso por instituições como a Marinha do Brasil. Haverá ainda espaço para pequenos eventos públicos e privados, com ampla área de livre circulação e integração com a cidade.

Próximas etapas e impacto em Guaratuba

Após a aprovação das diretrizes, o projeto entra agora na fase externa, com abertura de consulta pública e realização de audiência em Guaratuba. As contribuições da população e de investidores interessados ocorrerão ao longo de 30 dias, em paralelo a uma sondagem de mercado.

Depois dessa etapa, o processo passará por autorização legislativa e análise da Procuradoria-Geral do Estado, antes da publicação do edital de concessão, prevista para outubro de 2026. Moraes Júnior resume que o governo entra em uma fase de escuta para consolidar uma versão final mais robusta do projeto.

A administração municipal acompanha o avanço das discussões e avalia o impacto direto na cidade. Segundo o prefeito de Guaratuba, Maurício Lense, o complexo representa uma oportunidade de reutilizar uma região estratégica que perderá sua função original com o fim do ferry boat e do canteiro de obras da ponte.

Para Lense, a iniciativa transforma uma área que ficaria ociosa em um espaço moderno e funcional. Ele destaca que a expectativa da prefeitura é de que o empreendimento ajude a atrair turistas ao longo de todo o ano, movimentando comércio, rede hoteleira e serviços também na baixa temporada, o que pode dar mais estabilidade econômica à população local.