
Lua aparece parcialmente encoberta durante eclipse lunar; fase total não será visível na maior parte do Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
Um eclipse lunar que começa na madrugada desta terça-feira (3) vai tingir a Lua de vermelho em parte do planeta, mas o fenômeno mais esperado não será visível na maior parte do Brasil. O alinhamento entre Sol, Terra e Lua produzirá a chamada Lua de Sangue, porém, para os brasileiros, o espetáculo será limitado e, em muitas regiões, quase imperceptível.
O eclipse começa às 5h44 (horário de Brasília), quando a Lua entra na penumbra da Terra. A fase total, quando o satélite fica completamente avermelhado, ocorrerá apenas depois de a Lua já ter se posto no horizonte para quem está no país.
Segundo o astrônomo Thiago Signorini Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o fenômeno acontece quando a Terra se posiciona exatamente entre o Sol e a Lua, projetando sua sombra sobre o satélite.
Por que a Lua fica vermelha
No eclipse parcial, a sombra terrestre avança sobre a superfície lunar como uma “mordida” escurecendo a Lua cheia. Já no eclipse total, a luz solar deixa de atingir diretamente a Lua e passa antes pela atmosfera da Terra.
Nesse trajeto, a atmosfera filtra a luz: os tons azulados se dispersam e apenas a parte avermelhada chega ao satélite, criando o efeito que popularmente ficou conhecido como “Lua de sangue”. O nome não é científico, mas descreve o aspecto visual do fenômeno.
Visibilidade limitada no país
A observação será prejudicada em grande parte do território brasileiro. Em cidades como São Paulo e Brasília, o eclipse ocorrerá perto das 6h, quando a Lua já estará baixa no horizonte oeste e pouco antes do nascer do Sol, condição que dificulta a visualização.
A situação melhora apenas no extremo oeste do país. Em áreas de Acre, Rondônia e do oeste do Amazonas, será possível observar parte do eclipse parcial. Nessas regiões, a sombra da Terra deve avançar sobre a Lua a partir de cerca das 5h, com o máximo do encobrimento por volta das 5h45.
Mesmo assim, o país não está entre os melhores pontos de observação do planeta. A fase total será plenamente visível em áreas do Pacífico, como a Nova Zelândia e ilhas como Fiji.
As etapas do eclipse
De acordo com a astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, todo eclipse lunar total segue a mesma sequência: fase penumbral, parcial, total e depois o processo inverso.
Na fase penumbral, a Lua entra na parte mais clara da sombra terrestre e o escurecimento é discreto. No eclipse parcial, a Lua mergulha na região mais escura da sombra, a umbra, e começa a perder luminosidade. A fase total ocorre quando o satélite fica completamente imerso nessa região — momento que não será visível no Brasil.
Cronograma do eclipse (horário de Brasília)
- 5h44 — início do eclipse penumbral
- 6h50 — início do eclipse parcial
- 8h04 a 9h02 — fase total (não visível no Brasil)
Quanto mais a oeste a posição do observador, maior será o encobrimento. No extremo oeste do país, a cobertura pode chegar a 96%, muito próxima da totalidade, mas ainda classificada como parcial.
Próximos eclipses visíveis no país
Eclipses lunares são relativamente frequentes no Brasil, mas um espetáculo completo exigirá espera. Segundo Josina, apenas na noite de 25 para 26 de junho de 2029 haverá um eclipse total com todas as fases visíveis em todo o território nacional.
Antes disso, um eclipse parcial quase total (93% de magnitude) poderá ser observado em todo o país na noite de 27 para 28 de agosto de 2026. Em 2027, todos os eclipses previstos serão apenas penumbrais. Em 2028 haverá eclipses parciais, mas nenhum total visível do Brasil.
Com informações da Agência Brasil.

