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Corpo, coragem e Carnaval: oito desfiles em sequência

Projeto “No Ritmo Delas” transformou rotina, exigiu disciplina e revelou bastidores pouco conhecidos da avenida

Redação Band Vale
REDAÇÃO BAND VALE

17/02/2026 • 12:40 • Atualizado em 17/02/2026 • 12:40

“Eram apenas 18 minutos para recomeçar”: o desafio de desfilar em oito escolas no Carnaval de SP

“Eram apenas 18 minutos para recomeçar”: o desafio de desfilar em oito escolas no Carnaval de SP

Arquivo pessoal - Thais Dantas

O que começou como um desafio ousado virou uma travessia física e emocional. Durante três meses, as jornalistas Thais Dantas e Leilane Garcia, do projeto No Ritmo Delas decidiram encarar o que muitos consideravam impossível: desfilar nas oito escolas do grupo de acesso do Carnaval de São Paulo.

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Em entrevista ao portal, elas contam como a experiência foi além da festa e se tornou um exercício de resistência, planejamento e parceria feminina. “Não era só vestir fantasia. Era vestir um enredo.”

Como surgiu o desafio de desfilar em oito escolas?

“Eu sempre quis viver o Carnaval de uma forma diferente. Não apenas como cobertura ou participação pontual. Decidi aceitar um desafio que parecia impossível: entrar na avenida oito vezes. O que parecia ousadia virou disciplina. O que parecia loucura virou planejamento. E a minha amiga, Leilane Garcia, jornalista também, topou participar comigo” - conta Thais Dantas.

Segundo ela, a preparação começou três meses antes dos desfiles. A rotina mudou completamente. “Tivemos que ajustar alimentação, intensificar preparo físico, reorganizar agenda, estudar logística. Conversamos com presidentes, nutricionista, professores de academia, de dança, médicos. Fomos em todos os ensaios técnicos das escolas. Cada escola tinha uma história, uma energia própria. Não era apenas vestir uma fantasia: era vestir um enredo.”

A maratona invisível do Carnaval

Se na avenida o público vê brilho e celebração, nos bastidores o cenário é outro.

“O desfile não terminava na dispersão. A gente ainda precisava fazer o retorno por trás do sambódromo e voltar para a concentração. Era um percurso longo, silencioso e cansativo, enquanto o corpo ainda estava cheio de adrenalina.”

O tempo era o nosso maior desafio. “Tínhamos cerca de 18 minutos. Dezoito minutos para tirar um figurino inteiro, organizar o próximo, correr para o banheiro, beber água, respirar, retocar maquiagem, ajustar acessório e reorganizar a mente. Eram 18 minutos para recomeçar e começar uma outra entrega”

Dor, disciplina e estratégia

O desgaste físico foi inevitável, mas calculado. “As dores vieram, claro. Pés castigados, joelhos doendo, músculos pedindo pausa. Mas fomos extremamente cuidadas na alimentação e na hidratação para que nenhuma de nós passasse mal. Foi tudo estratégico.”

Mais do que resistência física, o projeto exigiu preparo mental. “Era preciso manter o foco. A cada nova escola, era como começar do zero, com o mesmo entusiasmo da primeira entrada.”

A força da rede de apoio

Para elas, o projeto só foi possível graças à estrutura que se formou ao redor. “Rede de apoio é quem segura sua bolsa enquanto você troca de figurino correndo. É quem entrega água antes que você peça. É quem avisa o horário, ajusta a roupa, fecha a sandália no pé quando você não consegue alcançar e diz ‘vai dar tempo’ quando você começa a duvidar.”

O aprendizado foi claro: “O No Ritmo Delas provou que mulher, quando decide, faz. Mas quando tem suporte, voa. E eu e Leilane, VOAMOS!”

Parceria além da avenida

A relação entre as duas também foi testada. “A gente se entende no olhar. Às vezes brigamos, discordamos, mas nunca soltamos a mão uma da outra. Ali não era sobre ego, era sobre entrega.”

Foram oito escolas, oito entradas na avenida e oito responsabilidades assumidas com o mesmo comprometimento.

Muito além do Carnaval

Embora tenha nascido dentro da folia, o projeto ganhou outro significado. “Foi sobre disciplina, planejamento, saúde, estratégia, bastidores. Foi jornalismo vivendo a pauta na pele. Somos mulheres com rotina intensa, trabalho, responsabilidades, mas decidimos sair do lugar confortável e provar que ainda podemos mais.”

Ao cruzarem a última linha da dispersão da Escola Independente Tricolor, o sentimento era de encerramento e de continuidade. “Não era só o fim de um desfile. Era o fim de um ciclo que nos deixou mais fortes e mais unidas.”

E deixam uma reflexão: “A avenida ensina que o brilho dura minutos, mas a preparação leva meses. Ensina que ninguém atravessa sozinho. Nada! Ensina que resistência também é alegria.”

O No Ritmo Delas terminou oficialmente na avenida. Mas, como Thais mesmo define, “dentro de mim, ele continua ecoando no ritmo do tambor que lembra: nós fomos, nós fizemos, nós conseguimos.”