Cientistas no Reino Unido avançam na criação e no desenvolvimento de miniórgãos, conhecidos como organoides, para testar a eficácia de medicamentos e substituir o uso de cobaias em pesquisas laboratoriais. As estruturas biológicas são produzidas a partir de células doadas por pacientes durante a realização de biópsias ou procedimentos cirúrgicos, permitindo simular o funcionamento e a reação de tecidos humanos em escala reduzida.
A tecnologia busca compreender por que determinados tratamentos químicos e terapêuticos funcionam para alguns indivíduos, enquanto não apresentam respostas positivas em outros.
A iniciativa das autoridades de saúde e dos pesquisadores britânicos prevê a estruturação de uma biblioteca de dados centralizada para atender demandas de indústrias farmacêuticas e do governo.
Com o mapeamento genético e a resposta das células aos fármacos, o setor pretende aumentar a taxa de sucesso nas pesquisas clínicas. Atualmente, mais de 90% dos remédios considerados promissores durante as etapas de testes em cobaias animais falham quando aplicados em seres humanos.
Redução do uso de animais em testes laboratoriais
O avanço no cultivo dos organoides atende a uma meta de redução do número de cobaias utilizadas pela comunidade científica. Dados oficiais do governo britânico indicam que mais de 2,5 milhões de animais foram submetidos a testes científicos e farmacológicos no Reino Unido ao longo do último ano.
A expectativa das instituições de pesquisa é substituir gradualmente esses procedimentos pelo uso de matrizes celulares humanas, otimizando o tempo de desenvolvimento de novos tratamentos.
A aplicação de modelos celulares personalizados permite identificar falhas de absorção e toxicidade de substâncias ainda nas fases iniciais do estudo, evitando custos financeiros elevados e o desgaste de etapas clínicas ineficazes.
O mapeamento preventivo das reações biológicas também possibilita o direcionamento de terapias genéticas de forma individualizada para cada perfil de paciente.
A consolidação do banco de dados biológicos no Reino Unido deve servir como base para regulamentações internacionais sobre o uso de métodos alternativos à experimentação animal. Com o aumento da amostragem de tecido humano cultivado em laboratório, o setor farmacêutico pretende padronizar os testes e acelerar a aprovação de novos medicamentos pelas agências reguladoras sanitárias.

