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Marcelle Lessa alerta: medo da mamografia ainda atrasa a prevenção

Ginecologista e mastologista explica sinais nas mamas, rastreamento e por que adiar exames pode dificultar o cuidado

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01/06/2026 • 20:19 • Atualizado em 01/06/2026 • 20:19

Marcelle Lessa alerta: medo da mamografia ainda atrasa a prevenção

Marcelle Lessa alerta: medo da mamografia ainda atrasa a prevenção

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

A mamografia ainda é um dos exames que mais geram ansiedade entre mulheres. O medo da dor, do resultado e da investigação pode fazer com que consultas e exames importantes sejam adiados. Para a ginecologista e mastologista Marcelle Lessa, esse receio ainda representa uma barreira para a prevenção mamária.

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Embora a mastologia seja frequentemente associada ao câncer de mama, a especialidade também tem papel importante na avaliação de risco, na orientação sobre exames e no acompanhamento individualizado da saúde das mamas.

“A mastologia sempre esteve muito ligada ao câncer de mama no imaginário das mulheres. Muitas pensam que só devem procurar a mastologista quando já existe um diagnóstico. Mas o acompanhamento também serve para avaliar risco, entender o histórico da paciente e definir quais exames fazem sentido para cada caso.”

Mastologia também é prevenção

Segundo Marcelle, a ginecologista costuma ser a primeira médica de referência para muitas mulheres, especialmente por acompanhar diferentes fases da vida feminina. Já a avaliação mastológica permite um olhar mais específico sobre as mamas. Esse acompanhamento pode ajudar a identificar se a paciente apresenta baixo ou alto risco e quais exames são mais adequados para sua realidade.

“A ginecologista costuma ser uma das primeiras referências da mulher no cuidado com a saúde e solicita exames de rastreio. Mas a mama exige uma avaliação própria. Em uma consulta com a mastologista, conseguimos entender se aquela paciente tem baixo ou alto risco e, a partir disso, orientar melhor o acompanhamento.”

A especialista ressalta que procurar atendimento não deve ser entendido como sinal de doença, mas como parte de uma rotina de cuidado. A prevenção envolve tanto hábitos de vida quanto exames indicados conforme idade, histórico familiar e avaliação clínica.

Sinais nas mamas que merecem atenção

Dor, coceira, alteração no formato da mama, mudança na pele, nódulos ou qualquer diferença percebida pela mulher devem ser avaliados. Nem toda dor mamária indica câncer, mas sintomas persistentes não devem ser normalizados.

“Dor na mama não significa, necessariamente, câncer. Pode ser uma alteração benigna, como um cisto, mas também pode exigir investigação. O mais importante é não normalizar sintomas persistentes. Se a mulher percebe uma diferença na própria mama, deve procurar avaliação, porque ela conhece o corpo que vê todos os dias.”

Para Marcelle, o conhecimento do próprio corpo é uma ferramenta importante de prevenção. Ainda assim, muitas mulheres têm dificuldade de observar e tocar as próprias mamas, seja por questões culturais, religiosas, educacionais ou experiências pessoais.

“Ainda existe tabu. Algumas mulheres têm dificuldade de se tocar, de observar a mama e de falar sobre o próprio corpo. Isso não depende apenas de informação; envolve cultura, educação e experiências pessoais. Na consulta, muitas vezes é preciso desconstruir uma barreira que existe há anos.”

Por que a mamografia ainda é importante

A mamografia segue como um dos principais exames de rastreamento porque permite identificar calcificações, alterações que nem sempre são vistas da mesma forma em outros métodos de imagem, como ultrassonografia e ressonância magnética.

Apesar disso, o exame ainda é cercado de receios. O desconforto durante a compressão das mamas e a expectativa pelo resultado podem aumentar a ansiedade. Segundo a mastologista, em muitos casos, o medo é maior antes da primeira realização.

“A mamografia gera um estresse importante em muitas mulheres. Existe a expectativa de dor, o receio do aparelho e a ansiedade pelo resultado. Mas, depois que fazem o exame pela primeira vez, muitas percebem que não era tão ruim quanto imaginavam.”

Quando a mulher ainda menstrua e consegue escolher a data do exame, realizar a mamografia logo após a menstruação pode reduzir a sensibilidade mamária. A orientação, no entanto, depende da disponibilidade de agendamento e da realidade de cada paciente.

“Quando a mulher ainda menstrua e consegue escolher a data, o ideal é tentar fazer a mamografia logo após a menstruação, quando a mama tende a estar menos sensível. Isso pode diminuir o desconforto, mas nem sempre é possível controlar o agendamento, especialmente em alguns contextos de atendimento.”

Prótese de silicone muda a técnica do exame?

Mulheres com prótese de silicone também podem realizar mamografia, mas a técnica é diferente. Nesses casos, são feitas imagens adicionais para permitir melhor visualização do tecido mamário.

Marcelle explica que o implante não elimina a necessidade de rastreamento. A diferença está na forma como o exame é conduzido.

“Quem tem prótese faz uma mamografia com técnica diferente. São imagens adicionais, primeiro com a prótese e depois com a prótese deslocada, para que seja possível visualizar melhor a mama. O exame muda, mas continua sendo necessário quando há indicação.”

A especialista reforça que ultrassonografia e ressonância magnética podem ser utilizadas em situações específicas, mas não substituem automaticamente a mamografia no rastreamento.

“A mamografia permanece no rastreamento porque identifica calcificações. A ultrassonografia e a ressonância têm papéis importantes, mas não resolvem tudo. Enquanto esse ponto não for substituído por outro método, a mamografia continua tendo uma função essencial.”

Medo do diagnóstico também pesa

Além do medo da dor, existe o receio de encontrar uma alteração. Quando um exame de imagem aponta suspeita, a paciente pode precisar passar por biópsia e aguardar novos resultados. Esse intervalo costuma ser emocionalmente difícil.

Marcelle afirma que a comunicação clara é parte essencial do cuidado. A paciente precisa compreender que existem diferentes tipos de câncer de mama e que a conduta depende de uma avaliação detalhada.

“Quando existe suspeita, a biópsia é uma etapa importante. Ela pode gerar desconforto físico e também uma dor emocional, porque a mulher passa a esperar um resultado. Se o câncer é confirmado, ainda é preciso entender qual é o tipo, porque isso influencia o caminho do tratamento.”

Quando o tratamento é necessário, a condução pode envolver uma equipe multidisciplinar. A mastologista atua principalmente na parte cirúrgica, enquanto oncologistas e radioterapeutas podem participar conforme a indicação clínica.

“O câncer de mama não é tratado por uma única especialidade. A mastologista atua na parte cirúrgica, mas a oncologia e, em alguns casos, a radioterapia também podem participar. É uma condução que precisa ser integrada e definida de acordo com cada paciente.”

Cirurgias menos agressivas quando há indicação

Na abordagem cirúrgica do câncer de mama, um conceito cada vez mais presente é o descalonamento. O termo se refere à possibilidade de reduzir a extensão da cirurgia em determinados casos, sempre que houver segurança e indicação adequada.

“A palavra de ordem na mastologia hoje é descalonar. Isso significa fazer menos cirurgia quando é possível, com menos agressividade. O câncer de mama envolve a mama e a axila, e hoje se discute como tratar essas regiões de forma mais individualizada.”

A indicação depende do tipo de tumor, dos exames, da resposta ao tratamento e da avaliação de cada paciente. Por isso, a conduta deve ser individualizada.

Prevenção não é procurar doença

Para Marcelle, um dos equívocos que ainda afastam mulheres dos exames é a ideia de que investigar significa procurar uma doença. A especialista defende que a prevenção deve ser entendida como cuidado e não como antecipação de um problema.

“O exame existe para ajudar. A ideia não é procurar uma doença a qualquer custo, mas identificar alterações no momento certo. Quando a mulher decide cuidar de si, marcar consulta e fazer os exames indicados para a idade dela, isso é prevenção.”

A médica também diferencia prevenção primária e secundária. A primeira envolve cuidados iniciais, como alimentação, atividade física e atenção contínua à saúde. A segunda inclui exames capazes de identificar alterações precocemente.

“A prevenção primária começa antes da doença, com cuidados iniciais, como nutrição e atividade física. Depois entram os exames, que fazem parte da prevenção secundária. O objetivo não é chegar tarde ao diagnóstico, mas ajudar antes.”

Quem é Marcelle Lessa

Marcelle Lessa é médica ginecologista e mastologista, com atuação voltada ao cuidado da mulher em diferentes fases da vida. Formada em Medicina pela Universidade Federal Fluminense, fez residência em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital Federal Cardoso Fontes e residência em Ultrassonografia em Ginecologia e Obstetrícia (R4) na UERJ. Também possui Certificado de Atuação em Mamografia pelo CBR, Colégio Brasileiro de Radiologia.

Ao longo da carreira, aproximou sua prática da mastologia, área em que atua especialmente no acompanhamento da saúde das mamas, prevenção mamária, avaliação de risco e condução cirúrgica quando há indicação. Sua trajetória também reúne experiência no atendimento ginecológico, na obstetrícia e no cuidado individualizado, com atenção à escuta da paciente, à clareza nas orientações e à construção de uma relação mais humanizada no consultório.

CRM: 5292319-2/RJ | RQE Nº: 23806 | RQE Nº: 25279 | RQE Nº: 42208

Instagram: @dramarcellelessa