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Bariátrica e endometriose: Fabiana Masson mostra o papel da tecnologia

Cirurgiã geral aborda o uso de videolaparoscopia e robótica em procedimentos que exigem avaliação individualizada

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

09/07/2026 • 13:41 • Atualizado em 09/07/2026 • 13:41

Bariátrica e endometriose: Fabiana Masson explica o papel da tecnologia

Bariátrica e endometriose: Fabiana Masson explica o papel da tecnologia

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A evolução das técnicas cirúrgicas tem ampliado as possibilidades de tratamento em diferentes áreas da medicina. Em procedimentos da cirurgia geral, bariátrica e ginecológica, recursos como a videolaparoscopia e a cirurgia robótica permitem abordagens menos invasivas em casos selecionados, com planejamento voltado à segurança, à precisão e à recuperação do paciente.

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Embora a tecnologia tenha ganhado espaço nos centros cirúrgicos, a escolha do método não deve ser tratada como tendência. A indicação depende do diagnóstico, das condições clínicas, dos objetivos do tratamento e da avaliação individual. Para a cirurgiã geral Fabiana Masson, que atua com procedimentos bariátricos e ginecológicos, a tecnologia é uma ferramenta importante, mas não substitui o raciocínio médico, a experiência do cirurgião nem o trabalho da equipe.

“A evolução está presente na cirurgia, mas precisa caminhar junto com responsabilidade. A robótica oferece recursos importantes, porém continua dependendo do cirurgião e de uma equipe bem preparada. Há o auxiliar que posiciona os braços do robô, a instrumentadora que acompanha o funcionamento das pinças e toda uma estrutura para que o procedimento aconteça com segurança. A tecnologia amplia possibilidades, mas não atua sozinha.”

O que muda com a videolaparoscopia e a robótica

Na videolaparoscopia, o procedimento é realizado por pequenas incisões, com auxílio de uma câmera e de instrumentos cirúrgicos. A técnica permite que o cirurgião visualize a área operada em um monitor e trabalhe sem a necessidade de grandes cortes em muitos casos.

Na cirurgia robótica, o cirurgião controla os instrumentos a partir de um console. Os braços robóticos reproduzem os comandos do médico e oferecem maior amplitude de movimento, especialmente em regiões de difícil acesso. A diferença, segundo Fabiana, está principalmente na mobilidade e na capacidade de atuar em espaços anatômicos reduzidos.

“A laparoscopia utiliza pinças rígidas, com movimentos mais limitados. A robótica permite uma articulação mais ampla, com movimento em 360 graus. Em áreas delicadas, essa amplitude pode fazer diferença, porque permite ao cirurgião trabalhar com mais precisão onde o acesso é naturalmente mais restrito.”

A escolha entre uma técnica e outra deve considerar o benefício real para o paciente. Em alguns procedimentos, a videolaparoscopia já oferece uma abordagem adequada. Em outros, a robótica pode trazer vantagens técnicas, especialmente quando há maior complexidade anatômica.

Na ginecologia, dor pélvica e endometriose exigem avaliação cuidadosa

Na cirurgia ginecológica, uma das queixas mais frequentes é a dor pélvica crônica. Algumas pacientes chegam com suspeita ou diagnóstico de endometriose, condição que pode causar dor, alterações intestinais em determinados casos, impacto na fertilidade e prejuízo à qualidade de vida.

O tratamento da endometriose deve ser individualizado. Nem toda paciente precisa de cirurgia como primeira abordagem. A conduta depende dos sintomas, da localização das lesões, da idade, do desejo de engravidar e da resposta ao tratamento clínico. Na prática, essa avaliação também exige escuta: dor persistente, medo de infertilidade e insegurança diante de uma cirurgia costumam chegar ao consultório junto com os exames.

“Hoje existem exames de imagem mais específicos e profissionais capacitados para avaliar melhor a endometriose antes de uma indicação cirúrgica. Em muitos casos, é possível iniciar com tratamento clínico. Quando a cirurgia é indicada, o planejamento precisa considerar os focos da doença, os sintomas, a idade da paciente e o desejo de gestar.”

Quando há indicação cirúrgica, a preservação de estruturas deve ser uma preocupação constante, especialmente em mulheres que desejam engravidar. A tecnologia pode auxiliar em determinados casos, mas a decisão continua dependendo da avaliação médica.

“O objetivo é tratar os focos de endometriose, mas cada paciente tem uma realidade. Quando a mulher ainda deseja engravidar, é necessário tentar preservar ao máximo a fertilidade. Não existe uma única conduta para todas; a indicação precisa respeitar a história, os sintomas e os planos daquela paciente.”

Tecnologia pode auxiliar em áreas delicadas da pelve

A pelve é uma região de espaço anatômico reduzido e com estruturas próximas, o que exige planejamento detalhado. Por isso, em determinados casos ginecológicos, a precisão da técnica pode contribuir para uma abordagem mais cuidadosa.

“Na pelve, a anatomia exige atenção adicional, porque há estruturas muito próximas. Quando bem indicada, a robótica pode favorecer uma abordagem mais precisa e ajudar na preservação de estruturas importantes.”

Ainda assim, Fabiana reforça que nem todo procedimento ginecológico precisa de robótica. A laqueadura, por exemplo, costuma ser realizada por videolaparoscopia, sem necessidade de tecnologia robótica na maior parte dos casos.

“Existem cirurgias em que a videolaparoscopia é suficiente e oferece uma boa abordagem. A laqueadura é um exemplo. Em pacientes clinicamente estáveis e dentro dos critérios adequados, pode ser um procedimento rápido, com possibilidade de alta no mesmo dia. O mais importante é que a decisão respeite a segurança da paciente.”

Bariátrica deve ser vista como tratamento de saúde

Na cirurgia bariátrica, a discussão não se resume à técnica utilizada. A obesidade é uma condição complexa, que pode envolver fatores metabólicos, emocionais, comportamentais e sociais. Por isso, o procedimento não deve ser visto como uma solução estética ou como um atalho para o emagrecimento.

Fabiana explica que a bariátrica pode fazer parte de um tratamento de saúde quando há indicação adequada. A avaliação deve considerar o histórico do paciente, a presença de doenças associadas e o impacto do peso na qualidade de vida. Esse cuidado passa também por compreender a trajetória de quem convive com a obesidade, muitas vezes marcada por tentativas anteriores de emagrecimento, frustrações e vergonha de buscar ajuda.

“A cirurgia bariátrica precisa entrar no momento certo dentro de um processo de cuidado. Durante muito tempo, falou-se muito em perda de peso, mas é importante lembrar o impacto metabólico do procedimento. A obesidade não envolve apenas alimentação; muitas vezes existe uma história, um contexto de vida e comorbidades que precisam ser avaliados.”

O preparo antes da cirurgia é uma etapa essencial. Além dos exames clínicos, o paciente precisa passar por avaliação multidisciplinar. Nutricionista, psicólogo e endocrinologista podem participar do cuidado, de acordo com cada caso.

“O pré-operatório não se limita a exames laboratoriais, eletrocardiograma e risco cirúrgico. O paciente precisa compreender que sua vida vai mudar. A avaliação psicológica, nutricional e clínica ajuda a preparar essa pessoa para uma nova rotina, porque a cirurgia não substitui a mudança de hábitos.”

Pós-operatório exige participação ativa do paciente

Após a cirurgia bariátrica, o acompanhamento permanece fundamental. A alimentação passa por fases, a suplementação deve ser mantida conforme orientação profissional e a rotina precisa ser reorganizada para preservar saúde, massa muscular e qualidade de vida.

Fabiana ressalta que a evolução do paciente não depende apenas da técnica cirúrgica. A adesão às orientações e o acompanhamento com outros profissionais são decisivos para o cuidado após o procedimento.

“O pós-operatório exige participação ativa do paciente. A cirurgia inicia uma etapa importante, mas a manutenção da saúde depende de orientação nutricional, suplementação adequada e acompanhamento regular. A nutrição tem papel central, porque o paciente precisa aprender a se alimentar dentro de uma nova realidade.”

Entre as dúvidas frequentes está o reganho de peso. Segundo a cirurgiã, o tema precisa ser abordado sem julgamento. O aumento de peso após determinado período pode ocorrer por diferentes fatores, mas precisa ser investigado quando ultrapassa o esperado ou vem acompanhado de abandono do acompanhamento.

“Reganho de peso não significa, necessariamente, falha. O corpo passa por adaptações, o metabolismo muda e a rotina do paciente também se transforma ao longo do tempo. O ponto de atenção é entender quando esse ganho ultrapassa o esperado e quais fatores estão envolvidos. Antes de pensar em uma nova cirurgia, é preciso avaliar hábitos, acompanhamento, saúde metabólica e risco-benefício.”

Informação clara ajuda a reduzir medo e falsas expectativas

O medo antes de uma cirurgia é comum, especialmente quando envolve obesidade, dor crônica, fertilidade ou mudanças importantes na rotina. Para Fabiana, a informação clara ajuda o paciente a participar melhor das decisões e a compreender os limites de cada procedimento.

O acesso à internet pode contribuir para que o paciente chegue mais informado, mas também pode aumentar a ansiedade quando o conteúdo não vem de fontes confiáveis ou não considera as particularidades de cada caso. Nesse processo, o atendimento humanizado aparece menos como discurso e mais como prática: explicar, ouvir, alinhar expectativas e reconhecer quando uma conduta precisa ser ajustada.

“A informação está disponível, mas nem sempre chega ao paciente de forma adequada. O que uma pessoa lê pode não corresponder ao que vai acontecer no caso dela. Por isso, é importante explicar riscos, benefícios e limitações com honestidade, para que a expectativa seja real.”

Na avaliação da cirurgiã, a confiança entre médico e paciente é parte fundamental do processo. Mais do que escolher uma tecnologia, é preciso entender por que determinado procedimento foi indicado e quais cuidados serão necessários antes e depois da cirurgia.

“O paciente precisa chegar bem preparado e confiar na relação construída com o médico. Quando essa confiança não existe, mesmo um bom resultado pode não ser percebido de forma satisfatória. A cirurgia exige técnica, mas também exige comunicação clara e responsabilidade nas decisões.”

Quem é Fabiana Masson

Fabiana Masson Nascimento é médica formada pelo Centro Universitário Souza Marques, no Rio de Janeiro. Sua trajetória profissional foi construída a partir da cirurgia geral, área em que aprofundou sua formação pelo Colégio Brasileiro de Cirurgiões, com treinamento no Hospital Israelita Albert Sabin. Ao longo do percurso, também buscou aperfeiçoamento em cirurgia videolaparoscópica pelo Instituto Crispi de Cirurgias Minimamente Invasivas e ampliou sua atuação na cirurgia bariátrica e metabólica por meio de formação pelo IDOR.

Atualmente, atua em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, com foco em cirurgia geral, cirurgia bariátrica e cirurgia ginecológica, incluindo procedimentos por videolaparoscopia e robótica. Em sua prática, valoriza a indicação individualizada, a escuta do paciente e a clareza na comunicação, especialmente em casos que envolvem obesidade, dor pélvica, endometriose e decisões cirúrgicas que exigem preparo antes, durante e depois do procedimento.

CRM: 5295657-0/RJ | RQE Nº: 34580

Instagram: @drafabianamasson

Site: https://www.drafabianamasson.com.br

Foto: Andressa Masson Vieira

Foto: Andressa Masson Vieira