
Avibras
Roosevelt Cassio/ Sindmetal
A greve dos trabalhadores da Avibras, é considerada uma das mais longas da história recente da categoria metalúrgica e teve início em meio a uma sequência de demissões, atrasos salariais e incertezas financeiras. O movimento, iniciado em 2022, só começou a ser encerrado em 2026, após um acordo para pagamento das dívidas trabalhistas.
Início da crise: demissões em massa
As demissões aconteceram sem negociação prévia com a categoria. Em resposta, o sindicato notificou extrajudicialmente a empresa, pedindo a suspensão imediata dos cortes e a abertura de diálogo. Na época, a Avibras justificou a medida como parte de uma reestruturação, alegando impactos causados pela pandemia da Covid-19.
Ainda em março de 2022, os trabalhadores realizaram as primeiras paralisações. No dia 31, uma greve de 24 horas foi decretada em protesto contra os atrasos salariais e as demissões. Parte dos trabalhadores chegou a acampar em frente à fábrica, exigindo a reversão dos desligamentos.
Em junho daquele ano, uma nova paralisação foi iniciada após denúncias de pagamento parcial dos salários. Segundo o sindicato, trabalhadores com rendimentos acima de R$ 2 mil receberam apenas uma fração dos vencimentos, sem previsão clara para quitação total.
Greve por tempo indeterminado
Além dos salários atrasados, outro fator de preocupação era o fim do layoff de centenas de trabalhadores, o que poderia resultar em novas demissões. O sindicato passou a defender estabilidade para todos e a adoção de medidas para preservação dos postos de trabalho.
A greve se estendeu ao longo dos anos seguintes. Em dezembro de 2024, trabalhadores realizaram um protesto em frente ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro, cobrando apoio do governo federal para viabilizar a retomada da empresa. Na ocasião, os funcionários acumulavam cerca de 20 salários atrasados, evidenciando a gravidade da crise financeira enfrentada pela companhia.

Roosevelt Cassio/ Sindmetal
Três anos de greve e tentativa de recuperação
Em março de 2025, quando a mobilização completou três anos, a empresa ainda enfrentava um cenário delicado. A dívida com os trabalhadores já chegava a 23 salários atrasados, enquanto o processo de recuperação judicial seguia em andamento na Justiça.
Negociações para venda da empresa a investidores estrangeiros e nacionais não avançaram, aumentando a incerteza sobre o futuro da Avibras e de seus funcionários.
Os trabalhadores da Avibras, indústria bélica localizada no Vale do Paraíba, aprovaram uma proposta para retomada da empresa e encerram a greve de 1280 dias. A decisão aconteceu após uma assembleia realizada na noite desta quarta-feira (11), em São José dos Campos.
Com a aprovação, as atividades da principal indústria bélica do país devem ser retomadas em abril, depois de três anos sem produção contínua. A assembleia também coloca fim a 1280 dias de greve, iniciados em 9 de setembro de 2022 contra o atraso no pagamento de salários.
Acordo e fim da greve em 2026
Um desfecho começou a ser construído em março de 2026. A Avibras e o sindicato assinaram um acordo para quitação da dívida trabalhista, estimada em R$ 230 milhões. A proposta, aprovada em assembleia, encerrou uma greve que durou cerca de 1.280 dias. O plano prevê o pagamento dos valores em parcelas entre 12 e 48 vezes, conforme a faixa salarial dos trabalhadores.
Além disso, foi definido um processo de reestruturação com demissão dos funcionários ainda registrados, seguida da recontratação gradual de parte deles. A previsão é que a empresa retome as atividades até o fim de abril, com a chamada inicial de 210 trabalhadores e novas contratações a partir de junho.
Ao todo, cerca de 1.400 pessoas têm valores a receber.
A greve da Avibras entrou para a história como uma das mais extensas da categoria metalúrgica no Brasil, marcada por anos de incertezas, mobilizações e negociações. O movimento teve início com demissões em massa e culminou em um acordo que busca garantir o pagamento dos trabalhadores e a sobrevivência da empresa.
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