Ciência e Tecnologia

Como programar seu relógio para controlar o ritmo na corrida

Aprenda a configurar alertas e treinos estruturados no seu dispositivo para otimizar seu desempenho em treinos de tiro e tempo run

Da redação
DA REDAÇÃO

25/11/2025 • 09:51 • Atualizado em 25/11/2025 • 09:51

Divulgação / Banco de Imagens

Manter a intensidade correta durante a corrida é um dos maiores desafios para atletas de todos os níveis. É aqui que a tecnologia dos relógios esportivos modernos se torna uma aliada fundamental.

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Saber programar o relógio para manter o pace adequado em treinos de tiro, tempo run e rodagens transforma o dispositivo de um simples marcador de tempo em um treinador inteligente no seu pulso — capaz de orientar, corrigir e garantir que cada etapa do treino seja executada na intensidade certa.

Neste guia, você entenderá os conceitos, aprenderá o passo a passo e conhecerá como especialistas usam essa função na prática para aprimorar a performance de forma consistente e baseada em dados.

Por que controlar a intensidade é importante?

Apesar de “ritmo” e “pace” serem sinônimos no universo da corrida, o controle real que o corredor busca é o da intensidade. É essa intensidade — manifestada no pace, na frequência cardíaca ou na própria percepção de esforço — que determina as adaptações fisiológicas de cada sessão.

Para o treinador Murilo Groschitz, a necessidade de precisão depende do objetivo:

“Se o propósito é completar 10 km abaixo de 1h, saber o pace exato ajuda muito a manter a estratégia. Já em treinos guiados por frequência cardíaca, entender em que zona se está é fundamental. Mas isso não é essencial para todos os treinos — nem para profissionais.”

Ele relembra que, muito antes dos relógios com GPS, atletas já treinavam com sucesso usando apenas cronômetro e autopercepção. Ou seja, a tecnologia facilita — mas não substitui totalmente o feeling.

Camilo Alves destaca que controlar o ritmo é especialmente relevante para quem tem metas de performance:

“É uma métrica essencial para acompanhar evolução e seguir a programação de treinos. Mesmo atletas amadores conseguem evoluir muito mais quando entendem e monitoram sua intensidade.”

Os erros mais comuns ao correr “no olho”

Sem qualquer métrica para se guiar, a tendência do corredor é quase sempre a mesma: correr mais forte do que deveria.

Murilo observa isso todos os dias: “A dificuldade de respeitar intensidades leves é enorme — principalmente entre iniciantes. Sem o relógio, é comum correr fora da zona planejada sem perceber.”

Camilo confirma: “O atleta se sente bem no primeiro tiro e força demais. Isso compromete toda a sessão, porque ele gasta energia antes da hora.”

Essa falha em controlar o esforço pode gerar desgaste excessivo, atrapalhar a progressão e até aumentar o risco de lesões.

Programando treinos estruturados no relógio GPS

A maioria dos relógios modernos — Garmin, Polar, Coros, Suunto — permite criar treinos estruturados com etapas e metas claras.

O processo geral é assim:

1. Abra o aplicativo da marca

Garmin Connect, Polar Flow, Coros App, Suunto App. A programação costuma ser feita no celular, não no relógio.

2. Crie um novo treino

Busque a seção “Treinos”, “Exercícios” ou “Workouts”.

3. Defina as etapas

Aquecimento: tempo ou distância livre.

Tiros (Intervalos): repetição de distâncias ou tempos específicos.

Recuperação: trote leve ou caminhada.

Desaquecimento: retorno gradual à intensidade baixa.

4. Escolha a métrica de alvo

Aqui entra a questão mais discutida pelos especialistas:

  • Pace
  • Frequência cardíaca
  • Percepção de esforço
  • Cadência

Murilo alerta que todas funcionam, mas têm limitações. O pace é influenciado pela pista onde o corredor está. A frequência cardíaca exige teste formal para definir zonas realistas. Já a percepção de esforço é democrática, mas subjetiva.

Para Camilo, o ideal é começar pelo que você sente:

“Nossa batalha como treinadores é fazer o atleta primeiro entender sua percepção de esforço. Depois disso, o pace passa a fazer muito mais sentido.”

5. Sincronize o treino

No Garmin, Polar e Coros, basta salvar e enviar. Algumas assessorias, como a RunFun, já integram a planilha automaticamente no relógio, sem necessidade de transferir manualmente.

Como usar o relógio para evitar erros de intensidade

Os alertas automatizados — vibratórios, sonoros ou visuais — são os favoritos dos treinadores.

Murilo explica:

“Eles são ainda mais úteis em treinos intervalados. Em tiros curtos, nosso feeling falha muito. O alerta impede que o atleta comece rápido demais.”

Camilo complementa:

“Nos longos, o alerta evita que o corredor se empolgue e transforme um treino leve em um treino forte sem perceber.”

Além da intensidade, relógios avançados oferecem outras funções importantes:

  • alertas de hidratação
  • lembretes de consumo de carboidrato
  • métricas de biomecânica (cadência, oscilação vertical)
  • mapas completos com orientação de percurso — essenciais em provas de montanha

Adaptando metas em subidas e descidas

Aqui, ambos especialistas concordam: não existe fórmula fixa.

Murilo recomenda ajustar o pace para manter a frequência cardíaca estável nas subidas.

Camilo destaca que a experiência é o fator mais importante:

“A adaptação vem com prática. Cada atleta reage de um jeito ao terreno e só experimentando é possível entender quanto ritmo se perde ou se ganha.”

Cuidado com a dependência da tecnologia

Os dois especialistas alertam para um risco crescente: tornar-se refém do relógio.

Murilo conta que gosta de propor o teste do feeling: “Corra em diferentes paces e tente adivinhar qual foi antes de olhar o relógio. A maioria erra muito.”

Camilo acrescenta: “Existem atletas que deixam de treinar porque o relógio está sem bateria. Isso é um problema.”

Em provas como a Maratona de Chicago, onde o sinal de GPS falha por quilômetros, confiar apenas no relógio pode virar uma armadilha.

Primeiros passos para quem não entende nada de configuração

Camilo sugere começar pelo básico:

  • pace
  • tempo
  • distância

Depois evoluir para métricas mais complexas.

Murilo recomenda experimentar e personalizar:

“Use as telas ao seu favor. Cada corredor tem sua preferência sobre o que quer ver primeiro.”

Por que vale a pena programar o relógio?

Ao integrar treinos estruturados ao seu relógio GPS, você:

  • executa cada etapa na intensidade correta
  • mantém consistência ao longo do ciclo
  • evita exageros que levam ao desgaste
  • aprende sobre seu corpo e sua performance
  • analisa seus treinos com precisão milimétrica

A tecnologia não substitui a percepção — mas potencializa seu uso. Ao dominar essas ferramentas, você transforma cada sessão em um treino inteligente, estratégico e alinhado aos seus objetivos.

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