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Mônica Bergamo: Toffoli é suspeito de gravar sessão secreta; ministro nega

Vazamento de diálogos sobre o caso Banco Master para o site Poder360 causa perplexidade e desconforto entre magistrados; trechos seriam favoráveis ao ministro.

Por Redação
REDAÇÃO

13/02/2026 • 15:09 • Atualizado em 13/02/2026 • 15:09

Mônica Bergamo
Resumo

Sessão secreta do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a relatoria do processo do Banco Master foi marcada por suspeitas de gravação clandestina, após o site Poder360 divulgar diálogos precisos ocorridos na reunião, aumentando o clima de desconfiança entre os ministros.

Ministro Dias Toffoli negou veementemente ter realizado qualquer gravação, expressou indignação com as acusações e sugeriu que o vazamento pode ter partido de funcionários do setor de informática do tribunal, defendendo sua postura de discrição e rejeitando envolvimento com a imprensa.

Vazamento das conversas internas gerou perplexidade e desconforto no STF, com magistrados criticando a divulgação parcial dos diálogos, que favoreceriam a imagem de Toffoli e omitiriam críticas, agravando a crise de confiança e afetando a dinâmica e colegialidade da Corte.

O Supremo Tribunal Federal (STF) vive um clima de intensa desconfiança após ministros suspeitarem que Dias Toffoli tenha gravado clandestinamente a sessão secreta que, na última quinta-feira (12), decidiu por sua saída da relatoria de um processo envolvendo o Banco Master.

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A informação foi divulgada em primeira mão pela colunista da BandNews FM, Mônica Bergamo. A suspeita ganhou força após o site Poder360 publicar, na madrugada desta sexta-feira (13), trechos literais e precisos dos diálogos da reunião.

Procurado, Dias Toffoli negou veementemente a autoria da gravação.

É um fato absolutamente inverídico. Não houve nenhuma gravação da minha parte. Nada disso procede.

O ministro se disse indignado com a insinuação e levantou a hipótese de que o vazamento possa ter partido de um funcionário do setor de informática da Corte.

A divulgação das conversas gerou o que fontes internas descrevem como uma situação de "perplexidade e desconforto sem precedentes" no tribunal. Magistrados que participaram do encontro afirmam que os trechos publicados foram selecionados para favorecer a imagem de Toffoli, omitindo a complexidade do debate e as críticas feitas.

A reportagem do Poder360, por outro lado, descreve a reunião como tendo "um forte tom político e uma busca de autopreservação por parte de todos os ministros".

Vazamento interno expõe tensão entre ministros do STF

A polêmica gira em torno da relatoria do processo do Banco Master, um caso sensível que culminou na realização de uma sessão administrativa, de caráter secreto, para deliberar sobre a permanência de Dias Toffoli à frente do caso.

A decisão final foi por sua saída, mas o vazamento das conversas internas transformou um procedimento regimental em uma crise de confiança. Ministros relataram à colunista Mônica Bergamo que enviaram a reportagem do Poder360 diretamente a Toffoli como forma de demonstrar que a gravação, de fato, ocorreu.

Para eles, a precisão e a literalidade das falas publicadas não deixam dúvidas de que um registro clandestino foi realizado durante a sessão, que, por sua natureza, deveria ter seu conteúdo restrito aos participantes.

A principal queixa dos magistrados é que a edição dos diálogos vazados apresenta uma narrativa parcial. Segundo eles, o material divulgado foca em falas que apoiavam a permanência de Toffoli na relatoria, pintando um quadro incompleto e tendencioso da discussão, que teria sido muito mais dura e complexa do que o exposto na reportagem jornalística.

“Jamais gravei uma conversa”, diz Toffoli

Em sua defesa, o ministro Dias Toffoli foi taxativo ao rechaçar as acusações.

"Quem me conhece sabe que sou absolutamente discreto e mal converso com a imprensa", declarou. "Não sei como pode ter surgido essa suspeita. Eu não gravo e não fico relatando conversa de ministros. Não relato conversas pessoais nem institucionais. Nunca gravei uma conversa na minha vida."

A indignação do ministro se estende tanto à suspeita de que ele seria o autor do registro quanto à publicação em si. Ele sugere que a responsabilidade pelo vazamento deve ser apurada internamente, possivelmente no setor de tecnologia do próprio tribunal, de onde, em sua visão, a gravação pode ter sido feita e repassada à imprensa.

Enquanto a origem do vazamento permanece um mistério, o episódio abala a já delicada relação entre os membros da mais alta Corte do país. A quebra de confiança em um ambiente que exige sigilo e deliberação reservada instala uma crise que vai além do caso específico do Banco Master, afetando a dinâmica de trabalho e a colegialidade do STF.

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