
Como a guerra no Oriente Médio pode encarecer alimentos no Vale do Paraíba?
REUTERS/Rami Shlush
Os ataques registrados no Oriente Médio provocaram fortes oscilações nos mercados globais, com impacto direto no preço do petróleo. Nesta segunda-feira (02), o barril chegou a registrar uma alta de até 13%, elevando o sinal de alerta para a economia mundial.
Segundo o jornalista da Rádio Bandeirantes, Luiz Felipe Nunes, especialistas avaliam que, diante do agravamento do cenário, o valor do petróleo pode atingir a marca de US$ 100, após ter sido negociado entre US$ 60 e US$ 70 na semana passada. O aumento está diretamente ligado à instabilidade envolvendo o Irã, um dos maiores produtores e exportadores de petróleo do mundo. Além disso, o país controla o Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula cerca de 20% de todo o petróleo comercializado globalmente, fator que amplia as preocupações com o abastecimento internacional.
As tensões na região também geraram reflexos imediatos no mercado financeiro. Todas as bolsas asiáticas fecharam em queda, refletindo o clima de incerteza e os temores quanto ao aumento dos custos de produção e logística. Para o Brasil, os impactos podem ir além dos combustíveis, afetando o frete interno, o preço dos alimentos e até a política monetária.
O Banco Central brasileiro tem nova reunião marcada para os dias 16 e 17, e o cenário internacional pode influenciar as decisões sobre a taxa de juros, caso a escalada dos preços do petróleo pressione a inflação.
Segundo o economista Wesley Faustino, o reflexo pode ser sentido diretamente no Vale do Paraíba. De acordo com ele, o mercado abriu com o barril do petróleo tipo Brent, referência internacional, cotado em torno de US$ 79, o que aumenta a possibilidade de reajustes internos.
Esse movimento pode impactar o custo do transporte e, consequentemente, o preço dos alimentos. É um efeito em cadeia, explicou.
Por outro lado, o economista destaca que o cenário também apresenta oportunidades. Como o Brasil é exportador de petróleo, a alta nos preços pode resultar em maior arrecadação de royalties, beneficiando investidores e os cofres públicos. “É uma faca de dois gumes: há riscos para o consumidor, mas também potenciais ganhos econômicos”, concluiu.
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