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Frederico Homem: novas tecnologias ajudam a tratar arritmias cardíacas

Cardiologista especialista em arritmias explica recursos usados em ablação, marcapasso e estimulação cardíaca

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03/06/2026 • 15:23 • Atualizado em 03/06/2026 • 15:28

Frederico Homem: novas tecnologias ajudam a tratar arritmias cardíacas 

Frederico Homem: novas tecnologias ajudam a tratar arritmias cardíacas 

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

As arritmias cardíacas estão entre as alterações que mais despertam dúvidas e medo nos pacientes. Em muitos casos, o primeiro sinal é a palpitação: a sensação de que o coração acelerou, falhou, bateu fora de compasso ou ficou lento demais. Nem sempre esse sintoma representa gravidade, mas quando aparece de forma persistente, intensa ou associado a tontura, desmaio, falta de ar ou mal-estar, precisa ser investigado.

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O cardiologista Frederico Homem da Silva, especialista em arritmias cardíacas, explica que a arritmia não é uma doença única, mas um grupo amplo de condições que alteram o ritmo natural do coração.

“Arritmia é um termo muito amplo. Existem diversos tipos, e cada uma delas demanda uma abordagem diferente. Qualquer condição que modifique o ritmo cardíaco natural, gerado pelo marcapasso natural do coração, pode ser chamada de arritmia. Ela pode provocar acelerações, que são as taquicardias, desacelerações, que são as bradicardias, ou alterações sustentadas do ritmo, como a fibrilação atrial”, afirma Frederico.

Fibrilação atrial é uma das arritmias que mais preocupam

Entre os diferentes tipos de arritmia, a fibrilação atrial merece atenção especial. Ela ocorre quando os átrios, câmaras superiores do coração, deixam de se contrair de maneira organizada. Com isso, o ritmo cardíaco fica irregular e parte da eficiência do trabalho do coração pode ser comprometida.

A preocupação não está apenas na palpitação. Em alguns pacientes, a fibrilação atrial pode favorecer a formação de coágulos dentro do coração. Caso esses coágulos se desprendam, podem atingir a circulação cerebral e provocar um acidente vascular cerebral.

“A fibrilação atrial gera uma mudança na cadência do ritmo cardíaco. Existe perda da contração atrial, que é importante para a manutenção do trabalho do coração. A partir desse processo, pode ocorrer estase sanguínea, com formação de coágulos. Se esses coágulos se desprendem, podem obstruir pontos da circulação e gerar consequências como o acidente vascular encefálico”, explica o cardiologista.

O desafio é que nem sempre a arritmia apresenta sintomas evidentes. Algumas pessoas sentem o coração bater de forma irregular, percebem aceleração ou desconforto. Outras têm sintomas discretos ou não percebem alteração alguma.

“Muitas vezes, não é incomum o paciente não apresentar sintomas no início ou apresentar sintomas pouco relevantes. Há pessoas que sentem o coração bater de forma inadequada e procuram atendimento. Mas muitos pacientes podem ser assintomáticos ou oligossintomáticos, e por isso as avaliações de rotina têm papel importante”, destaca.

Quem deve ficar mais atento

A fibrilação atrial é mais comum com o avanço da idade, mas não depende apenas do envelhecimento. Hipertensão, diabetes, obesidade, apneia do sono, histórico de infarto, AVC, doença vascular e cardiopatias prévias também estão entre os fatores que podem aumentar o risco.

Por isso, a prevenção passa pelo controle global da saúde cardiovascular. Manter pressão arterial, colesterol e glicemia sob acompanhamento, cuidar do peso, dormir bem e praticar atividade física de forma orientada são medidas que ajudam a proteger o coração.

“A fibrilação atrial se relaciona com fatores de risco cardiovasculares. A idade é um fator importante, assim como hipertensão, diabetes, obesidade, apneia do sono, doença vascular, histórico de AVC ou infarto. As cardiopatias também elevam o risco, porque alterações no próprio coração podem favorecer o aparecimento dessa arritmia”, afirma Frederico.

Ablação: tratamento por cateter pode atuar no foco da arritmia

A evolução tecnológica tem transformado a forma de diagnosticar e tratar arritmias. Uma das possibilidades é a ablação, procedimento minimamente invasivo realizado por meio de cateteres. A técnica permite localizar e tratar regiões responsáveis por determinados tipos de arritmia.

Frederico explica que, em alguns quadros, a ablação pode oferecer controle importante dos sintomas e, dependendo do tipo de arritmia, possibilidade de resolução do problema. A indicação, porém, deve ser sempre individualizada, considerando o diagnóstico, o tipo de arritmia, os riscos, os sintomas e as condições clínicas do paciente.

“A ablação é um procedimento por cateter, minimamente invasivo, sem cortes amplos. Os cateteres são inseridos pelo território venoso, geralmente por uma punção na região da virilha, e levados até o coração. Com essa avaliação, conseguimos diagnosticar a arritmia e estabelecer uma estratégia intervencionista, que consiste em tratar o foco responsável pela alteração do ritmo”, explica.

A técnica é utilizada em diferentes contextos dentro da arritmologia. Em algumas taquicardias supraventriculares, por exemplo, pode ser considerada uma estratégia com alta relevância terapêutica. Na fibrilação atrial, também pode ser indicada em casos selecionados para controle da arritmia, sempre após avaliação especializada.

Mapeamento eletroanatômico aumenta a precisão

Entre as tecnologias citadas por Frederico, o mapeamento eletroanatômico está entre as que mais contribuíram para a precisão dos procedimentos. O recurso permite reconstruir a anatomia do coração e estudar sua atividade elétrica em detalhes, auxiliando o especialista a identificar áreas de cicatriz, falhas de condução e circuitos envolvidos nas arritmias.

Na prática, é como criar um mapa do coração do paciente durante o procedimento. Esse mapa ajuda a orientar a estratégia de tratamento e torna a abordagem mais direcionada.

“Com o mapeamento eletroanatômico, conseguimos reconstruir a anatomia do coração de forma semelhante a uma tomografia, usando os próprios cateteres. Também conseguimos estudar a saúde elétrica daquela cavidade, demonstrando se há áreas de cicatriz ou anormalidades de condução. Isso é muito importante para reconstruir os circuitos das arritmias e direcionar melhor o tratamento por ablação”, detalha o cardiologista.

Campo pulsado é uma nova forma de energia para tratar arritmias

Outra evolução destacada pelo especialista é a energia por campo pulsado. Diferente da radiofrequência, que usa energia térmica convertida em calor na ponta do cateter, o campo pulsado utiliza pulsos elétricos direcionados ao tecido-alvo.

Segundo Frederico, a tecnologia permite uma lesão mais direcionada ao foco arrítmico e pode reduzir o acometimento de estruturas próximas à região tratada. O uso, como em qualquer procedimento, depende da indicação médica e do tipo de arritmia.

“A energia por campo pulsado é uma energia elétrica de alto pulso, direcionada para determinado tecido. Ela faz o tratamento do foco arrítmico de uma forma diferente da radiofrequência, com uma lesão mais definida, mais direcionada ao alvo da arritmia e com menor impacto sobre tecidos próximos, como o esôfago em algumas abordagens no átrio esquerdo”, explica.

O avanço mostra como a arritmologia deixou de depender apenas de medicamentos em determinados cenários e passou a contar com procedimentos cada vez mais precisos. Ainda assim, a escolha entre tratamento clínico, intervencionista ou acompanhamento deve ser feita caso a caso.

Marcapasso deixou de ser sinônimo de limitação

Outro ponto que ainda gera medo é a indicação de marcapasso. Muitos pacientes associam o dispositivo a gravidade extrema, perda de autonomia ou impossibilidade de manter atividades habituais. Frederico afirma que essa percepção não corresponde à realidade atual da estimulação cardíaca.

O marcapasso convencional é usado, em muitos casos, para tratar bradicardias, quando o coração bate devagar demais por alterações no sistema elétrico. O dispositivo ajuda a manter uma frequência adequada, permitindo que o paciente recupere segurança e funcionalidade, conforme sua condição clínica.

“Muitas vezes, os pacientes acham que a vida acabou quando recebem a indicação de um marcapasso. Eu costumo dizer que, em muitos casos, a vida recomeça. Hoje, o implante pode ser feito com uma incisão pequena, os eletrodos são inseridos pelo território vascular, e o paciente geralmente consegue restabelecer suas condições de forma muito próxima ao que tinha antes da comorbidade”, afirma.

O cardiologista ressalta que as restrições dependem mais das doenças associadas do que do dispositivo em si. Por isso, cada paciente precisa de orientação individualizada após o implante.

Marcapasso sem eletrodo e estimulação fisiológica mudam o cenário

A área de dispositivos cardíacos também avançou. Entre as inovações, Frederico destaca o marcapasso sem eletrodo, tecnologia em que o dispositivo é implantado diretamente no músculo cardíaco por meio de acesso vascular, sem o gerador tradicional abaixo da pele e sem eletrodos convencionais.

“O marcapasso sem eletrodo é menor do que uma moeda de um real, não apresenta gerador separado e não utiliza o fio convencional. Ele é inserido diretamente no músculo cardíaco por meio de uma bainha, geralmente pela região da virilha, e consegue realizar a estimulação substituindo o sistema tradicional em casos selecionados”, explica.

Outra evolução é a estimulação fisiológica, que busca estimular diretamente o sistema de condução do coração. A proposta é aproximar o estímulo artificial do funcionamento natural do órgão.

“Na estimulação fisiológica, conseguimos estabelecer o batimento cardíaco com os eletrodos estimulando diretamente o sistema de condução, próximo ao marcapasso natural do coração. Isso gera um padrão diferente do marcapasso convencional, porque busca restabelecer a fisiologia do músculo cardíaco de forma mais próxima do natural”, afirma Frederico.

Essas tecnologias não substituem todas as formas tradicionais de tratamento, mas ampliam as possibilidades para perfis específicos de pacientes. A indicação depende da anatomia, da doença de base, do tipo de alteração elétrica e da avaliação especializada.

Dispositivos também podem tratar arritmias graves

Além do marcapasso convencional, existem dispositivos indicados para situações mais complexas. O cardiodesfibrilador implantável, conhecido como CDI, é usado em pacientes com risco de arritmias ventriculares malignas, que podem acelerar o coração de forma perigosa e levar à parada cardíaca.

Há também versões subcutâneas, em que o eletrodo não ocupa o interior dos vasos sanguíneos. Essa alternativa pode ser considerada em determinados perfis, conforme avaliação médica.

“O cardiodesfibrilador é indicado para o tratamento de arritmias ventriculares malignas, que aceleram o coração e podem levar o paciente a uma parada cardíaca. Em uma das tecnologias mais recentes, o dispositivo subcutâneo permite posicionar o eletrodo fora do território vascular, o que pode preservar os vasos em casos selecionados”, explica.

Também existem ressincronizadores, dispositivos utilizados em alguns quadros de insuficiência cardíaca, quando há indicação para melhorar a coordenação da contração do coração. Mais uma vez, a escolha depende de critérios clínicos específicos.

Tecnologia não substitui avaliação individual

Apesar do avanço das técnicas, a base do cuidado continua sendo a avaliação individual. Sintomas, histórico familiar, doenças associadas, exames, risco cardiovascular e características da arritmia orientam a melhor conduta.

Relógios inteligentes e aplicativos também entraram nesse cenário, principalmente por permitirem registros do ritmo cardíaco no momento dos sintomas. Eles podem ajudar na investigação, mas não devem ser usados como diagnóstico definitivo.

“Com os relógios, a pessoa consegue, em tempo real, fazer um registro eletrocardiográfico e relacionar esse dado ao sintoma daquele momento. Isso aumentou muito a capacidade diagnóstica. Mas esses programas podem falhar, indicando arritmia quando o paciente não está em arritmia ou apontando normalidade quando existe alteração. Por isso, é fundamental procurar avaliação médica especializada”, orienta Frederico.

O futuro do tratamento das arritmias

A arritmologia é uma das áreas mais tecnológicas da cardiologia. Nos últimos anos, os avanços mudaram desde o diagnóstico até os procedimentos intervencionistas e os dispositivos implantáveis. Para Frederico, a velocidade dessa transformação deve continuar aumentando.

“O ganho tecnológico dos últimos anos foi muito grande. Hoje, na minha área, não trabalhamos da mesma forma que trabalhávamos há cinco ou dez anos. Muita coisa mudou e muito rápido. A tendência é que, em poucos anos, novas tecnologias transformem novamente a forma como tratamos as arritmias cardíacas”, avalia.

O principal impacto para o paciente está na possibilidade de diagnósticos mais precisos e tratamentos mais personalizados. Em vez de uma única estratégia para todos, a cardiologia caminha para intervenções definidas de acordo com o tipo de arritmia, a estrutura do coração e o risco individual.

Cuidado começa com informação segura

Palpitações, coração acelerado em repouso, tonturas, desmaios e frequência cardíaca muito baixa não devem ser ignorados. Embora muitos episódios sejam benignos, a investigação adequada permite diferenciar sintomas simples de arritmias que exigem acompanhamento.

As novas tecnologias ampliam as possibilidades de cuidado, mas não eliminam a necessidade de avaliação médica. No tratamento das arritmias, precisão técnica e análise individual caminham juntas para orientar decisões mais seguras.

Quem é Frederico Homem

Frederico Homem da Silva é médico cardiologista, nascido em Uberaba, no Triângulo Mineiro, e radicado em Uberlândia, onde construiu sua trajetória profissional. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal de Uberlândia, instituição onde também realizou residência em Clínica Médica. Depois, seguiu para São Paulo, onde fez residência em Cardiologia e em Arritmologia e Eletrofisiologia pela Universidade Federal de São Paulo, a Escola Paulista de Medicina.

Com atuação voltada ao diagnóstico e tratamento das arritmias cardíacas, Frederico trabalha com eletrofisiologia, ablação e dispositivos cardíacos, como marcapassos, cardiodesfibriladores e ressincronizadores. Também integra a coordenação do serviço de arritmias cardíacas do Hospital de Clínicas de Uberlândia e atua em hospitais da cidade.

Sua prática combina precisão técnica, atualização tecnológica e atenção à escuta do paciente. Para o cardiologista, o cuidado em saúde começa ainda no consultório, quando informação clara, acolhimento e segurança ajudam o paciente a compreender o diagnóstico e participar das decisões sobre o tratamento.

CRM: 48167 | RQE: 34850

Instagram: @drfredericohomem