Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, deixou a Penitenciária 2 de Potim, por volta das 11h30 desta sexta-feira (6), com destino ao aeroporto de São José dos Campos. O empresário será transferido ainda nesta sexta, para a Penitenciária Federal em Brasília.
Vorcaro saiu da P2 em uma viatura da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), acompanhado por duas viaturas da Polícia Penal e uma da SAP. No aeroporto, a Polícia Federal irá assumir e realizar o translado de São José dos Campos para Brasília.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (5) a imediata transferência do empresário. A medida atende a uma representação da Polícia Federal, que aponta a necessidade de um regime de segurança mais rigoroso para o dono do banco Master.
Segundo a decisão, a permanência de Vorcaro em um presídio estadual em São Paulo representava riscos à segurança pública e à eficácia das investigações. A Polícia Federal argumentou que o investigado possui "significativa capacidade de articulação e influência" sobre diversos atores nos setores público e privado.

Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e seu cunhado, Fabiano Zettel, chegaram à Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo, na manhã desta quinta-feira (5). A transferência aconteceu após decisão judicial que manteve, em audiência de custódia, as quatro prisões relacionadas ao caso.
Vorcaro, voltou a ser preso durante a terceira fase da operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (4). A prisão do banqueiro foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A operação Compliance Zero apura a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa.
Quem é Daniel Vorcaro
Daniel Bueno Vorcaro, que nasceu em 6 de outubro de 1983, em Belo Horizonte (MG), pertence a uma geração de empreendedores que ampliou sua atuação para setores financeiros, tecnológicos e corporativos.
Formado em Economia, com MBA em Finanças pelo IBMEC de Belo Horizonte, Vorcaro construiu sua trajetória profissional atuando em diferentes negócios e investimentos antes de assumir posições de destaque no sistema financeiro. Essa experiência prévia o preparou para liderar operações de maior porte e complexidade.
Daniel Vorcaro é presidente do Banco Master, instituição financeira que ganhou projeção no mercado brasileiro após um processo de reestruturação iniciado em 2018.
Na época, ele conduziu a transição do Master para o formato atual, com nova identidade, foco estratégico e expansão de produtos e serviços. Sob sua gestão, o Master passou a investir em governança ativa, tecnologia e crédito, buscando posicionar-se entre os bancos de maior crescimento do país.
Operação Compliance Zero
Em novembro, o ex-presidente do BRB e Daniel Vorcaro foram alvos da primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga a concessão de créditos falsos. As fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões em títulos forjados.
Em março de 2025, o BRB anunciou a intenção de comprar o Master por R$ 2 bilhões, mas o Banco Central (BC) rejeitou a negociação. Em novembro, foi decretada a falência da instituição de Vorcaro.
As investigações começaram em 2024, depois que o Ministério Público Federal requisitou que se investigasse a possível fabricação de carteiras de crédito falsas por uma instituição financeira.
Esses títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada, informou a PF na ocasião.
Vorcaro foi detido um dia após a Fictor Holding Financeira ter anunciado que compraria o Master.
Na segunda fase da operação, deflagrada em janeiro, a Polícia Federal cumpriu 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Também houve medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que ultrapassam os R$ 5,7 bilhões.
A operação tem como objetivo interromper a atuação da organização criminosa, além de recuperar ativos.

