Não é um parto comum. No dia 24 de março, nasceu o primeiro porco clonado do Brasil no Instituto de Zootecnia de Piracicaba, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
Muito mais do que uma curiosidade, a clonagem de porcos é uma esperança para salvar vidas, através da redução na fila por espera de um transplante de órgãos. O rim de um porquinho pode salvar a vida de um ser humano.
“Foi a primeira etapa, essa grande vitória que foi ter conseguido esse animal clone – que significou o quê? Que foi dominada a técnica da clonagem. Agora eles estão trabalhando na edição gênica, fazendo o geneticamente modificado para a gente ter o clone que será o doador de órgãos e tecidos", diz Simone Raymundo, zootecnista responsável pela pesquisa.
O clone é feito a partir de uma célula de um porco, que pode ser retirada da pele, por exemplo. O material contém todo o DNA do animal que será clonado. Na etapa seguinte, esse DNA pode ser modificado para gerar porcos com órgãos mais compatíveis com os seres humanos.
“E aí a zootecnia entra. É conhecer esse porquinho diferente dos demais, é saber qual é o melhor alimento, qual é o melhor ambiente. E por que a gente precisa de um animal saudável? Para a gente ter um órgão saudável para ser transferido para o ser humano", diz Enilson Ribeiro, coordenador do Instituto de Zootecnia.
Nos últimos quatro anos, Estados Unidos e China realizaram transplantes experimentais de órgãos de porco em humanos. Os pacientes reagiram bem no início, superando a rejeição pós-cirúrgica, mas no longo prazo não sobreviveram, o que mostra que o processo ainda tem etapas a serem concluídas.
"O xenotransplante [a transferência de órgãos de animais para humanos] tem provado recentemente o vencimento da etapa da rejeição hiperaguda, aquela que acontece imediatamente após a realização da cirurgia", diz Tadeu Tomé, presidente da Associação Brasileira de Transplantes.
“Mas ainda existem outros desafios que devem ser vencidos, como a rejeição crônica, a rejeição tardia, como a gente diz, e que ainda está em uma fase de pesquisa experimental, mas que tem prometido grande ajuda aos transplantes. A gente vê com muito bons olhos, por conta da grande necessidade de órgãos que o Brasil tem para transplante.”, completa.
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