
ONU
© REUTERS/Yana Paskova/Direitos Reservados
Resumo
Uma reunião do Conselho de Segurança da ONU foi realizada para debater a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro.
Acusações de hipocrisia, cinismo e "bullying" foram feitas por representantes da Rússia, China e Venezuela, que exigiram a libertação imediata de Maduro, condenaram o uso da força e questionaram a legitimidade da operação norte-americana, enquanto os EUA defenderam a ação como cumprimento da lei e baseada em acusações de narcoterrorismo.
Prisão de Maduro e sua esposa em Nova York foi seguida por audiência judicial, posse da vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina na Venezuela e expectativa de novas eleições em até 90 dias, com manifestação do Brasil prevista no Conselho para reafirmar a condenação aos ataques e apoio à soberania venezuelana.
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) se reuniu nesta segunda-feira (5) para debater a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro.
A reunião de emergência foi solicitada pela Colômbia e teve o apoio de países como Rússia e China, que acusam os EUA de violação do direito internacional.
O governo norte-americano, por sua vez, defende a legitimidade da operação, comparando-a à destituição do ditador do Panamá Manuel Noriega em 1989 e ressaltando que a ação teve como único objetivo capturar Maduro com base em acusações de associação de Maduro com o narcoterrorismo.
Acusações contra os EUA
O embaixador da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya, acusou os EUA de "hipocrisia e cinismo", afirmando que a Casa Branca realizou uma "operação criminosa para tomar os recursos energéticos" da Venezuela e que a ONU não pode aceitar tal postura.
Ele pediu a libertação imediata de Maduro e declarou que o mundo não pode permitir que os EUA se tornem um "juiz supremo".
Já o representante chinês, Fu Cong, disse que seu país está "profundamente chocado e condena fortemente" o que chamou de "bullying do governo norte-americano".
O embaixador venezuelano na ONU, Samuel Moncada, afirmou que o ataque dos EUA "manda a mensagem de que seguir a lei é opcional" e que a ofensiva foi motivada pelas riquezas naturais do país.
Ele pediu ao Conselho de Segurança que exija o respeito aos direitos de Maduro e sua libertação imediata, condene o uso da força e reafirme o princípio de não aquisição de território.
EUA defendem legitimidade de ação militar
Durante a reunião do Conselho de Segurança da ONU, o embaixador dos EUA, Mike Waltz, detalhou o histórico de crimes de Nicolás Maduro e afirmou que a operação foi uma ação de aplicação da lei, em cumprimento a acusações que existem há décadas.
Waltz questionou a legitimidade da ONU caso a organização confira o mesmo tratamento a um "narcoterrorista" e a um chefe de Estado democraticamente eleito.
A operação militar que capturou Maduro e sua esposa, Cilia Flores, ocorreu na madrugada do último sábado (3), em Caracas.
A ação, executada pela Força Delta, a unidade de elite do Exército dos EUA, envolveu bombardeios a pontos estratégicos, um apagão na capital venezuelana e a captura do casal por via aérea para um navio militar no Mar do Caribe.
Próximos passos
Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, estão presos em um centro de detenção federal no Brooklyn, em Nova York. Eles compareceram em um tribunal em Manhattan nesta segunda-feira (5) para uma audiência sobre as acusações de narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína e posse de armas. O ditador se declarou inocente sobre as acusações.
Enquanto isso, na Venezuela, a vice-presidente Delcy Rodríguez foi empossada como presidente interina e deve permanecer no cargo por até 90 dias, até a convocação de novas eleições.
O Brasil também deve pedir a palavra no conselho para reafirmar a posição de condenar os ataques e reiterar a soberania venezuelana.
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