Ciência e Tecnologia

China faz 1º lançamento de emergência para resgatar astronautas presos no espaço

A missão não tripulada Shenzhou-22 levou suprimentos, peças e uma nova cápsula de retorno para a tripulação da Tiangong; a de backup foi usada antes do prazo

Da redação
DA REDAÇÃO

26/11/2025 • 12:16 • Atualizado em 26/11/2025 • 12:16

China lança foguete para resgatar astronautas presos no espaço

China lança foguete para resgatar astronautas presos no espaço

China Daily via REUTERS

A China concluiu com sucesso, na segunda-feira (24), o primeiro lançamento espacial de emergência de sua história, uma operação inédita realizada para eliminar riscos de segurança na estação espacial Tiangong após uma cápsula ter sido danificada em órbita no início do mês.

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A missão utilizou a nave Shenzhou-22, lançada às 12h11 (horário local) a bordo do foguete Longa Marcha-2F, a partir do Centro de Lançamento de Jiuquan, no noroeste do país. Segundo a Agência Espacial Tripulada da China (CMSA), o veículo se separou do foguete conforme planejado e entrou em órbita com sucesso.

Imagens divulgadas pela emissora estatal CCTV mostraram o foguete cortando o céu e a nave avançando pelo espaço já com a Terra ao fundo. A Shenzhou-22 atracou na estação Tiangong às 15h50, garantindo novamente à tripulação um veículo funcional para retorno à Terra em caso de emergência.

Dano em cápsula provocou operação inédita

A decisão de ativar o protocolo de emergência ocorreu após a Shenzhou-20, que deveria trazer três astronautas de volta à Terra em 5 de novembro, ser considerada insegura. O motivo: uma rachadura na janela da cápsula de retorno, possivelmente causada por detrito espacial — um dos maiores desafios atuais das operações em órbita.

Com isso, a CMSA foi obrigada a recorrer à única nave disponível na estação naquele momento, a Shenzhou-21, que havia chegado em outubro com uma nova tripulação. A partida antecipada da nave deixou a estação Tiangong por 11 dias sem um veículo apto para evacuação rápida, situação considerada de alto risco nas normas de segurança espacial.

"O lançamento de emergência é um marco para a China, mas esperamos que seja o último da história da exploração humana", afirmou He Yuanjun, representante da CMSA, em entrevista à televisão estatal.

Carga inclui peças, suprimentos e alimentos frescos

A Shenzhou-22 levou materiais médicos, peças de reposição e equipamentos destinados ao conserto da janela danificada da Shenzhou-20, que permanece acoplada à Tiangong.

Também foram enviados itens para o dia a dia dos astronautas: frutas frescas, legumes, asas de frango, bifes e até bolos, que poderão ser preparados no “forno espacial” instalado na estação — um dos equipamentos desenvolvidos pela China para melhorar a rotina de missões de longa duração.

A nova nave ficará acoplada à Tiangong até abril de 2026, quando será utilizada para trazer à Terra os astronautas da Shenzhou-21.

Operação rápida reforça protocolos da China

Desde 2021, a China mantém um ritmo regular de missões tripuladas, enviando equipes para estadias de seis meses na Tiangong. Os protocolos exigem sempre uma nave e um foguete reserva prontos para lançamento — exigência que permitiu a resposta acelerada desta semana.

Segundo a CMSA, o procedimento de emergência levou 16 dias desde o início da preparação até o lançamento — muito abaixo dos cerca de 45 dias necessários para uma missão convencional.

A ação também reforça a disputa espacial entre China e Estados Unidos, que trabalham para enviar astronautas à Lua até 2030. No ano passado, dois astronautas da NASA ficaram nove meses presos na Estação Espacial Internacional devido a falhas no módulo Boeing Starliner, retornando apenas após transferência para uma cápsula SpaceX.

Meta: maior autonomia e segurança no espaço

Com o sucesso da missão, a China destaca sua capacidade de reagir rapidamente a incidentes em órbita e de manter operações seguras em sua estação espacial permanentemente habitada.

A Shenzhou-22 simboliza não apenas um avanço tecnológico, mas um passo estratégico num momento de crescente competição global — e de riscos cada vez maiores provocados pelo aumento de detritos no espaço.

*Com informações de agências internacionais.

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