
Porquinho clonado foi eutanasiado ao atingir a maturidade sexual
Divulgação/GenomaUSP
Pesquisadores do Centro de Ciência para Desenvolvimento de Xenotransplante da Universidade de São Paulo (USP) realizaram a eutanásia programada do primeiro porco clonado pelo grupo. O procedimento ocorreu após o animal atingir a maturação sexual aos quatro meses de vida, estágio em que os órgãos alcançam o tamanho adequado para estudos de captação focados em transplantes em humanos.
O suíno nasceu no dia 24 de março de 2026, em Piracicaba (SP), de forma saudável e sem intercorrências decorrentes do processo de clonagem. Na ocasião do nascimento, o animal pesava 1,75 kg e atingiu 84 kg aos quatro meses e quatro dias de idade, mantido em uma unidade experimental localizada na Cidade Universitária, na capital paulista.
Avanço científico e contenção orçamentária
O projeto é conduzido pelo Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco (CEGH-CEL/USP) e tem como objetivo principal a produção de suínos geneticamente modificados para o xenotransplante. O termo técnico designa o transplante de órgãos, tecidos ou células entre espécies diferentes — neste caso específico, de animais para seres humanos.
De acordo com o pesquisador Ernesto Goulart, o objetivo primário de validar a técnica de clonagem desenvolvida do zero pelo laboratório foi plenamente alcançado. A antecipação do cronograma de eutanásia do espécime ocorreu para contenção dos custos operacionais de manutenção do biotério enquanto a equipe aguarda a liberação de novos recursos financeiros para o projeto.
Com o encerramento desta etapa experimental, os cientistas analisam os tecidos e a anatomia dos órgãos do animal. Os dados coletados servem de base para o aperfeiçoamento das próximas fases da pesquisa, que visa criar doadores suínos compatíveis para amenizar a fila de espera por órgãos no país.

