Jornal da Band

Primeiro porco clonado no Brasil abre caminho para transplantes de órgãos

Avanço científico em SP mira uso de órgãos suínos em humanos, mas ainda enfrenta desafios de longo prazo

JULIANO DIP

12/04/2026 • 01:21 • Atualizado em 12/04/2026 • 01:21

Não é um parto comum. No dia 24 de março, nasceu o primeiro porco clonado do Brasil no Instituto de Zootecnia de Piracicaba, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Compartilhar

Muito mais do que uma curiosidade, a clonagem de porcos é uma esperança para salvar vidas, através da redução na fila por espera de um transplante de órgãos. O rim de um porquinho pode salvar a vida de um ser humano.

“Foi a primeira etapa, essa grande vitória que foi ter conseguido esse animal clone – que significou o quê? Que foi dominada a técnica da clonagem. Agora eles estão trabalhando na edição gênica, fazendo o geneticamente modificado para a gente ter o clone que será o doador de órgãos e tecidos", diz Simone Raymundo, zootecnista responsável pela pesquisa.

O clone é feito a partir de uma célula de um porco, que pode ser retirada da pele, por exemplo. O material contém todo o DNA do animal que será clonado. Na etapa seguinte, esse DNA pode ser modificado para gerar porcos com órgãos mais compatíveis com os seres humanos.

“E aí a zootecnia entra. É conhecer esse porquinho diferente dos demais, é saber qual é o melhor alimento, qual é o melhor ambiente. E por que a gente precisa de um animal saudável? Para a gente ter um órgão saudável para ser transferido para o ser humano", diz Enilson Ribeiro, coordenador do Instituto de Zootecnia.

Nos últimos quatro anos, Estados Unidos e China realizaram transplantes experimentais de órgãos de porco em humanos. Os pacientes reagiram bem no início, superando a rejeição pós-cirúrgica, mas no longo prazo não sobreviveram, o que mostra que o processo ainda tem etapas a serem concluídas.

"O xenotransplante [a transferência de órgãos de animais para humanos] tem provado recentemente o vencimento da etapa da rejeição hiperaguda, aquela que acontece imediatamente após a realização da cirurgia", diz Tadeu Tomé, presidente da Associação Brasileira de Transplantes.

“Mas ainda existem outros desafios que devem ser vencidos, como a rejeição crônica, a rejeição tardia, como a gente diz, e que ainda está em uma fase de pesquisa experimental, mas que tem prometido grande ajuda aos transplantes. A gente vê com muito bons olhos, por conta da grande necessidade de órgãos que o Brasil tem para transplante.”, completa.

Tópicos relacionados