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Revolução de 1932: o que foi e por que é feriado em São Paulo

Data relembra levante armado contra o governo provisório de Getúlio Vargas, que culminou na publicação de uma nova constituição em 1934

José Florentino
JOSÉ FLORENTINO

09/07/2025 • 09:25 • Atualizado em 09/07/2025 • 09:25

Revolução de 1932

Revolução de 1932

Domínio Público/Reprodução

Resumo

Em 9 de julho de 1932, São Paulo se rebelou contra o governo federal. O levante, conhecido como Revolução Constitucionalista, mobilizou milhares de paulistas contra o regime de Getúlio Vargas. A exigência era clara: o fim do governo provisório e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

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O conflito durou quase três meses e, embora tenha terminado com a derrota militar dos paulistas, deixou um legado político duradouro.

O interesse pelo evento reflete essa importância: em São Paulo, as buscas pela Revolução são quase três vezes maiores que no restante do Brasil, segundo dados históricos do Google Trends.

A Sala Digital, parceria entre a Band e o Google, responde a algumas das principais dúvidas dos brasileiros sobre esse episódio histórico.

O que foi a Revolução Constitucionalista de 1932?

O Brasil vivia sob um governo provisório desde a Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder. Vargas governava por decreto, sem uma Constituição que limitasse seus poderes. Para São Paulo, que havia liderado a política nacional na República Velha, a perda de autonomia era inaceitável.

A nomeação de interventores federais, muitos deles de fora do estado e com perfil militar, aprofundou o descontentamento. A elite política e econômica paulista sentiu seu poder esvair-se. A gota d'água foi a demora de Vargas em convocar eleições e restabelecer a ordem constitucional.

A tensão atingiu o auge em 23 de maio de 1932, quando quatro estudantes – Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade – foram assassinados durante uma manifestação contrária ao governo federal em São Paulo.

As iniciais de seus nomes formaram a sigla M.M.D.C., que se tornou um símbolo da causa paulista e a organização civil e militar que articulou os esforços de guerra. Esses jovens são considerados mártires da causa constitucionalista.

Que grupos sociais apoiaram a revolução constitucionalista de 1932?

A causa constitucionalista uniu diferentes setores da sociedade paulista. Industriais, cafeicultores, comerciantes, advogados e estudantes formaram a frente de apoio ao movimento. A campanha "Dê Ouro para o Bem de São Paulo" arrecadou fundos e mobilizou a população.

Milhares de civis se apresentaram como voluntários para lutar, formando batalhões que foram enviados para as frentes de batalha. A propaganda teve um papel central, com cartazes, jornais e transmissões de rádio que exaltavam o heroísmo paulista e defendiam a "causa sagrada" da Constituição.

Onde ocorreu a revolução constitucionalista de 1932?

O confronto começou em 9 de julho e se espalhou rapidamente. As principais frentes de combate se localizaram no Vale do Paraíba, na divisa com o Rio de Janeiro, e nas fronteiras com Minas Gerais e Paraná. As tropas paulistas, embora numerosas, enfrentaram um exército federal melhor equipado e treinado.

São Paulo esperava o apoio de outros estados, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul, mas a ajuda nunca se concretizou de forma efetiva. Isolado, o estado resistiu por 87 dias. Os combates foram intensos, com uso de trincheiras, artilharia e aviação, deixando um saldo de centenas de mortos e feridos.

Como terminou a revolução constitucionalista de 1932?

Em 2 de outubro de 1932, as forças paulistas se renderam. A derrota militar era inegável. O governo federal consolidou seu poder e puniu os líderes do movimento com o exílio. Contudo, a pressão gerada pelo levante surtiu efeito.

No ano seguinte, em 1933, Getúlio Vargas convocou as eleições para a Assembleia Nacional Constituinte. A nova Constituição foi promulgada em 1934, atendendo à principal reivindicação dos paulistas. O documento incorporou avanços, como o voto secreto e o voto feminino.

Se por um lado representou uma derrota no campo de batalha, por outro, a revolução acelerou a reconstitucionalização do Brasil.

Revolução constitucionalista é feriado?

Em São Paulo, a data de 9 de julho foi transformada em feriado estadual, a data magna do estado, para lembrar o sacrifício em nome da lei e da ordem constitucional.

Uma lembrança deste momento é o Obelisco do Ibirapuera, importante parque da capital paulista, que homenageia os mortos de 1932.

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