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Restrição a celular em escola aumenta foco, diz 95% dos docentes

Levantamento do MEC com mais de 8 mil escolas aponta ainda menos conflitos, ansiedade e mais participação dos alunos em sala

3 min

02/07/2026 14:37 • Atualizado há 128 dias

Restrição a celular em escola aumenta foco, diz 95% dos docentes

A restrição do uso de celulares nas escolas melhorou a concentração dos estudantes durante as aulas, apontam 95% dos professores da rede pública, um ano após a entrada em vigor da lei federal que restringe o uso de aparelhos em sala de aula em todo o país.

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Segundo o levantamento, a maioria dos docentes também percebe avanço no desempenho escolar. Para esses professores, sem o celular à mão os alunos se distraem menos com mensagens e redes sociais e conseguem acompanhar melhor as explicações dos conteúdos.

O Ministério da Educação ouviu diretores de mais de 8 mil escolas públicas e particulares em todo o país. Entre eles, 97% avaliam que a restrição ao uso de celulares ampliou a participação dos estudantes nas atividades, 95% acreditam que a socialização melhorou e 88% consideram que a lei ajudou a reduzir conflitos e episódios de cyberbullying.

De acordo com os gestores, a medida também trouxe efeitos positivos para a saúde mental: para 86% dos diretores, a limitação do uso de celulares em sala diminuiu a ansiedade dos alunos.

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Caixas para guardar celulares mudam rotina em sala

Em uma escola visitada pela reportagem, cada sala de aula ganhou uma caixa para que os estudantes guardem o celular antes do início da explicação. O uso do aparelho é proibido desde que a lei federal entrou em vigor, há um ano.

A professora de português Geneci Ribeiro Padilha relata que a mudança ainda enfrenta resistência de parte dos jovens. "Muitos alunos ainda resistem, querem usar o aparelho, mas considero esse um primeiro passo importante", afirma.

Entre os estudantes, a adaptação também levou tempo. "Foi difícil no começo, porque não tivemos um tempo de adaptação", conta o aluno Rômolo Molon. Já o colega Alexandre Franco Toso avalia que "achou a medida válida", enquanto Bianca Rafaely diz que a regra "ajuda a me concentrar melhor".

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Desafios para cumprir a lei e papel da inteligência artificial

Mesmo com os resultados positivos, 39% dos diretores ouvidos relatam que ainda enfrentam dificuldades para convencer os estudantes a cumprir a regra, e 31% afirmam ter problemas para fiscalizar o uso de celulares nas dependências da escola.

Para o pesquisador em liderança educacional Renato Casagrande, a restrição ganha relevância em um cenário de avanço da inteligência artificial. "Se não tivesse proibido, o estudante poderia usar, em sala de aula, as mesmas ferramentas de inteligência artificial que já usa em casa. Assim o professor consegue confrontar o conhecimento que ele traz do celular com o conteúdo da aula", analisa.

Na visão do especialista, a escola não precisa eliminar totalmente a tecnologia, mas definir momentos específicos. "O celular pode ser usado de forma adequada em atividades de pesquisa, desde que haja supervisão do professor", conclui Casagrande.

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