
Governador Carlos Massa Ratinho Júnior participou do evento Paraná Unido pelas Mulheres - As Protagonistas, no Teatro Guaíra.
Foto: Secom
O governador Ratinho Junior (PSD) entra na fase final do mandato no Paraná pressionado pelo desafio de escolher e fortalecer um sucessor ao Palácio Iguaçu nas próximas eleições estaduais, depois de desistir de um projeto presidencial e de acompanhar a movimentação de adversários que buscam ocupar o espaço político no Estado.
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Cenário eleitoral se reorganiza no Estado
Em poucas semanas, o cenário ficou mais definido. Ratinho Junior deixou para trás a pretensão de disputar o Planalto e divulgou nota na qual reafirmou o compromisso com o governo do Paraná, que comanda pelo segundo mandato, enquanto nomes da base e da oposição se movimentam para a disputa do Executivo estadual.
Os senadores Sérgio Moro e Flávio Bolsonaro, que deixaram divergências recentes no passado, acertaram que um atuará como cabo eleitoral do outro no Estado. Enquanto o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro intensifica a presença em eventos com eleitores, o ex-juiz da Lava Jato, agora no PL, ganha espaço contra possíveis nomes apoiados por Ratinho Junior.
Greca entra no páreo e embaralha sucessão
Nesse tabuleiro, o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca trocou de sigla, retornou ao MDB e anunciou que será pré-candidato ao governo. Ele chega à disputa com o patrimônio de uma gestão bem avaliada na capital, o que o coloca como um dos polos de atração do eleitorado paranaense.
Também aparecem no radar o deputado estadual Requião Filho (PDT), que se fortalece no discurso de oposição, e os governistas Guto Silva e Alexandre Curi, ainda à espera da bênção de Ratinho Junior. O desafio do grupo no poder é apresentar um nome de continuidade que vá além da simples repetição do discurso oficial.
História revela dificuldade em fazer sucessor

Jaime Lerner, Roberto Requião, Beto Richa e Ratinho JR
Foto: Arquivo AEN
Desde a redemocratização e das primeiras eleições diretas para o governo do Paraná, apenas um período registrou continuidade do mesmo grupo político por mais de um ciclo. José Richa, Alvaro Dias e Roberto Requião, todos então no PMDB, conseguiram manter o campo peemedebista no comando do Estado por três gestões consecutivas.
Depois disso, Jaime Lerner, o próprio Requião em novo ciclo e Beto Richa foram reeleitos, mas não conseguiram fazer sucessores diretos. Se essa lógica do eleitorado paranaense se repetir, Ratinho Junior tende a enfrentar obstáculos adicionais para transferir votos a um aliado.
Comunicação e imagem pesam no voto
Especialistas em comportamento eleitoral lembram que, além das alianças, fatores como atração e afetividade influenciam a decisão do voto. Em um cenário em que campanhas se baseiam cada vez mais na construção de imagem e no uso intensivo dos meios de comunicação, cresce a cobrança por maior profissionalização técnica da política.
O cientista político Bernard Manin ressalta que "os políticos chegam ao poder por causa de suas aptidões e de sua experiência no uso dos meios de comunicação de massa, não porque estejam próximos ou assemelham-se a seus eleitores".
Nesse contexto, a personalidade dos candidatos e a forma como se expressam podem levar o eleitor a rever escolhas. Ratinho Junior é apontado por aliados como bom comunicador; a incógnita é qual possível sucessor tem a mesma capacidade de falar com o eleitor paranaense.
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