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Da batalha ao tratado: a história da Revolução de 1932 no Vale do Paraíba

Da Serra da Mantiqueira a São José dos Campos, cidades da região viveram batalhas e mobilização de tropas de um dos maiores conflitos da história do Brasil.

LUCAS GONÇALVES, REDAÇÃO BAND VALE
LUCAS GONÇALVES, REDAÇÃO BAND VALE

09/07/2026 • 06:30 • Atualizado em 09/07/2026 • 09:42

Memorial da Revolução de 1932 em Cruzeiro

Memorial da Revolução de 1932 em Cruzeiro

Créditos: Matheus Agostinho/Band Vale

Pela posição estratégica entre os estados de São Paulo e Minas Gerais, a região do Vale do Paraíba concentrou movimentações de tropas e batalhas que fizeram do território um dos principais palcos do conflito entre as forças paulistas e o governo provisório de Getúlio Vargas durante a Revolução Constitucionalista de 1932.

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De acordo com o historiador e professor David de Albuquerque, cerca de 35 mil soldados paulistas foram mobilizados durante a revolução. A geografia da região, especialmente na Serra da Mantiqueira, transformou cidades do Vale em pontos estratégicos para o avanço e a defesa das tropas constitucionalistas.

O Vale do Paraíba como um todo foi palco dessa grande guerra civil, porque eram brasileiros lutando contra brasileiros, afirma.

Além da intensa movimentação militar em municípios como Santa Branca, toda a Serra da Mantiqueira foi ocupada durante os confrontos. Cidades como São Bento do Sapucaí também tiveram papel importante na estratégia paulista, com a construção de trincheiras inspiradas nas utilizadas durante a Primeira Guerra Mundial. Parte dessas estruturas ainda está preservada e integra espaços de memória sobre a Revolução Constitucionalista.

Um dos episódios mais marcantes aconteceu nas proximidades do Túnel da Mantiqueira, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais. A passagem ferroviária era considerada estratégica por permitir o deslocamento entre os estados e acabou se tornando palco de uma das batalhas mais longas e violentas da revolução.

A batalha do Túnel da Mantiqueira foi icônica, tanto pela quantidade de mortos quanto pelo tempo que resistiu. Foram cerca de uma semana de confrontos entre as tropas paulistas e as forças do governo federal, explica o historiador.

Embora os números variem entre os estudos, estima-se que centenas de combatentes tenham morrido na região durante os enfrentamentos. Segundo David Albuquerque, o conflito foi um dos mais sangrentos da revolução justamente pela importância estratégica da Serra da Mantiqueira.

túnel da mantiqueira são paulo revolução paulista

Soldados paulistas no Túnel da Mantiqueira. Foto: Reprodução/Memorial da Democracia

Impactos no Vale do Paraíba

Em São José dos Campos, muitos trabalhadores deixaram seus empregos para integrar as tropas constitucionalistas, durante a revolução. Um dos casos mais conhecidos ocorreu na antiga Tecelagem Paraíba.

Com o fim da revolução, diversos funcionários tentaram retornar às suas funções, mas foram demitidos pela empresa. A decisão provocou uma revolta de ex-operários, que invadiram a fábrica e destruíram máquinas antes da chegada das forças policiais.

Segundo o historiador, o episódio evidencia como os reflexos da guerra atingiram não apenas os soldados, mas também a economia e as relações de trabalho nas cidades da região.

Além dos registros históricos, o Vale do Paraíba ainda preserva locais que ajudam a contar essa história. Em São Bento do Sapucaí, antigas trincheiras abertas pelos constitucionalistas permanecem conservadas e fazem parte de um pequeno museu dedicado ao conflito.

cidades com resquícios da revolução de 1932

Trincheiras em Lavrinhas (SP) Foto: Acervo de Memorial da Democracia/Domínio público

Já na capital paulista, o Obelisco do Ibirapuera e o Museu da Santa Casa guardam documentos, uniformes e equipamentos utilizados durante a Revolução Constitucionalista.

"A Revolução Constitucionalista é extremamente importante para a população paulista. Em breve o conflito completa cem anos e continua despertando interesse, principalmente nas regiões onde os combates aconteceram", destaca David Albuquerque.

Embora tenha terminado com a rendição das tropas paulistas em outubro de 1932, a Revolução Constitucionalista pressionou o governo federal a convocar uma Assembleia Constituinte, resultando na Constituição de 1934.