Ciência e Tecnologia

CES 2026: óculos e relógios inteligentes devem democratizar a IA, diz CEO

A avaliação é do presidente global da Qualcomm, Christiano Amon, eleito pela Time um dos 100 mais influentes em IA em 2025

Da redação
DA REDAÇÃO

07/01/2026 • 08:42 • Atualizado em 07/01/2026 • 08:42

Relógios Watchitude para crianças, com compartimento para dispositivos de rastreamento Apple AirTag, são exibidos durante a CES 2026

Relógios Watchitude para crianças, com compartimento para dispositivos de rastreamento Apple AirTag, são exibidos durante a CES 2026

REUTERS/Steve Marcus

A nova geração de dispositivos inteligentes vestíveis — como óculos, relógios, anéis, colares e pulseiras — deve desempenhar um papel central na democratização da inteligência artificial (IA). A avaliação é do presidente global da Qualcomm, Christiano Amon, brasileiro formado em engenharia elétrica pela Unicamp e eleito pela revista Time uma das cem pessoas mais influentes do mundo em IA em 2025.

Compartilhar

Embora os agentes de IA já tenham se popularizado por meio de aplicativos como ChatGPT e Deepseek, um novo avanço significativo é esperado para os próximos anos, à medida que a tecnologia passe a ser incorporada de forma cada vez mais natural a dispositivos de uso cotidiano, oferecendo novas funcionalidades aos usuários.

“Quando todos esses dispositivos se tornarem inteligentes, eles permitirão que as pessoas se conectem rapidamente com os agentes de IA”, afirmou Amon. “E isso já está acontecendo”, destacou durante um painel promovido pela Siemens na Consumer Electronic Show (CES), feira de tecnologia realizada nesta semana em Las Vegas, nos Estados Unidos.

Segundo o executivo, os sistemas embarcados nesses aparelhos já são capazes de compreender o que os usuários veem e dizem. “Eles entendem o nosso mundo. E, à medida que a tecnologia é miniaturizada e incorporada a todos os dispositivos, ocorre uma transformação massiva nos eletrônicos de consumo”, completou.

Amon citou como exemplo os óculos inteligentes, que até pouco tempo eram vistos como itens futuristas, mas começam a ganhar espaço no mercado com design cada vez mais semelhante aos modelos tradicionais. Esses dispositivos poderão auxiliar na identificação de pessoas ao redor, no agendamento de compromissos e na sugestão de dinâmicas de interação. “Vai mudar a forma como pensamos a interação. Estamos apenas no começo”, disse.

Durante a apresentação na CES, o presidente da Qualcomm afirmou ainda que os dispositivos pessoais com IA devem alcançar um nível de popularidade comparável ao dos smartphones. “Acreditamos que essa nova categoria de dispositivos pessoais de IA será massiva. Tão grande quanto os telefones”, afirmou.

O advento do 6G

Amon também destacou que a evolução dos dispositivos vestíveis será impulsionada pela sexta geração de internet móvel, o 6G, atualmente em desenvolvimento e com previsão de se tornar realidade na virada da próxima década.

Segundo o executivo, o 6G vai além de uma simples atualização da tecnologia de rádio, ao integrar recursos avançados como inteligência artificial, sensoriamento, gêmeos digitais e novas funcionalidades de sistema. A proposta é viabilizar níveis superiores de eficiência e desempenho, consolidando o 6G como a principal plataforma de inovação para uma ampla rede inteligente de ponta nas próximas décadas.

A Qualcomm está entre as maiores fabricantes globais de chips para computadores, eletrônicos de consumo e equipamentos industriais. Após construir carreira na empresa, Christiano Amon assumiu a presidência global da multinacional em 2021.

*Com informações do Estadão Conteúdo.

*O jornalista viajou para a CES a convite da Lenovo.

Tópicos relacionados