
Operação Spaceward 2025
Divulgação/FAB
O Brasil vive um marco histórico no setor tecnológico nesta quarta-feira (17). O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, realiza a Operação Spaceward 2025, que marca o primeiro lançamento de um foguete comercial a partir do território nacional.
A missão envia ao espaço o veículo HANBIT-Nano, da startup sul-coreana Innospace, sob coordenação da Força Aérea Brasileira (FAB) e da Agência Espacial Brasileira (AEB).
A operação simboliza a entrada definitiva do país no mercado global de lançamentos espaciais, abrindo novas alternativas para geração de renda e investimentos no setor.
Por se tratar do voo inaugural do foguete, a missão segue protocolos de segurança ampliados para proteger pessoas, instalações e o próprio veículo.
Segundo o Capitão Engenheiro Eduardo Lopes Pinho, responsável pela Assessoria de Segurança Operacional, a estrutura oferecida pela FAB inclui inteligência e prevenção de acidentes. "Tudo é acompanhado em tempo real, de forma técnica e coordenada", afirma o oficial.
Três eixos de segurança
A proteção da operação no CLA foi estruturada em três eixos integrados: segurança orgânica, de superfície e de voo. A segurança orgânica foca no controle de acesso a áreas críticas e na vigilância, impedindo a presença de pessoas não autorizadas.
Já a segurança de superfície cobre as atividades em solo, desde a preparação do veículo até o manuseio de combustíveis e equipamentos energéticos. Nesta etapa, bombeiros, equipes médicas e engenheiros atuam conjuntamente na prevenção de acidentes.
O terceiro eixo, a segurança de voo, exige concentração máxima durante o lançamento. O monitoramento ocorre desde o acionamento do motor até o fim da trajetória, permitindo identificar imediatamente qualquer desvio no corredor de voo.
Protocolos para anomalias
A FAB e a Innospace estabeleceram regras rígidas para eventuais falhas. Caso o foguete apresente comportamento fora dos parâmetros, é acionado o Sistema de Terminação de Voo (FTS). O Coronel Engenheiro Rogério Moreira Cazo, Coordenador-Geral da Operação, explica que um comando remoto desativa a propulsão instantaneamente.
"A estrutura do veículo é propositalmente rompida para que o combustível remanescente seja consumido de forma controlada", detalha o Coronel. Sem sustentação, o foguete cai em uma área marítima previamente delimitada, sem oferecer riscos à população ou às equipes.
Operação integrada
O lançamento mobiliza uma rede de cooperação interinstitucional. O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) emitiu notificação fechando o espaço aéreo sobre a região do lançamento. Simultaneamente, a Marinha do Brasil divulga avisos para restringir a navegação na área de risco no mar.
Outros órgãos também participam do suporte à missão. A Anatel monitora o espectro eletromagnético para evitar interferências e detectar drones, enquanto o Ibama acompanha os aspectos ambientais e a Defesa Civil atua em cenários de contingência.
Tecnologia e carga útil
O HANBIT-Nano é um foguete de dois estágios com propulsão híbrida, medindo 21,9 metros de comprimento e pesando quase 20 toneladas. O veículo tem capacidade para transportar até 90 quilos de carga útil.
Nesta missão, o foguete leva a bordo uma carga composta por cinco pequenos satélites e três experimentos tecnológicos. Os equipamentos foram desenvolvidos por empresas e instituições do Brasil, da Coreia do Sul e da Índia, voltados para coleta de dados climáticos e iniciativas educacionais.
A operação é resultado de um edital de chamamento público da AEB de 2020, visando atrair empresas para o CLA. A Innospace obteve autorização de lançamento tanto da agência sul-coreana KASA quanto da AEB, após comprovar o cumprimento de requisitos de segurança e redução de detritos espaciais.

