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COP30 em Belém: capital tem menos de 20% de saneamento básico e desafios de moradia digna

Cidade-sede da conferência do clima é a capital com mais favelas no Brasil; prefeito Igor Normando (MDB) diz que está 'mostrando a Amazônia real'

ISABELA MOTA, DE BELÉM

19/08/2025 • 13:26 • Atualizado em 19/08/2025 • 13:26

Isabela Mota
Resumo

Problemas estruturais e preparativos para a COP30: Belém, a capital do Pará, enfrenta desafios históricos como coleta ineficiente de lixo e deficiência em saneamento básico, com menos de 20% da população tendo acesso a esses serviços.

Investimento insuficiente em saneamento: O investimento atual de Belém em saneamento é de apenas R$ 61 por habitante. A cidade é considerada uma das mais favelizadas do Brasil, com cerca de 60% da população vivendo em favelas e construções precárias como palafitas.

Esperança de melhorias com a COP30: Evento ocorrerá de 10 a 21 de novembro e é visto como uma oportunidade para trazer melhorias significativas para a região, especialmente em infraestrutura e qualidade de vida.

Problemas na coleta de lixo, saneamento básico, mato alto e uma cidade inteira em obras na esperança de um legado pós COP30. Estes são alguns dos problemas historicamente enfrentados por Belém, capital do Pará e sede da conferência do clima das Nações Unidas (ONU).

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Atualmente, Belém é considerada uma das piores cidades do país no quesito coleta de esgoto. Nem 20% da população tem acesso a saneamento básico, segundo o Instituto Trata Brasil. O número está bem abaixo da média nacional que ultrapassa os 70%.

A cidade de Belém investe em média R$ 61 em saneamento por habitante quando, na verdade, o valor deveria ser de R$ 223. Essa tem sido uma das principais críticas à sede da COP30. No entanto, para o prefeito de Belém, Igor Normando (MDB), os problemas fazem parte da realidade local.

"Estou mostrando uma Amazônia real. Ninguém está aqui maquiando nada. Vou mostrar a realidade. Eu, como prefeito, tenho absoluta certeza que vou fazer meu papel nessa COP".

À reportagem da BandNews FM, Normando diz que vai "preparar a cidade pro evento e garantir com que a população do Brasil e a população internacional conheça a realidade do povo amazônico".

Sobre as agruras enfrentadas pela população da cidade, o prefeito diz que o povo da Amazônia é "sofrido", mas "que não perdeu a esperança de poder ter dias melhores".

Vila da Barca: comunidade vive com falta de esgoto e moradias precárias | Isabela Mota/BandNews FM

Vila da Barca: comunidade vive com falta de esgoto e moradias precárias | Isabela Mota/BandNews FM

A capital mais favelizada do Brasil

Belém é a capital mais favelizada do país. Quase 60% da população da cidade vive em áreas de favela e de construção em palafitas, que são pequenas casas de madeira que ficam sobre o rio e moldam parte da paisagem da cidade.

Na Bacia do Tucunduba, região de periferia de Belém, os "dias melhores" desejados ainda não chegaram. Os moradores do local enfrentam enchentes e alagamentos desde os anos 90. O casal Ana Clara e Flávio, que residem na Bacia do Tucunduba, contaram à BandNews FM que as obras ali se iniciaram muito antes da chegada da COP30, mas até hoje não terminaram ou mudaram a realidade da comunidade.

O projeto para a macrodrenagem do Rio Tucunduba teve início nos anos 1990 e foi entregue - em partes - em 2021. No entanto, com a chegada da COP30, o planejamento foi ampliado e deve impactar cerca de 500 mil famílias.

"Nós estamos avançando. É o ideal não nós precisamos de mais. Agora, é inegável que nunca na história da cidade nós tivemos um volume de investimento tão grande não só no centro da cidade, nos pontos turísticos para fomentar a economia gerar emprego e renda, mas também na periferia da cidade", diz Normando.

A maior favela de Belém e a esperança de mudanças após a COP30

A Baixada da Estrada Nova, no bairro Jurunas, é a maior favela de Belém e a 11ª entre todas as favelas do Brasil. O desafio de moradias dignas para a cidade de Belém também será abordado nas discussões da COP30.

Mesmo quem vive nas comunidades em terra firme tem dificuldades para acreditar que as mudanças trazidas pela COP30 vão de fato melhorar a vida dos paraenses que estão longe dos holofotes do evento.

"Em questão de segurança, tem muito viatura, mas fora isso, de drenagem e limpeza (...) na Doca e na rua do aeroporto está bonito, lindo, mas pra cá, na Baixada, tudo da mesma forma. Choveu esses dias e a rua ficou toda cheia", relata um morador à BandNews FM.

O que é a COP30?

A COP30 acontece entre os dias 10 e 21 de novembro em Belém, considerada a porta de entrada para a Amazônia. É por meio das discussões que acontecem neste evento global que as autoridades dos países participantes devem tomar as decisões necessárias para implementar os compromissos assumidos no combate à mudança do clima.

Cerca de 50 mil pessoas são esperadas na capital paraense durante o mês do evento.

*Reportagem em texto editada por Rafaela Lara

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