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Residência Olivo Gomes recebe exposição do Museu da Casa Brasileira

Patrimônio histórico de São José dos Campos, a residência pertenceu ao empresário Olivo Gomes, diretor da fábrica Tecelagem Parahyba; a inauguração para o público será às 14h, no Parque da Cidade

Redação Band Vale
REDAÇÃO BAND VALE

27/06/2026 • 11:58 • Atualizado em 27/06/2026 • 14:09

Fachada da Residência Olivo Gomes, que passa a abrigar exposição do Museu da Casa Brasileira

Fachada da Residência Olivo Gomes, que passa a abrigar exposição do Museu da Casa Brasileira

Reprodução ArquivoArq | Nelson Kon

A histórica Residência Olivo Gomes, localizada no Parque da Cidade Roberto Burle Marx, em São José dos Campos, ganha um novo propósito neste sábado (27): a casa passa a abrigar parte do acervo e das atividades do Museu da Casa Brasileira, um dos mais importantes espaços dedicados à preservação da arquitetura, do design e da cultura material do país.

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A inauguração recebe a exposição Sob a casa, outras casas, com curadoria de Giancarlo Latorraca, Isabel Xavier e Guilherme Wisnik, que retrata a pluralidade da casa brasileira ao destacar moradias indígenas, rurais, ribeirinhas, sertanejas e periféricas.

Para Malu Gomes, neta do empresário Olivo Gomes e membra da Associação do Parque Burle Marx, a transferência da sede do Museu é um ganho para a cidade, para o Parque e para a residência, que passa a ter um uso apropriado. “É importante que a residência seja frequentada pelo público, porque patrimônios tombados inutilizados não são preservados, eles se deterioram”, afirma.

Inauguração do Museu da Casa Brasileira em SJCampos. Créditos: Poliana Presses | Repórter Band Vale

Inauguração do Museu da Casa Brasileira em SJCampos. Créditos: Poliana Presses | Repórter Band Vale

Quem foi Olivo Gomes

Olivo Gomes nasceu em Niterói-RJ em 1882. Foi diretor e proprietário da antiga fábrica de cobertores e tecidos Tecelagem Parahyba, localizada na Fazenda Santana do Rio Abaixo, Zona Norte de São José dos Campos.

No início dos anos 1930, Olivo Gomes adquiriu e expandiu as operações da fábrica. Com sua chegada à empresa, a família do diretor mudou-se de São Paulo para São José; o seu novo endereço passou a ser uma pequena casa nas dependências da Tecelagem — que hoje abriga o Museu do Folclore de São José dos Campos.

O professor e historiador David de Albuquerque explica que o empresário trouxe uma nova forma de organizar a empresa, que passou a contar com uma vila de operários, escola, consultório médico, galpões, mercado, entre outras instalações, criando “uma cidade dentro da cidade”.

A Residência Olivo Gomes

Créditos: Reprodução ArquivoArq. | Nelson Kon

Créditos: Reprodução ArquivoArq. | Nelson Kon

Na década de 1940, com a empresa consolidada no ramo têxtil e no meio agropecuário, Olivo deixou seu filho Clemente Gomes encarregado de administrar a construção da nova morada da família, também no terreno da fábrica.

“Para isso, Clemente conseguiu associar os arquitetos Rino Levi e Roberto Cerqueira César, e o paisagista Roberto Burle Marx, para projetarem a nova residência, para onde a família se mudou no início dos anos 50”, conta o historiador.

Projeto de casa de fazenda em São José dos Campos. Créditos: Reprodução ArquivoArq. | Nelson Kon

Projeto de casa de fazenda em São José dos Campos. Créditos: Reprodução ArquivoArq. | Nelson Kon

A casa se desenvolve praticamente em um só pavimento, térreo na sua fachada de acesso e em balanço na sua fachada principal. O pavimento inferior é um alpendre de pilares cilíndricos de concreto aparente, um traço estético constante no modernismo.

O projeto é simples e amplo, contando com oito dormitórios, 4 banheiros, escritório, salão de jogos, piscina, garagem coberta, e área de serviço com dormitórios para funcionários.

A residência apresenta elementos característicos do modernismo brasileiro: blocos bem delimitados, janelas de vidro protegidas por grandes beirais, terraço, escada caracol com degraus suspensos, painéis cerâmicos e jardins que conectam a construção com a natureza ao redor.

David explica que o jardim da residência, contudo, é o protagonista do projeto. “Desenhado por Roberto Burle Marx, que também teve dois painéis autorais em mosaico incorporados à obra, o jardim conta com espécies da flora nacional e com dois lagos artificiais que equilibram a paisagem”.

Créditos: Reprodução ArquivoArq. | Nelson Kon

Créditos: Reprodução ArquivoArq. | Nelson Kon

A casa é um patrimônio tombado pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo), pelo COMPHAC (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico, Paisagístico e Cultural de São José dos Campos) e pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, vinculado ao Ministério da Cultura).

Inauguração

Segundo a secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, Marília Marton, a cidade de São José dos Campos foi escolhida por sua importância cultural e pela ligação entre o museu e a Residência Olivo Gomes.

“O Museu da Casa Brasileira é uma joia do nosso estado. Trazer esse acervo para a Residência Olivo Gomes, que por si só já é um ícone do modernismo, é um encontro perfeito. É valorizar a nossa identidade cultural e a história de como o brasileiro vive, afirmou.”

A abertura para imprensa e convidados está prevista para às 10h30, enquanto o público poderá visitar a exposição a partir das 14h. A mostra propõe uma reflexão sobre arquitetura, design e as diferentes formas de habitar os espaços ao longo do tempo.

Serviço

  • Parque da Cidade - Av. Olivo Gomes, 100 - São José dos Campos, SP
  • Abertura: 27/06, sábado, às 14h
  • Previsão de 1 ano de exposição
  • Visitação de quinta a domingo, das 10h às 17h
  • Entrada gratuita

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