Ciência e Tecnologia

Brasil realiza 1º lançamento espacial comercial da história nesta quarta

Missão em Alcântara com foguete sul-coreano ocorre sob rígido esquema de segurança da FAB; operação abre mercado global para o país

Da redação
DA REDAÇÃO

16/12/2025 • 16:19 • Atualizado em 16/12/2025 • 16:19

Operação Spaceward 2025

Operação Spaceward 2025

Divulgação/FAB

O Brasil vive um marco histórico no setor tecnológico nesta quarta-feira (17). O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, realiza a Operação Spaceward 2025, que marca o primeiro lançamento de um foguete comercial a partir do território nacional.

Compartilhar

A missão envia ao espaço o veículo HANBIT-Nano, da startup sul-coreana Innospace, sob coordenação da Força Aérea Brasileira (FAB) e da Agência Espacial Brasileira (AEB).

A operação simboliza a entrada definitiva do país no mercado global de lançamentos espaciais, abrindo novas alternativas para geração de renda e investimentos no setor.

Por se tratar do voo inaugural do foguete, a missão segue protocolos de segurança ampliados para proteger pessoas, instalações e o próprio veículo.

Segundo o Capitão Engenheiro Eduardo Lopes Pinho, responsável pela Assessoria de Segurança Operacional, a estrutura oferecida pela FAB inclui inteligência e prevenção de acidentes. "Tudo é acompanhado em tempo real, de forma técnica e coordenada", afirma o oficial.

Três eixos de segurança

A proteção da operação no CLA foi estruturada em três eixos integrados: segurança orgânica, de superfície e de voo. A segurança orgânica foca no controle de acesso a áreas críticas e na vigilância, impedindo a presença de pessoas não autorizadas.

Já a segurança de superfície cobre as atividades em solo, desde a preparação do veículo até o manuseio de combustíveis e equipamentos energéticos. Nesta etapa, bombeiros, equipes médicas e engenheiros atuam conjuntamente na prevenção de acidentes.

O terceiro eixo, a segurança de voo, exige concentração máxima durante o lançamento. O monitoramento ocorre desde o acionamento do motor até o fim da trajetória, permitindo identificar imediatamente qualquer desvio no corredor de voo.

Protocolos para anomalias

A FAB e a Innospace estabeleceram regras rígidas para eventuais falhas. Caso o foguete apresente comportamento fora dos parâmetros, é acionado o Sistema de Terminação de Voo (FTS). O Coronel Engenheiro Rogério Moreira Cazo, Coordenador-Geral da Operação, explica que um comando remoto desativa a propulsão instantaneamente.

"A estrutura do veículo é propositalmente rompida para que o combustível remanescente seja consumido de forma controlada", detalha o Coronel. Sem sustentação, o foguete cai em uma área marítima previamente delimitada, sem oferecer riscos à população ou às equipes.

Operação integrada

O lançamento mobiliza uma rede de cooperação interinstitucional. O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) emitiu notificação fechando o espaço aéreo sobre a região do lançamento. Simultaneamente, a Marinha do Brasil divulga avisos para restringir a navegação na área de risco no mar.

Outros órgãos também participam do suporte à missão. A Anatel monitora o espectro eletromagnético para evitar interferências e detectar drones, enquanto o Ibama acompanha os aspectos ambientais e a Defesa Civil atua em cenários de contingência.

Tecnologia e carga útil

O HANBIT-Nano é um foguete de dois estágios com propulsão híbrida, medindo 21,9 metros de comprimento e pesando quase 20 toneladas. O veículo tem capacidade para transportar até 90 quilos de carga útil.

Nesta missão, o foguete leva a bordo uma carga composta por cinco pequenos satélites e três experimentos tecnológicos. Os equipamentos foram desenvolvidos por empresas e instituições do Brasil, da Coreia do Sul e da Índia, voltados para coleta de dados climáticos e iniciativas educacionais.

A operação é resultado de um edital de chamamento público da AEB de 2020, visando atrair empresas para o CLA. A Innospace obteve autorização de lançamento tanto da agência sul-coreana KASA quanto da AEB, após comprovar o cumprimento de requisitos de segurança e redução de detritos espaciais.