Brasil aguarda decisão sobre tarifas dos EUA e prepara retaliação comercial
Colunista de economia da BandNews FM destaca que nem a pressão da indústria americana foi capaz de barrar as tarifas dos Estados Unidos

O governo dos Estados Unidos pode anunciar ainda nesta quarta-feira (15) a decisão sobre a aplicação de uma tarifa de até 25% sobre produtos importados do Brasil. A medida é o desfecho da investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana, que permite investigar outros países por supostas práticas de comércio “desleal”.
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O escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos aponta desvantagens do PIX, o desmatamento ilegal no Brasil e as restrições ao mercado de etanol como justificativas para punir “práticas irrazoáveis” nas relações comerciais entre os países.
O Itamaraty afirma considerar a sobretaxa injusta e está disposto a aplicar medidas de retaliação comercial aprovadas recentemente no Congresso Nacional em resposta.
De acordo com a colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, a expectativa do mercado é que a taxa atinja cerca de 20% das exportações brasileiras para o território americano, enquanto setores industriais e do agronegócio correm contra o tempo para incluir o maior número possível de itens em uma lista de exceções ao tarifaço. Produtos agrícolas como carne e café devem ser poupados para evitar pressões adicionais na inflação dos Estados Unidos.
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Além do agronegócio, insumos essenciais para a própria indústria norte-americana também devem entrar na lista de isenções. Algumas empresas brasileiras já buscam novos mercados, para evitar as tarifas. Contudo, setores como o de calçados específicos e maquinário sob encomenda encontram dificuldades para redirecionar suas vendas de forma imediata.
Histórico e as motivações da investigação comercial
A investigação foi aberta em julho de 2025 pelo governo de Donald Trump com base na Seção 301 da Lei de Comércio. O relatório preliminar, publicado em junho de 2026, apontou que o Pix prejudica as operadoras americanas e questionou as regras ambientais e o etanol do Brasil.
Na véspera do encerramento do prazo, representantes dos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços realizaram reuniões com autoridades dos EUA para tentar reverter a decisão. Os negociadores brasileiros ressaltam o superávit comercial dos Estados Unidos na relação bilateral como argumento técnico contra as taxas.
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Já o Banco Central brasileiro reforçou que o Pix é um patrimônio nacional inegociável.
Segundo Juliana Rosa, apesar de grandes empresas norte-americanas apoiarem a indústria brasileira e pedirem o cancelamento do tarifaço, as negociações técnicas perderam espaço para discursos políticos de ambos os lados. A jornalista reforçou que 'nenhum argumento técnico consegue ganhar’ contra Trump.
