
Willian Teruo fala sobre dor, fertilidade e endometriose
TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
Durante anos, muitas mulheres aprendem a conviver com dores intensas como se elas fizessem parte da rotina. Cólicas incapacitantes, desconfortos pélvicos persistentes, dor durante a relação sexual e dificuldade para engravidar, porém, não devem ser naturalizados. Em alguns casos, esses sinais podem estar relacionados à endometriose, doença ginecológica que ainda costuma ter diagnóstico tardio e pode afetar a qualidade de vida, a fertilidade e as relações pessoais.
Segundo o ginecologista e obstetra Willian Teruo, de Curitiba, um dos principais desafios é romper o ciclo de normalização da dor. A endometriose pode se manifestar de maneiras diferentes em cada paciente, o que exige avaliação individualizada, escuta clínica e investigação adequada.
“A endometriose é uma doença muito heterogênea, tanto na apresentação dos sintomas quanto no aspecto das lesões. Uma mulher pode ter dor durante a relação sexual, outra pode apresentar dificuldade para engravidar e outra pode não ter nenhum sintoma. Por isso, o tratamento precisa ser pensado de forma individualizada, de acordo com a queixa, o momento de vida e as necessidades de cada paciente”, explica Willian Teruo.
Dor forte não deve ser tratada como rotina
A dor menstrual intensa é uma das manifestações mais conhecidas da endometriose, mas não é a única. Dor pélvica crônica, dor para evacuar, dor para urinar, dor na relação sexual e dificuldade para engravidar também podem fazer parte do quadro.
O problema é que muitas pacientes passam anos ouvindo que esses sintomas são esperados. Essa percepção pode atrasar a busca por atendimento e prolongar impactos físicos, emocionais e sociais.
“O principal erro é tratar esses sintomas como normais. Muitas pacientes ouvem desde cedo que cólica forte faz parte, que dor é algo esperado, e acabam se acostumando a viver assim. Quando a dor interfere na escola, no trabalho, nos compromissos ou na vida íntima, ela precisa ser valorizada e investigada”, afirma o ginecologista.
Diagnóstico tardio ainda é um desafio
A endometriose pode levar anos para ser identificada. Para Willian Teruo, mudar esse cenário depende de mais informação para as pacientes e de maior preparo dos profissionais de saúde para reconhecer sinais da doença em diferentes fases.
A intensidade da dor, sozinha, não define a gravidade do quadro. Há mulheres com muitas lesões e poucos sintomas, assim como há pacientes com lesões menores e dor importante. Por isso, a investigação deve considerar sintomas, exames, histórico clínico e impacto da doença na rotina.
“O diagnóstico passa pelo treinamento médico e pela capacidade de reconhecer que essa é uma doença prevalente. Muitas mulheres só descobrem a endometriose depois de anos convivendo com dor ou dificuldade para engravidar. Quanto antes houver suspeita e investigação adequada, maiores são as chances de iniciar uma condução mais coerente com o quadro da paciente”, diz.
Fertilidade exige planejamento individual
A endometriose pode estar relacionada à dificuldade para engravidar, embora isso não signifique infertilidade em todos os casos. A conduta depende da idade da paciente, do tempo de tentativa de gestação, da reserva ovariana, da localização das lesões, da intensidade dos sintomas e do desejo reprodutivo.
Em alguns quadros, a cirurgia pode fazer parte da estratégia. Em outros, pode ser necessário acompanhamento conjunto com especialistas em reprodução humana e outras áreas do cuidado. O ponto central, segundo o médico, é não padronizar decisões.
“O tratamento voltado à fertilidade deve ser construído em equipe. Não envolve apenas o cirurgião, existe toda uma equipe multidisciplinar como nutricionista, especialista em reprodução humana, psicologia entre outros. É preciso entender se a paciente quer engravidar agora, se deseja preservar fertilidade para o futuro, se tem dor importante ou se há lesões que possam interferir no planejamento. Essas decisões precisam ser individualizadas para otimizar o tratamento”, pontua.
Tratamento pode envolver várias frentes
O tratamento da endometriose depende do quadro clínico e pode incluir medicamentos, mudanças de rotina, atividade física, alimentação, fisioterapia pélvica, acupuntura, acompanhamento multiprofissional e, em alguns casos, cirurgia.
Willian Teruo reforça que a decisão deve levar em conta o momento de vida da paciente. Uma mulher que deseja engravidar em curto prazo pode ter uma estratégia diferente daquela que não pretende gestar ou que busca preservar fertilidade para o futuro.
“Não adianta oferecer uma cirurgia sem entender o momento de vida da paciente. É preciso saber se ela quer engravidar agora, se pretende tentar de forma natural, se deseja preservar fertilidade ou se a principal queixa é dor. Esse acolhimento muda o planejamento e ajuda a escolher a melhor conduta para cada caso”, explica o ginecologista.
Quando a cirurgia entra no cuidado
A cirurgia pode ser indicada em alguns casos de endometriose, especialmente quando há dor importante, comprometimento de órgãos próximos, lesões específicas ou impacto na fertilidade. A indicação, no entanto, depende de avaliação individual e planejamento cuidadoso.
O procedimento pode ser realizado por técnicas minimamente invasivas, como a videolaparoscopia e a cirurgia robótica. Mesmo com exames de imagem, alguns detalhes sobre a extensão da doença só são confirmados durante o ato cirúrgico.
“A cirurgia de endometriose pode ser rápida, mas também pode ser complexa. Apesar de os exames ajudarem a prever a localização das lesões, é durante o procedimento que se confirma a extensão do quadro. Por isso, a equipe precisa estar preparada, seja por laparoscopia, seja por cirurgia robótica, para conduzir o caso com segurança”, afirma.
O médico também destaca que a cirurgia não encerra necessariamente o tratamento. A endometriose pode exigir acompanhamento de longo prazo, com controle de sintomas, ajustes de rotina e atenção contínua à qualidade de vida.
“Quando existe indicação cirúrgica, a cirurgia pode ajudar no controle dos sintomas e na melhora da qualidade de vida. Mas ela não encerra o tratamento. A endometriose exige acompanhamento de longo prazo, porque outras frentes de cuidado também precisam ser ajustadas para que a paciente tenha uma condução mais completa”, explica.
Tecnologia na cirurgia ginecológica
A cirurgia minimamente invasiva tem ampliado as possibilidades no tratamento de doenças ginecológicas benignas, como endometriose e miomas. Na videolaparoscopia, o procedimento é realizado por pequenas incisões no abdômen, com uso de câmera e instrumentos específicos. Na cirurgia robótica, o cirurgião permanece na sala e controla uma plataforma com braços robóticos, que reproduzem seus movimentos com maior estabilidade.
A tecnologia não substitui a indicação médica nem a experiência da equipe, mas pode auxiliar em casos mais desafiadores, especialmente quando há necessidade de maior precisão em regiões delicadas.
“A cirurgia robótica não significa que um robô opera sozinho. O cirurgião está na mesma sala cirúrgica e controla os braços da plataforma. A diferença está na precisão, na estabilidade da câmera e na amplitude de movimento das pinças, que podem facilitar o acesso a áreas mais delicadas”, esclarece Willian Teruo.
Segundo o ginecologista, a robótica pode ser uma alternativa em diferentes cirurgias ginecológicas, mas a escolha da técnica precisa considerar o quadro clínico, a segurança da paciente, a estrutura disponível e o preparo da equipe.
“A robótica pode tornar casos desafiadores menos complexos do ponto de vista técnico. Ela oferece precisão, visão ampliada e movimentos que, em algumas situações, facilitam a cirurgia. Mas a escolha da via cirúrgica precisa considerar a indicação correta, a segurança da paciente e o planejamento individual”, afirma.
Recuperação depende da complexidade do caso
Uma das possíveis vantagens das técnicas minimamente invasivas é a recuperação mais rápida em comparação com cirurgias abertas, em determinados casos. Ainda assim, o tempo de recuperação varia conforme a extensão das lesões, os órgãos envolvidos e as condições clínicas da paciente antes do procedimento.
Em casos de endometriose com acometimento intestinal, urinário ou de outras estruturas, o cuidado pós-operatório pode ser mais prolongado. Por isso, o planejamento antes da cirurgia e o acompanhamento depois do procedimento são etapas importantes.
“A recuperação depende do que é encontrado durante a cirurgia e de quais órgãos estão envolvidos. Quando não há lesões intestinais ou acometimento de outros órgãos, muitas pacientes têm recuperação em torno de duas semanas. Em casos mais complexos, esse período pode ser maior”, explica.
Impacto vai além do corpo
A endometriose também pode afetar autoestima, sexualidade, produtividade, relações afetivas e convívio social. Em quadros de dor intensa, a mulher pode faltar ao trabalho, cancelar compromissos e restringir atividades por medo de novas crises.
Para Willian Teruo, esse impacto precisa ser considerado no atendimento. A queixa não deve ser reduzida a um sintoma físico, principalmente quando interfere de forma recorrente na rotina.
“A dor da endometriose pode causar um prejuízo enorme na vida da paciente e das pessoas ao redor dela. Há impacto social, profissional, familiar e emocional. O dano não é apenas biológico; ele também é psicossocial. Por isso, o cuidado precisa olhar para a mulher de forma mais ampla”, afirma.
Sinais que não devem ser ignorados
A recomendação é procurar avaliação médica quando houver dor menstrual incapacitante, dor durante a relação sexual, dor pélvica constante, sangramento aumentado ou dificuldade para engravidar.
Em mulheres com menos de 35 anos, a investigação da fertilidade costuma ser considerada após um ano de tentativas sem sucesso. Acima dos 35 anos, esse período tende a ser reduzido para seis meses, conforme avaliação médica.
“É importante quebrar o tabu de que sentir dor é normal. Dor durante o período menstrual, dor na relação sexual ou dor constante devem ser investigadas. Sangramento aumentado também merece avaliação. E, quando há dificuldade para engravidar, o tempo de tentativa e a idade da paciente precisam ser levados em conta para definir os próximos passos”, orienta Willian Teruo.
Quem é Willian Teruo
Willian Teruo Nakanishi é ginecologista e obstetra em Curitiba, com atuação voltada à saúde da mulher e à cirurgia ginecológica minimamente invasiva. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Paraná, construiu sua trajetória acadêmica entre a formação médica, a residência em ginecologia e o aperfeiçoamento em técnicas cirúrgicas voltadas ao cuidado de pacientes com endometriose, miomas e dificuldade para engravidar.
Sua prática atual reúne laparoscopia, histeroscopia e cirurgia robótica, recursos utilizados em casos selecionados para ampliar a precisão cirúrgica e favorecer uma recuperação menos agressiva, sempre conforme avaliação individual. Ao longo da carreira, também passou por serviços especializados em cirurgia ginecológica e endometriose em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro, experiências que contribuíram para consolidar sua atuação nessa área.
No consultório, Willian Teruo defende uma abordagem baseada em escuta, acolhimento e clareza nas informações. Para ele, o cuidado começa antes da indicação de qualquer tratamento: passa por compreender a história da paciente, seus sintomas, seus medos, seu momento de vida e seus planos em relação à fertilidade. A proposta é unir conhecimento técnico, tecnologia e atendimento humanizado para que cada mulher participe das decisões sobre a própria saúde.
CRM: 39367 | RQE 31917
Instagram: @drwillianteruo

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