Resumo
Divulgação do IPCA-15 pelo IBGE mostra desaceleração da prévia da inflação oficial para 0,06% em julho de 2026, representando recuo em relação aos 0,41% registrados em junho.
Influência do grupo Alimentação e bebidas, com queda de 0,66%, especialmente na alimentação no domicílio, foi decisiva para a contenção do índice, enquanto o grupo Habitação, com alta de 0,97% puxada pela energia elétrica residencial e pela bandeira tarifária amarela, exerceu pressão de alta.
Acúmulo do IPCA-15 de 3,51% no ano e 4,52% em 12 meses fica ligeiramente acima do teto da meta do Banco Central, atraindo atenção do mercado para a reunião do Copom, marcada para 4 e 5 de agosto, que decidirá o rumo da taxa Selic.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que mede a prévia da inflação oficial no Brasil, desacelerou para 0,06% em julho de 2026, segundo dados divulgados nesta terça-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice apresentou um recuo de 0,35 ponto percentual em comparação com a taxa de 0,41% registrada no mês de junho.
A colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, detalha os motivos do resultado deste mês. A jornalista aponta que a desaceleração foi impulsionada expressivamente pelo recuo nos preços do grupo de alimentação e bebidas, embora as despesas com habitação tenham exercido pressão de alta no período.
Alimentação em queda e habitação em alta
O recuo nos preços dos alimentos foi o principal fator para conter a prévia da inflação mensal no país. O grupo Alimentação e bebidas registrou queda de 0,66% em julho, com destaque para a alimentação no domicílio, que encolheu 1,14%. Itens de consumo diário, como o tomate (-19,95%), a batata-inglesa (-10,03%) e o café moído (-3,13%), ficaram mais baratos e ajudaram a aliviar o orçamento doméstico.
Por outro lado, o grupo Habitação registrou alta de 0,97% e exerceu a maior pressão sobre o índice geral. Dentro deste resultado, o grande vilão do mês foi a energia elétrica residencial, que subiu 3,03% em julho sob o impacto direto da vigência da bandeira tarifária amarela.
Essa tarifa adicional cobra R$ 1,885 para cada 100 kWh consumidos, somando-se ainda a reajustes tarifários aplicados em capitais brasileiras como Curitiba, Porto Alegre, São Paulo e Belo Horizonte.
Decisão do Banco Central no radar
Com o resultado recente, o IPCA-15 passou a acumular alta de 3,51% no ano e de 4,52% nos últimos 12 meses. A jornalista aponta que o acumulado de 12 meses ficou abaixo dos 4,80% registrados na leitura imediatamente anterior, mostrando um alívio temporário na trajetória inflacionária.
No entanto, Juliana relembra que o índice acumulado ainda se encontra ligeiramente acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 4,50% para o ano.
Diante desse cenário de desaceleração, as atenções do mercado financeiro se voltam para a próxima reunião do Copom. O comitê se reunirá nos dias 4 e 5 de agosto para definir o rumo da taxa Selic, atualmente fixada em 14,25% ao ano.



