
Carne fresca em frigorífico brasileiro
Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
Resumo
Decisão da União Europeia retira o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne ao bloco a partir de 3 de setembro, alegando divergências sanitárias e ausência de garantias sobre o uso de antimicrobianos na pecuária brasileira.
Reunião marcada entre delegação brasileira e autoridades europeias busca explicações oficiais, enquanto governo e associações do setor afirmam que exportações continuam normalmente e trabalham para reverter a decisão antes da aplicação da sanção.
Mercado europeu representa menos de 4% das exportações brasileiras de carne, mas a medida ocorre em meio à implementação do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia, que enfrenta resistência de produtores europeus preocupados com a concorrência e diferenças regulatórias.
O governo brasileiro afirma ter sido surpreendido, nesta terça (12), com a decisão da União Europeia de ter retirado o Brasil da lista de países autorizados a importarem carne para o bloco. Por decisão do Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia, a partir do dia 3 de setembro, a proteína brasileira está proibida no território europeus por divergências sanitárias.
Uma delegação do Brasil já tem reunião marcada com as autoridades europeias para esta quarta-feira (13), quando será pedida uma explicação oficial da decisão. O Ministério da Agricultura e Pecuária afirma que as exportações para os europeus são contínuas há 40 anos, sem registros de percalços.
O governo e associações do setor já afirmaram que neste momento nada muda, que os produtos continuam a ser enviados para a Europa e que trabalham para reverter a decisão até o início da aplicação da sanção.
Segundo a UE, o Brasil não forneceu ao bloco as garantias sobre a não utilização de produtos antimicrobianos na pecuária.
Outros países sul-americanos continuam aptos a importarem carne para a Europa, como Argentina, Chile, Colômbia e Uruguai. A decisão pode ser revertida e a lista atualizada por decisão de Bruxelas quando novos esclarecimentos forem feitos.
A União Europeia é o terceiro maior mercado da carne brasileira, atrás de China e Estados Unidos, embora respondam a menos de 4% das negociações brasileira, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal.
Recentemente, Mercosul e União Europeia iniciaram a implantação de um acordo de livre-comércio que demorou quase 30 anos para ser concluído. Embora festejado, a proposta enfrenta resistência entre os produtores europeus, que temes a concorrência do agronegócio brasileiro, principalmente.
Produtores franceses também afirmam que as exigências para os produtores da Europa são maiores do que os agricultores do Mercosul. Por isso, o acordo enfrenta tantas resistências do outro lado do Atlântico.
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