
Neo, robô humanoide desenvolvido pela 1X Technologies, ganhou destaque pela precisão dos movimentos das mãos
1X Technologies/Divulgação
Abrir uma porta, pegar uma garrafa ou organizar objetos sobre uma mesa parecem movimentos comuns. Foi justamente a naturalidade com que o robô Neo, desenvolvido pela empresa norueguesa 1X Technologies, executou esse tipo de tarefa que colocou o projeto entre os destaques recentes da robótica humanoide.
Os vídeos apresentados pela empresa mostram o Neo manipulando objetos com uma precisão que ainda representa um dos maiores desafios da engenharia. Caminhar sobre duas pernas já deixou de ser o principal diferencial entre os fabricantes de humanoides. O verdadeiro obstáculo está nas mãos. Reproduzir os movimentos dos dedos exige dezenas de sensores, motores compactos, câmeras e algoritmos capazes de calcular força, posição e equilíbrio em tempo real. Um leve excesso de pressão pode quebrar um objeto; força insuficiente faz com que ele escorregue.
Essa evolução mudou o foco da indústria. Empresas que antes concentravam esforços na locomoção passaram a investir no chamado manuseio fino, expressão utilizada para descrever tarefas que exigem coordenação semelhante à humana, como separar peças pequenas, dobrar roupas, utilizar ferramentas ou transportar recipientes frágeis.
A 1X disputa esse mercado com empresas como Tesla, Figure AI, Apptronik, Sanctuary AI e Agility Robotics. Embora cada fabricante siga uma estratégia diferente, todos trabalham para desenvolver robôs capazes de atuar em ambientes preparados para pessoas, dispensando adaptações em casas, hospitais, centros logísticos e fábricas. Para isso, os sistemas utilizam visão computacional, inteligência artificial e aprendizado por demonstração, técnica em que o robô aprende observando movimentos executados por operadores humanos antes de reproduzi-los de forma autônoma.
O desempenho das mãos influencia diretamente as aplicações comerciais desses equipamentos. Separar produtos em armazéns, abastecer prateleiras, organizar instrumentos hospitalares ou auxiliar pessoas com mobilidade reduzida exige muito mais precisão do que força. Por esse motivo, a destreza manual passou a ser considerada um dos principais indicadores da evolução dos humanoides.
O Neo chamou atenção justamente por mostrar que essa etapa começa a avançar mais rapidamente. Quanto mais naturais se tornam os movimentos das mãos, maior é a possibilidade de esses robôs assumirem atividades que hoje dependem exclusivamente da habilidade humana, aproximando a robótica de um novo estágio de utilização prática.

