
Paraná e Mato Grosso do Sul recebem anteprojeto de ponte para ligar estados
Foto: Roberto Dziura Jr/AEN
Os governadores Carlos Massa Ratinho Junior (Paraná) e Eduardo Riedel (Mato Grosso do Sul) receberam neste sábado (21), em São Pedro do Paraná, o anteprojeto de uma ligação rodoviária sobre o Rio Paraná entre Porto São José, distrito do município paranaense, e Taquarussu, no estado vizinho, elaborado pela Associação Comercial e Empresarial de Maringá (ACIM).
Com investimento estimado em R$ 1,37 bilhão, a proposta prevê uma travessia de cerca de dois quilômetros e prazo de execução de aproximadamente 48 meses após a ordem de serviço. O projeto é tratado pelos governos como estratégico para integrar Sul e Centro-Oeste, ao criar um novo corredor logístico que deve reduzir em cerca de 100 quilômetros o trajeto de cargas até o Porto de Paranaguá.
Na avaliação de Ratinho Junior, a futura ligação representa "uma transformação da realidade, tanto do Mato Grosso do Sul quanto do Paraná, porque cria uma nova rota de desenvolvimento". Ele ressaltou que a estrutura encurtará em 100 quilômetros o caminho dos caminhões que saem do Mato Grosso do Sul para o Paraná e lembrou que o setor produtivo investiu quase R$ 2 milhões na elaboração do anteprojeto, doado aos estados, que agora devem iniciar os estudos ambientais e o processo de licitação.
Modelo segue experiência da Ponte de Guaratuba
De acordo com o secretário de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, o caminho adotado repete o da Ponte de Guaratuba, no litoral paranaense. Ele explicou que, de seis traçados analisados, um foi selecionado para formar o anteprojeto, que ainda precisa ter aprovados o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), etapa que pode levar cerca de 12 meses, antes da elaboração do projeto executivo e da licitação.
O secretário ressaltou a parceria com o Mato Grosso do Sul e a integração com a malha rodoviária. Segundo ele, a nova travessia se conectará à PR-577, que deve receber ampliação de capacidade e quatro quilômetros de contorno, e à rodovia estadual sul-mato-grossense, além da duplicação prevista da BR-376 entre Paranavaí e Nova Londrina, formando "um grande pacote de investimentos" rumo ao Porto de Paranaguá.
Integração produtiva entre Sul e Centro-Oeste
Para o governador Eduardo Riedel, o empreendimento se soma a um momento favorável vivido pelo Mato Grosso do Sul, especialmente pela cadeia da celulose. Ele afirmou que busca no modelo de cooperativas paranaenses uma referência "para fazer a industrialização da nossa base produtiva" e disse não poder deixar de abraçar o projeto, "sabendo da importância que tem para todos".
Riedel avaliou que a estrutura dará mais competitividade aos empreendedores e terá efeitos em cadeia sobre a economia regional, como serviços, obras, infraestrutura, emprego e renda. Na mesma linha, o secretário das Cidades do Paraná, Guto Silva, definiu a futura ligação como "uma obra emblemática, de integração, de união, de dois estados que crescem muito acima da média nacional" e afirmou que ela deve conectar sistemas produtivos em expansão, gerando "emprego, renda, competitividade e mais dinheiro na bolsa do produtor".
Guto Silva citou ainda obras em cidades da região, em áreas como pavimentação, saúde e educação, ao dizer que "o turista e o desenvolvimento não vêm se não houver estrutura". O prefeito em exercício de São Pedro do Paraná, Celso Serenato, classificou o início da articulação como a realização de "um sonho", com grande impacto para o desenvolvimento local, e afirmou que a ponte vai "alavancar muito mais" a economia da região e "levar o nome do município para todo o Brasil".
Papel da iniciativa privada e obras complementares
Além da travessia sobre o Rio Paraná, o anteprojeto prevê obras complementares para viabilizar o novo eixo de circulação. No lado paranaense, estão previstas a restauração de 19,8 quilômetros da PR-577, com contorno em Porto São José. Em Mato Grosso do Sul, o documento contempla a implantação de 30 quilômetros da MS-473 e a construção de um viaduto de acesso em Taquarussu.
O 2º vice-presidente da ACIM, Rogério Yabiku, relatou que a proposta nasceu de demandas de empresas de diversos setores que buscaram a entidade por sua experiência em planejamento. "Nós capitaneamos o projeto a pedido de representantes de todos os setores, mas foi uma mobilização da sociedade civil organizada e do poder público. Trabalhamos juntos", afirmou, ao destacar que o avanço em logística e economia deve impactar todo o Paraná.
Projeto de nova planta de biodiesel
Durante a mesma cerimônia, o presidente do Conselho de Administração da Cocamar, Luiz Lourenço, entregou ao governador Ratinho Junior o projeto de uma nova planta de biodiesel a ser implantada pela cooperativa. O investimento previsto é de R$ 200 milhões.
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