
Entenda por que Cruzeiro é Capital da Revolução Constitucionalista de 1932
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Entre trincheiras, combates e um acordo que colocou fim à Revolução Constitucionalista de 1932, Cruzeiro entrou para a história do Brasil. Localizada na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, a cidade do Vale do Paraíba teve papel estratégico durante o conflito que mobilizou milhares de paulistas contra o governo provisório de Getúlio Vargas.
Foi em Cruzeiro que, em 2 de outubro de 1932, representantes das tropas paulistas e federais assinaram a Convenção Militar de Cruzeiro, documento que oficializou o encerramento dos confrontos.
A reunião aconteceu em uma tipografia instalada em frente ao então Grupo Escolar Dr. Arnolfo Azevedo, edifício que havia sido transformado em quartel-general durante a guerra. Atualmente, o local corresponde à Praça 9 de Julho, um dos principais marcos históricos do município.
Túnel da Mantiqueira foi cenário de uma das batalhas mais violentas
Durante os quase três meses de conflito, a cidade foi palco de intensos combates, principalmente nas proximidades do Túnel da Mantiqueira, ligação ferroviária entre São Paulo e Minas Gerais que permanece em funcionamento até hoje. Por sua posição geográfica, o local tornou-se um dos pontos mais estratégicos da guerra.
Segundo o historiador e professor David de Albuquerque, foi justamente na região do túnel que aconteceu uma das batalhas mais violentas de toda a Revolução Constitucionalista.
Cruzeiro tem uma forte ligação com os conflitos da Revolução Constitucionalista por causa das batalhas pesadas que aconteceram na região. Estima-se que entre 250 e 270 pessoas morreram apenas nos confrontos do Túnel da Mantiqueira. Os números ainda são imprecisos, mas consideramos que talvez tenha sido a batalha mais dura de toda a revolução, explica.
O pesquisador afirma que a geografia do local favorecia as estratégias militares. Situado na Serra da Mantiqueira, exatamente na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, o túnel era uma passagem obrigatória para o deslocamento das tropas.
Era um ponto estratégico porque permitia controlar o avanço do inimigo. Como é um túnel longo e muito escuro, mesmo durante o dia, havia a possibilidade de encurralar soldados no seu interior, o que tornava os confrontos ainda mais violentos, afirma.

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Mesmo após mais de nove décadas, vestígios do conflito ainda podem ser encontrados nas proximidades do túnel.
Ainda hoje existem pessoas que visitam a região com detectores de metal e encontram objetos que pertenceram aos combatentes. Isso mostra como aquele episódio continua presente na memória e na história de Cruzeiro, destaca o historiador.
Ao longo da Revolução Constitucionalista, estima-se que cerca de 940 pessoas morreram em diferentes frentes de combate. Para David Albuquerque, trata-se de um dos conflitos internos mais marcantes da história brasileira.
É importante lembrar que eram brasileiros combatendo brasileiros. Não era uma guerra entre nações, mas um conflito interno que deixou profundas marcas no Estado de São Paulo e, principalmente, em cidades como Cruzeiro.

Soldados paulistas no Túnel da Mantiqueira. Foto: Reprodução/Memorial da Democracia
Capital da Revolução Constitucionalista de 1932
Desde 2008, Cruzeiro é reconhecida por lei estadual como Capital da Revolução Constitucionalista de 1932. Em abril de 2024, o título também passou a ter reconhecimento nacional após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionar a Lei nº 14.841, aprovada pelo Congresso Nacional, que oficializa o município como Capital da Revolução Constitucionalista de 1932 em todo o país.
A Revolução Constitucionalista começou em 9 de julho de 1932 e foi organizada por forças paulistas que reivindicavam a convocação de uma Assembleia Constituinte, promessa feita por Getúlio Vargas após assumir o governo provisório em 1930. Os confrontos terminaram em 2 de outubro daquele ano. Apesar da derrota militar dos paulistas, o movimento pressionou o governo federal, que convocou eleições para a Assembleia Constituinte. Em 1934, o Brasil ganhou uma nova Constituição.
Memorial da Revolução de 1932
A Prefeitura de Cruzeiro inaugurou o Memorial da Revolução Constitucionalista de 1932, no prédio Dr. Arnolfo de Azevedo, local onde foi assinado o armistício que encerrou o conflito no Vale do Paraíba.
Com mais de 300 itens relacionados à Revolução, o acervo inclui peças de artilharia e infantaria, além de documentos e correspondências originais que pertenceram aos combatentes. Essas cartas são um dos itens mais significativos da coleção, pois são os registros do cotidiano daqueles que lutaram na guerra.
A coleção também destaca a participação civil no movimento constitucionalista durante o governo provisório de Getúlio Vargas, que levou à convocação de uma Assembleia Constituinte e na criação da Constituição de 1934.
A iniciativa é conduzida pela Secretaria Municipal de Cultura em parceria com a Secretaria Municipal de Educação. Com a criação do memorial, Cruzeiro passa a ter um importante acervo sobre a Revolução de 1932 na região, reforçando o papel do município durante o conflito.
Além da preservação da memória, a iniciativa também busca fortalecer o turismo na cidade. O novo espaço amplia o circuito de visitação já existente, e deve atrair estudantes, pesquisadores e visitantes interessados na história do movimento constitucionalista.
Após a inauguração, o Memorial da Revolução de 1932 estará aberto ao público de segunda a sábado, das 9h às 18h, na Avenida Major Novaes, nº 126, no Centro de Cruzeiro.
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