A condenação de Jair Bolsonaro e a reentrada do tema da anistia no debate político nacional dominaram a pauta e a análise de comentaristas políticos. Segundo o jornalista Carlos Andreazza, colunista da BandNews FM, o cenário atual aponta para a inevitabilidade de se pensar a superação eleitoral do ex-presidente, que se manifesta em duas abordagens distintas.
A primeira, denominada pelo jornalista como "bolsonarismo eduardista" ou de "raiz", busca a manutenção da família Bolsonaro no controle do movimento. A segunda, por sua vez, é representada por Tarcísio de Freitas, chamada de "bolsonarismo de resultados" ou de "oportunidade" pelo articulista.
“Estamos na fase de pós-Bolsonaro eleitoral, na fase de espécie de último ato da prestação de condolências pela condenação de Jair Bolsonaro. Tarcísio vai de novo essa semana a Brasília para trabalhar pela anistia, anistia, claro, num discurso que contempla Bolsonaro e que contemplaria Bolsonaro nas urnas. Na prática, a articulação teatral, é uma espécie de balé ‘me engana que eu gosto’, trabalhando por uma anistia improvável”, observou Andreazza.
Conforme Andreazza, a discussão sobre a anistia, que voltou à pauta do Congresso Nacional, é vista por ele como um "balé da anistia". O colunista explica que, na prática, essa articulação não busca reabilitar o ex-presidente, mas sim dar uma satisfação e cumprir etapas para, na realidade, superá-lo politicamente, classificando essa movimentação como uma espécie de "traição light".
Ele ressalta que os políticos envolvidos nas negociações, como Ciro Nogueira, possuem mais a ganhar ao apoiar a ascensão de um candidato com força eleitoral, como Tarcísio, do que ao insistir na reabilitação de Bolsonaro.
Em síntese, segundo o colunista, a condenação de Bolsonaro impulsiona um debate sobre sua sucessão política. O movimento pela anistia, na análise do jornalista, é uma forma de grupos políticos darem a aparência de apoio ao ex-presidente enquanto buscam uma nova liderança.
“Para o Ciro Nogueira, em termos de perspectiva de poder, ele tem mais chances de ter poder, de controlar poder, de partilhar o poder, com Tarcísio sendo seu candidato e eventual presidente da República ou com Jair Bolsonaro reabilitado?”, questiona Andreazza;
“Jair Bolsonaro reabilizado, depois de tudo que passou, sob a lógica da mente conspirativa do bolsonarismo, ele dividiria mais o poder com essa rapaziada ou tenderia a se fechar ainda mais nos seus? A resposta óbvia para essa pergunta explica o porquê essa turma finge estar trabalhando por Bolsonaro, mas, na prática, está cuidando da superação dele”, finalizou o colunista.
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