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Caso Berenice: delegado aponta possível participação de outras pessoas

O delegado acrescentou que, diante das evidências reunidas até o momento, a Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o crime não tenha sido praticado por apenas uma pessoa.

REDAÇÃO BAND VALE
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21/07/2026 • 07:51 • Atualizado em 21/07/2026 • 07:51

A investigação sobre a morte da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, ganhou novos desdobramentos após a localização do corpo da vítima em uma área de mata de difícil acesso em Angra dos Reis (RJ). Em entrevista à Band Vale, o delegado da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São Sebastião, Tadeu Ricardo de Castro, afirmou que as apurações seguem em andamento e indicam a possível participação de outras pessoas no crime.

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Segundo o delegado, a Polícia Civil conseguiu reconstituir o trajeto percorrido pela caminhonete da principal suspeita, uma empresária de 46 anos presa temporariamente desde o último dia 10. A investigação utilizou imagens de câmeras de segurança, registros de radares e trabalho de geolocalização para acompanhar os deslocamentos do veículo.

Verificamos por onde o carro passou. O depoimento da investigada afirmava que Berenice estava no veículo e teria sido deixada em Ubatumirim. No entanto, o trabalho de geolocalização e as imagens de câmeras mostraram que o veículo seguiu até o estado do Rio de Janeiro, afirmou o delegado.

De acordo com Tadeu Ricardo de Castro, a caminhonete também passou por perícia e apresentou elementos considerados importantes para o inquérito. Foram identificadas duas perfurações compatíveis com disparos de arma de fogo na lateral do passageiro, além de vestígios de sangue no banco do passageiro. A Polícia Civil aguarda a conclusão dos laudos periciais que irão confirmar a origem do material biológico e auxiliar na dinâmica do crime.

As marcas de tiro na porta do passageiro e os vestígios de sangue ainda dependem dos laudos periciais, mas são elementos que integram a investigação, explicou.

O delegado acrescentou que, diante das evidências reunidas até o momento, a Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o crime não tenha sido praticado por apenas uma pessoa. Há indícios de que outras pessoas possam ter participado da ação, e todas essas circunstâncias estão sendo apuradas para o completo esclarecimento dos fatos.

Localização do corpo

A Polícia Civil confirmou, na manhã deste sábado (18), que o corpo encontrado em uma área de mata de difícil acesso em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, é da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, que estava desaparecida desde o dia 30 de junho, após sair do restaurante onde trabalhava, em Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo.

A identificação foi feita pelo filho da vítima. O corpo foi localizado no fim da tarde de sexta-feira (17), na localidade de Serra d'Água, às margens da Estrada de Lídice, em um trabalho conjunto da Polícia Civil de São Paulo e do 3º Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Segundo a polícia, o cadáver estava preso a uma árvore em um trecho íngreme e de difícil acesso, sendo necessário o apoio do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro para a retirada. De acordo com os investigadores, há indícios de que o corpo tenha sido lançado de um ponto mais elevado da mata. Agora, exames necroscópicos realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro devem ajudar a esclarecer as circunstâncias da morte.

O desaparecimento

Berenice trabalhava como cozinheira em um restaurante e morava em uma pousada no bairro Ubatumirim, em Ubatuba. O desaparecimento foi registrado pelo filho da vítima, que informou à polícia que o último contato com a mãe ocorreu em 29 de junho.

Segundo a investigação, no dia 30 de junho, entre 15h e 16h, Berenice recebeu uma carona da proprietária do estabelecimento onde trabalhava. A empresária afirmou ter deixado a cozinheira no trevo da rodovia, em Ubatumirim. Desde então, ela não foi mais vista.

Prisão da empresária

A principal suspeita do crime é a empresária de 46 anos, presa temporariamente desde o último dia 10 durante a Operação Último Rastro, deflagrada pela Polícia Civil.

Durante o cumprimento dos mandados, policiais apreenderam dois veículos, telefones celulares, um passaporte e três armas de fogo na residência da suspeita. A defesa informou que não irá se manifestar até a conclusão do inquérito.

Segundo a Polícia Civil, a prisão foi decretada após a investigação apontar contradições nos depoimentos da empresária e reunir diversos elementos considerados relevantes para o caso.

Imagens de câmeras de segurança e registros de radares apontam que a caminhonete preta da empresária deixou Ubatuba pela Rodovia Rio-Santos em direção a Paraty (RJ) no dia do desaparecimento da cozinheira. Segundo a investigação, o veículo retornou ao município apenas horas depois, informação que integra o conjunto de provas analisadas pela Polícia Civil

Reprodução

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Dívida trabalhista é apontada como possível motivação

A principal linha de investigação aponta que o crime pode ter sido motivado por um conflito envolvendo o pagamento da rescisão trabalhista da cozinheira. Berenice havia sido dispensada do trabalho devido à baixa temporada e pretendia retornar para sua casa, em Igaratá, assim que recebesse os valores que alegava ter direito.

Em entrevista à Band Vale, o filho da vítima afirmou que a mãe vinha discutindo frequentemente com a empregadora nos dias que antecederam o desaparecimento.

Era de trabalho. Ela morava lá, inclusive pagava por isso. A gente ficou sabendo que elas estavam em discussões nos últimos dias porque minha mãe queria sair e voltar para Igaratá. Minha mãe tem casa em Igaratá.

Ele também relatou que testemunhas presenciaram uma discussão entre as duas no próprio dia do desaparecimento.

A gente descobriu que teve brigas e, no dia do desaparecimento, também teve uma briga bem séria. Pessoas viram. Enfim, e aí aconteceu o que aconteceu.

Reprodução

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Vestígios de sangue no carro

Outro ponto considerado importante pela investigação são os vestígios de sangue encontrados na caminhonete da empresária.

Cães farejadores da Polícia Militar identificaram sinais que levaram os peritos a realizar exames com luminol no veículo. O reagente químico revelou a presença de sangue, com maior concentração no banco do passageiro.

O luminol é utilizado pela Polícia Científica para detectar vestígios de sangue invisíveis a olho nu. Quando entra em contato com resíduos de sangue, o produto emite um brilho azul fluorescente.

Os exames periciais ainda não foram concluídos. Segundo a polícia, os laudos laboratoriais devem confirmar se o material encontrado pertence à vítima.

Itens apreendidos na casa da principal investigada | Créditos: Polícia Civil

Itens apreendidos na casa da principal investigada | Créditos: Polícia Civil

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