Mesmo com a facilidade do streaming no século XXI, o mercado de discos de vinil, os populares "bolachões", apresenta um vigoroso crescimento anual de 10% a 15%. As feiras especializadas na região tornaram-se pontos de encontro para um público diversificado, que inclui desde famílias completas até jovens da geração digital em busca de uma experiência mais "raiz".
Para Gabriel, de 21 anos, a preferência pelo som analógico é, acima de tudo, uma questão de comprometimento com a audição. Ele explica que o ritual de colocar o disco na vitrola permite captar nuances musicais que passariam despercebidas em uma audição relaxada no formato digital. Esse hobby familiar, herdado do pai, faz com que o jovem valorize o investimento nos discos, mesmo enfrentando o estranhamento de amigos que não compreendem os valores pagos por certas obras.
Nas feiras, o termo "garimpar" é levado ao sentido literal por colecionadores que buscam tesouros entre pilhas de discos de diversos gêneros, com destaque para a crescente procura pela MPB. Os frequentadores buscam as chamadas "pérolas": discos raros, edições limitadas ou obras de épocas que não tiveram relançamento em outros formatos, o que acaba elevando o valor de mercado dessas peças devido à escassez.
Um dos frequentadores mais assíduos da região, André, transformou sua paixão em uma coleção monumental de mais de 7.000 discos. Para ele, o vinil é uma ponte para conexões humanas e artísticas, permitindo que ele se aproxime de músicos para obter autógrafos, acumulando hoje cerca de 600 exemplares assinados.
Para esses entusiastas, o colecionismo vai além do purismo técnico; trata-se de emoção. O momento em que a agulha toca o sulco do disco representa a busca pela sensação de surpresa e o prazer de ouvir uma obra como se fosse a primeira vez
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