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Onde estão as pessoas que vivem mais — e melhor — no planeta? Essa é a pergunta que orienta um amplo estudo internacional que analisou, com rigor científico, as regiões do mundo com maior concentração de idosos longevos e saudáveis. O trabalho, conduzido por especialistas da área de gerontologia, revisita décadas de pesquisas demográficas para identificar, validar e explicar as chamadas Zonas Azuis, locais onde é significativamente maior a chance de chegar aos 90 ou 100 anos de idade.
Ao contrário de relatos históricos e populares que, ao longo do tempo, exageraram idades por falta de registros confiáveis, o estudo — publicado na Experimental Gerontology e na Vienna Yearbook of Population Research — destaca que apenas quatro regiões do mundo tiveram a longevidade de sua população comprovada por meio de cruzamento de dados oficiais, registros civis, documentos religiosos, reconstrução genealógica e entrevistas presenciais.
As Zonas Azuis clássicas, reconhecidas pela comunidade científica, são:
- Sardenha (Itália) – especialmente vilarejos da região montanhosa de Ogliastra, onde há proporção incomum de centenários, inclusive entre homens.
- Okinawa (Japão) – conhecida por décadas como a região mais longeva do país, com idosos ativos e baixos índices de doenças crônicas, embora esse padrão esteja diminuindo entre gerações mais jovens.
- Icária (Grécia) – ilha do Mar Egeu onde a taxa de pessoas com mais de 90 anos é até três vezes maior que a média nacional.
- Nicoya (Costa Rica) – península onde homens nascidos antes de 1930 apresentaram probabilidade muito superior de alcançar os 100 anos.
Segundo os pesquisadores, o diferencial dessas regiões não está apenas na longevidade, mas na qualidade de vida na velhice. Os idosos das Zonas Azuis tendem a permanecer fisicamente ativos, socialmente integrados e com baixos índices de doenças cardiovasculares e degenerativas.
O estudo também ressalta que essas regiões não são eternas. Mudanças no estilo de vida, urbanização, alimentação industrializada e perda de hábitos tradicionais têm feito algumas Zonas Azuis encolherem — como ocorre atualmente em Okinawa e em partes da Nicoya. Por outro lado, novas áreas com sinais de longevidade excepcional começam a surgir em países como Holanda, China e Costa Rica, mas ainda precisam de validação científica rigorosa.
Ao reunir décadas de dados e responder a críticas recentes sobre supostos exageros etários, os autores concluem que as Zonas Azuis são reais e oferecem pistas valiosas sobre como fatores como alimentação simples, atividade física cotidiana, vínculos comunitários e menor estresse podem contribuir para uma vida mais longa e saudável.

