Band News FM
BandNews FM

Mesmo com queda do petróleo, projeção de inflação aumenta para 5,33%

Banco Central deve publicar próximos passos nesta terça-feira (23)

Da redação
DA REDAÇÃO

22/06/2026 • 10:45 • Atualizado em 22/06/2026 • 10:52

Resumo

O Boletim Focus indicou elevação das estimativas de inflação para 5,33%, enquanto o mercado financeiro aguarda sinalizações mais claras sobre os próximos passos da política monetária do Banco Central, após divulgação de comunicado considerado confuso pela analista Juliana Rosa.

O cenário nacional apresenta contradição entre a queda dos preços internacionais das matérias-primas, como o petróleo, e a persistente alta nas previsões de inflação, impulsionada principalmente pelo efeito defasado dos custos dos insumos agrícolas adquiridos anteriormente a preços elevados.

O contexto geopolítico, marcado pelo acordo de paz entre Estados Unidos e Irã sem a participação de Israel, gera incertezas sobre a estabilidade global, pressionando as expectativas do mercado financeiro e afastando as projeções da meta oficial de inflação do Banco Central.

O mercado financeiro elevou as estimativas da inflação para 5,33%, no aguardo da divulgação da ata do Copom, que deve trazer sinalizações mais claras sobre os próximos passos da política monetária do Banco Central (BC), segundo dados do Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (22).

Compartilhar

O relatório da última reunião, que reduziu a taxa básica de juros do Brasil para 14,25%, deve ser divulgado nesta terça-feira (23). O comunicado foi classificado como confuso pela colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, porque não dá sinais claros sobre as próximas decisões.

Pressão nos custos agrícolas e fatores globais

Os dados do Boletim Focus apontam que a inflação acumulou a 15ª semana seguida de revisão para cima. A colunista destaca que a aparente contradição entre a queda dos preços das matérias-primas e o avanço inflacionário nacional.

"Acabou a guerra e o petróleo caiu, e as previsões de inflação continuam subindo", apontou a jornalista.

Juliana aponta que fatores domésticos sustentam as altas dos preços, apesar do barril tipo Brent estar na casa dos U$ 80, bem abaixo dos quase U$ 120 que atingiu no pico mais alto do conflito no Oriente Médio, principalmente por causa do estreito de Ormuz, região por onde passar 20% do petróleo global.

O principal deles é o efeito defasado de custos de insumos, como no caso dos fertilizantes agrícolas comprados a preços elevados pelos produtores, cujos impactos devem ser repassados aos alimentos nos próximos meses.

No cenário geopolítico, o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã é visto com forte cautela. A ausência de Israel no acordo gera preocupações no mercado sobre a estabilidade do pacto. Esse ambiente de incerteza contribui para que as projeções do mercado financeiro permaneçam pressionadas e distantes da meta oficial do Banco Central.