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Tudo que se sabe e o que falta saber sobre a morte de João Gabriel no PR

Menino de 5 anos foi encontrado em biodigestor após três dias de buscas em Araucária; polícia trabalha com hipótese de acidente

Rodrigo Leite
RODRIGO LEITE

28/07/2026 • 19:14 • Atualizado em 30/07/2026 • 09:43

João Gabriel Ferreira dos Santos, de 5 anos, foi encontrado sem vida na tarde desta terça-feira (28), em uma propriedade rural de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba.

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A criança estava desaparecida desde a manhã de domingo (26). O corpo foi localizado dentro de um biodigestor próximo à residência onde João Gabriel estava com a família.

A Polícia Civil do Paraná informou que, até o momento, não foram encontrados indícios de crime. A principal linha de investigação considera a possibilidade de uma morte acidental, mas a conclusão depende dos exames periciais e da continuidade do inquérito.

Veja o que já foi confirmado e quais pontos ainda precisam ser esclarecidos.

O que se sabe sobre o desaparecimento

• João Gabriel desapareceu na manhã de domingo, em uma propriedade rural de Araucária.

• A criança tinha transtorno do espectro autista, nível 2 de suporte, e não possuía comunicação verbal funcional.

• Segundo o relato da família, o menino informou à mãe que iria ao banheiro, localizado na parte externa da propriedade, e não retornou.

• O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná foi acionado no início da tarde e iniciou as buscas na região.

• A operação mobilizou bombeiros, policiais civis e militares, guardas municipais, voluntários e equipes especializadas.

Onde João Gabriel foi encontrado

O menino foi encontrado dentro de um biodigestor, estrutura utilizada em propriedades rurais para tratar resíduos orgânicos, como esterco, restos de alimentos e esgoto.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Paraná, o equipamento ficava a aproximadamente 70 metros da residência. Informações iniciais repassadas no local indicavam uma distância estimada de cerca de 100 metros.

O biodigestor estava coberto por uma lona perfurada e tinha aproximadamente três metros de água contaminada por dejetos de animais.

“Era um local que a gente já tinha plotado no nosso georreferenciamento. A água estava completamente contaminada, impossibilitando o mergulho”, explicou o major Eduardo Hunzicker, do Corpo de Bombeiros.

Por que o local não foi vistoriado antes

O ponto já havia sido identificado durante o planejamento da operação, mas a água contaminada impedia a entrada imediata dos mergulhadores.

Os bombeiros solicitaram ao proprietário da propriedade o uso de um caminhão para retirar a água acumulada.

• O esvaziamento começou no fim da manhã de terça-feira.

• A estrutura tinha cerca de três metros de água.

• O corpo apareceu durante a movimentação e a redução do nível da água.

“Assim que foi liberado o recurso pelo proprietário, a gente começou o esgotamento. Durante o movimento da água, a criança acabou subindo”, afirmou o major.

Segundo o bombeiro, não havia pistas anteriores que apontassem que João Gabriel teria seguido até o biodigestor.

“A gente não tinha nenhum indício de que ele tinha vindo para cá. É uma área cercada, inclusive com um portão pequeno”, disse.

Como foram realizadas as buscas

A operação durou três dias e reuniu cerca de 150 pessoas em determinados momentos.

Entre os recursos utilizados estavam:

• drones com câmeras térmicas;

• cães de busca;

• mergulhadores;

• aeronaves;

• embarcações;

• equipamentos de sonar;

• equipes de busca terrestre e aquática.

As equipes fizeram varreduras em áreas de mata, plantações, açudes, tanques, poços e outros pontos da propriedade e do entorno.

O desaparecimento também foi incluído no Alerta Amber Brasil, ferramenta que divulga informações sobre crianças e adolescentes desaparecidos para usuários de redes sociais próximos ao local do desaparecimento.

Polícia trabalha com hipótese de acidente

A Polícia Científica do Paraná realizou a perícia no local e encaminhou o corpo para exames de necropsia.

O delegado Gabriel Fontana, responsável pelo caso, informou que o inquérito foi instaurado logo após o desaparecimento.

“Neste momento, a investigação não aponta indícios de crime e trabalha, inicialmente, com a hipótese de morte acidental”, afirmou.

Apesar da linha inicial, o delegado ressaltou que todas as circunstâncias serão verificadas.

“Ainda assim, todas as circunstâncias do caso serão apuradas, com a coleta de elementos, depoimentos dos pais, familiares e demais pessoas que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos”, completou.

O que ainda falta saber

A investigação e os exames periciais deverão responder aos seguintes pontos:

• A causa oficial da morte de João Gabriel.

• O horário aproximado em que a criança caiu no biodigestor.

• Como o menino conseguiu acessar a área cercada.

• Se houve alguma circunstância anterior à queda.

• Se a criança morreu por afogamento.

• Se existiam condições de segurança adequadas no entorno da estrutura.

• Se outras pessoas viram o menino após ele deixar a casa.

O laudo da necropsia deverá ser encaminhado à Polícia Civil e utilizado na continuidade das investigações.

Forças de segurança destacam operação integrada

O secretário da Segurança Pública do Paraná, Hudson Leôncio Teixeira, afirmou que todos os recursos disponíveis foram utilizados na tentativa de encontrar João Gabriel.

“Empregamos todos os recursos humanos e operacionais disponíveis das forças de segurança do Estado para tentar encontrar o menino o mais rápido possível”, declarou.

O comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Antonio Geraldo Hiller Lino, também destacou a complexidade da operação.

“Nossos bombeiros empregaram todo o treinamento técnico, a experiência operacional e os recursos especializados disponíveis nas buscas”, afirmou.